Palácio Valflores, ca(u)sa nossa!

Verificando-se o completo abandono do Palácio e das diligências para a sua recuperação a partir de 2001, quer pelos proprietários, quer pelas autoridades responsáveis, a Câmara Municipal de Loures, o então designado IPPAR e a Valorsul manifestaram, em 2004, disponibilidade para a sua aquisição e recuperação, operação que não foi autorizada pelo Governo.

Uma vez que quer o IPPAR, quer a Câmara Municipal de Loures não possuíam recursos para a recuperação do Palácio, utilizar-se-ia a disponibilidade expressa pela Valorsul.

A recusa por parte do Ministério do Ambiente – Ministro Nunes Correia – foi fundamentada com base num parecer do Instituto Regulador de Águas e Resíduos, onde é dito que não faz parte do objecto social da empresa este tipo de actividade.

Mas o facto é que a Valorsul não pedia dinheiro ao Governo, antes previa recorrer à valorização de terrenos, com fundos próprios e comunitários, elaborando um projecto de recuperação e estudando fontes de financiamento relativa à futura ocupação do espaço.

Não se compreendeu a decisão do governo porquanto a alternativa para aquele Imóvel de Interesse Público foi a crescente degradação e maiores riscos de derrocada, como se veio a confirmar.

O Ministério da Cultura assumiu-se então como o grande “desaparecido” neste processo, não se lhe conhecendo uma opinião, uma palavra, uma intervenção. Por omissão e falta de comparência, acabou por se tornar cúmplice do que veio a suceder ao Palácio.

Em 18 de Abril de 2006, a ADAL, a ADPAC e a Junta de Freguesia de Santa Iria de Azóia assinalaram a Jornada Internacional dos Monumentos e Sítios com uma acção de iluminação nocturna do Palácio de Valflores – DAR LUZ AO PALÁCIO e ILUMINAR OS MINISTROS.

A ADAL, preocupada com a sustentação física do Palácio de Valflores, dirigiu-se por carta ao Presidente da Câmara Municipal de Loures e aos Grupos Políticos representados na Assembleia Municipal no sentido de que sejam tomadas medidas técnicas objectivas e urgentes para salvaguarda do edifício.

Em Fevereiro de 2007 a ADAL enviou um apelo ao Presidente da Câmara, e aos Deputados Municipais:

“É do conhecimento geral o estado de derrocada em que se encontra o Palácio de Valflores.

Lamentavelmente, o actual Ministro do Ambiente não tem permitido aquela que era a melhor, mais rápida e mais económica solução para a recuperação e utilização futura daquele Palácio, mas estamos convictos que um dia os responsáveis políticos terão a coragem que se lhes exige, para ultrapassar obstáculos ridículos que se opõem ao desenvolvimento.

Assim, importa antes de mais salvaguardar o que pode ainda ser salvo. Sujeito, como tem estado à intempérie, nenhum edifício naquelas condições pode resistir por muito mais tempo.

Razão pela qual fazemos um forte APELO a V.Exa., no sentido de com urgência serem tomadas medidas técnicas para a sustentação, escoramento e cobertura do Palácio de Valflores. Pela nossa parte, ficamos disponíveis para colaborar activamente com a Câmara Municipal de Loures na concretização dessa iniciativa.”

Em Abril de 2007, a ADAL assinalou o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios com uma Caminhada entre o Castelo de Pirescoxe e o Palácio de Valflores, ambos em Santa Iria de Azóia, Concelho de Loures. A jornada constituiu uma denúncia pública para o estado de derrocada do Palácio de Valflores e o estranho alheamento das entidades públicas responsáveis, designadamente, a Ministra da Cultura, o IPPAR e a Câmara Municipal de Loures, que nada faziam para evitar a sua eminente falência estrutural.

Já em 2008, a efeméride foi assinalada com com uma iniciativa de alerta e sensibilização das instituições com responsabilidades na salvaguarda do Palácio de Valflores. A jornada consistiu na remessa diária de um fax, durante a semana de 14 a 20 de Abril para os seguintes destinatários:

  • •             Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional:
  • •             Ministro da Cultura
  • •             IPPAR
  • •             Presidente da Câmara Municipal de Loures
  • •             Gabinete dos Vereadores do PS na Câmara Municipal de Loures
  • •             Gabinete dos Vereadores da CDU na Câmara Municipal de Loures
  • •             Gabinete dos Vereadores do PSD na Câmara Municipal de Loures

Em 2009, na mesma data, a ADAL ofereceu um porquinho-mealheiro para alerta e sensibilização das instituições com responsabilidades na salvaguarda do Palácio de Valflores, sugerindo-lhes que promovessem, à boa maneira caritativa, recolher contributos para fazerem face às insuficiências que evidenciavam enquanto gestores da coisa pública e dos interesses do país.

Foram agraciados com a oferta do simpático mealheiro:

  • •             O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Loures;
  • •             O Senhor Vereador da Cultura;
  • •             O Senhor Presidente da Assembleia Municipal;
  • •             Os Gabinetes dos Senhores Vereadores do PS, CDU e PSD na Câmara de Loures;
  • •             O Senhor Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional;
  • •             O Senhor Ministro da Cultura;
  • •             O Senhor Presidente do IGESPAR;
  • •             Á Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República.

Entre 2009 e 2013, prosseguiram os contactos com a CM Loures (reuniões, Posições Públicas e ofícios) com a finalidade de sensibilizar os autarcas para a necessidade de se encontrar uma solução para o Palácio e Quinta, culminando, em 2014, com o envio de uma proposta para criação de um Pólo universitário de investigação ambiental em Loures.

Em 2015 a ADAL assinala o Palácio de Valflores – o risco de destruição deste edifício histórico – como ponto negativo do património do concelho, relativo ao Projeto Positivo e Negativo de 2014.

Foi com elevada expectativa e satisfação que a ADAL tomou conhecimento do interesse e manifestação de empenho, por parte do Ministro da Cultura, em 2016, relativamente à necessidade de recuperar este exemplar da arquitectura residencial do séc. XVI.

Em Junho de 2016 a ADAL foi convidada e aceitou ser parceira da CM Loures no processo de candidatura, ao POR Lisboa, de uma intervenção de carácter mais imediato, para impedir derrocadas e perda de património, disponibilizando-se, naturalmente, para acompanhar todo o processo, colaborando no que estiver ao seu alcance, designadamente para análise de propostas relativas ao uso futuro deste edifício e da sua quinta.

COLABORAÇÃO EM PROL DO PALÁCIO DE VALFLORES

Ao abrigo do Programa POR Lisboa – Lisboa 2020, a Câmara Municipal de Loures candidatou uma proposta para a consolidação estrutural do Palácio de Valflores (e aqueduto).

Consciente do empenho e interesse que a ADAL tem demonstrado relativamente à situação fragilizada do Palácio de Valflores, a Autarquia desafiou a Associação para cooperar neste projeto.

De imediato foi reiterada a inteira disponibilidade para colaborar em acções que tenham em vista a preservação e recuperação do Palácio de Valflores, bem como a conceptualização da sua futura utilização, aspecto que consideramos fulcral para a eventual obtenção de financiamentos que viabilizem a reabilitação daquele património único.

A formalizar a entrega da documentação até 31 de outubro do corrente ano.

Palácio de Valflores está entre os 14 monumentos mais ameaçados da Europa

FONTE: Diário de Notícias

Já pouco mais resta do que algumas paredes e parte dos torreões, mas em tempos foi a casa do feitor de D. João III na Flandres e é um dos raros exemplos da arquitetura residencial, medieval e renascentista em Portugal. Falamos do Palácio Valflores, em Santa Iria da Azóia, Loures, um dos 14 monumentos mais ameaçados na Europa, segundo a associação Europa Nostra. A lista anual da principal organização europeia de defesa do património, ontem divulgada, inclui sítios arqueológicos, edifícios, uma ponte, um aeroporto e até a Lagoa de Veneza.

“Este é um problema que se arrasta há demasiado tempo”, reconhece Paulo Piteira, vice-presidente da Câmara Municipal de Loures, referindo-se às cerca de três décadas durante as quais o Palácio das Cabaças ou das Abóboras, como é localmente conhecido, tem vindo a deteriorar-se.

Para o autarca, esta nomeação é um sinal “muito importante, significa que há cada vez mais gente atenta à questão da defesa e valorização do património”. Reivindicando para a autarquia o papel de “entidade mais empenhada” na recuperação deste imóvel, Paulo Piteira recorda que desde a sua construção, no século XVI, até ao final do século XX pertenceu a particulares.

Ciente do seu valor patrimonial e cultural, nos primeiros anos deste século, a câmara avançou com um plano de recuperação, em parceria com a Valorsul, empresa que trata os resíduos sólidos urbanos de vários municípios, entre os quais Loures, onde instalou a incineradora. E se a câmara concretizou a sua parte – adquirindo o imóvel por cerca de um milhão de euros -, a Valorsul acabou por não financiar a recuperação. Não por vontade da empresa mas porque “foi impedida pelo Ministério do Ambiente”, assinala o autarca.

Nos últimos anos, o Palácio Valflores, construído numa propriedade rural pelo mercador Jorge de Barros, na tradição do paço régio medieval, “chegou a uma situação assustadora, oferecendo perigo de derrocada”, refere o autarca, responsável pelo departamento de cultura de Loures. A tal ponto que foi colocada uma estrutura metálica para o manter de pé, tendo sido envolto numa tela que o protege das intempéries.

Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1978, “com valor excecional, cujas características deverão ser integralmente preservadas”, a câmara tem em curso uma candidatura a fundos comunitários, no valor de meio milhão de euros, para viabilizar uma intervenção que estabilize o imóvel.

O projeto para a total recuperação – com a criação de um centro cultural, uma escola de artes e ofícios e um pequeno museu – deverá custar cerca de cinco milhões de euros, adianta Paulo Piteira. Mas para avançar, a câmara precisa de parceiros, algo que, espera, possa vir a concretizar-se com o alerta agora lançado.

Os 14 locais foram pré-selecionados por um painel internacional de especialistas em história, arqueologia, arquitetura, conservação, análise de projetos e finanças. Apesar de este não ser um programa de financiamento, pretende servir como catalisador, sensibilizando as instituições da União Europeia com a ação conjunta de diferentes parceiros públicos e privados.

A lista final dos sete sítios mais ameaçados será divulgada a 16 de março do próximo ano, num evento que decorrerá em Veneza, Itália.

 

Leia aqui a notícia na íntegra

http://www.dn.pt/artes/interior/sao-precisos-cinco-milhoes-de-euros-para-salvar-o-palacio-valflores-4924849.html

ADAL assinala Palácio de Valflores como ponto negativo do concelho

Fonte: Câmara Municipal de Loures | http://www.cm-loures.pt/Conteudo.aspx?DisplayId=1036

PATRIMÓNIO E AMBIENTE

Associação de Defesa do Ambiente de Loures assinala pontos positivos e negativos do concelho

Reabertura dos museus municipais de Loures ao domingo valorizada pela Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL), que entregou, no dia 5 de junho, na Câmara Municipal de Loures, os certificados relativos aos aspetos positivos e negativos nas áreas do Ambiente e do Património.

Os certificados, relativos ao ano de 2014, são emitidos pela ADAL como forma de assinalar o Dia Mundial do Ambiente, onde se destacam os factos mais relevantes e positivos, alertando para os que se apresentam em contradição com o bem-estar coletivo.

Como pontos positivos, a ADAL assinala a reabertura dos museus municipais de Loures aos domingos e ainda a discussão pública do PDM, aberta à participação de toda a população.

Já a privatização da Valorsul foi classificada de negativa, facto que a Câmara de Loures tem tentado contrariar através de múltiplas ações: providências cautelares, sessões públicas de esclarecimento, manifestações, concentrações, conferências de imprensa, entre muitas outras formas de luta.

Na área do Património, o Palácio de Valflores, em Santa Iria de Azóia, e o risco de destruição deste edifício histórico, tiveram uma classificação negativa por parte da ADAL. Também aqui a Autarquia tem dado passos importantes na sua preservação. Após a constituição de um grupo de trabalho interno, entre outubro de 2013 e novembro de 2014, foram desenvolvidas várias ações. Uma das primeiras decisões foi reunir com a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), onde se apresentou proposta e orçamento para consolidação do palácio e aqueduto e se procurou saber da disponibilidade deste organismo para apoiar a intervenção. A 1 de novembro de 2013, a Câmara de Loures apresentou uma candidatura ao Programa 7 Sítios Mais Ameaçados, da Europa Nostra, representada em Portugal pelo Centro Nacional de Cultura, mas sem resultados.

Já no início ano de 2014, a Quinta de Valflores recebeu uma visita técnica da DGPC para uma vistoria técnica do imóvel. Procedeu-se, então, à remoção de colunelo, capitel e base da loggiado palácio e posterior depósito no Museu Municipal de Loures, assim como à reposição da tela e chapas de cobertura danificadas na estrutura de proteção do palácio. Remetida foi também, pela Autarquia, uma proposta de caderno de encargos para intervenção de consolidação no imóvel e aqueduto à DGPC. A 26 de junho de 2014, Valflores recebe a visita do Secretário de Estado da Cultura, com o intuito de aprofundar parcerias para melhorar o apoio técnico e avaliar em conjunto formas e meios de valorização do património.