DIA INTERNACIONAL DA FLORESTA pelo sócio Rui Máximo Santos

Aproveitando o desafio da ADAL, a propósito do Dia Internacional da Floresta, apraz-me reflectir sobre as árvores e a floresta e a sua importância na preservação ambiental. E este interesse advém não só pelo tema ser transversal a todos os seres vivos do Planeta, mas essencialmente porque o meu dia-a-dia é vivido em contacto com a natureza, seja através da actividade profissional, seja da intrínseca dedicação ao serviço dos bombeiros voluntários.

As áreas florestais, formadas por árvores, arbustos, ervas e um grande número de outros seres vivos, ocupam grande parte da superfície da terra fora de água e são uma parte muito importante do nosso ecossistema. A nível ambiental, o declínio florestal diminui a biodiversidade, provoca uma elevada erosão do solo desprotegido, leva à modificação das bacias hidrográficas, factos estes que, por vezes, provocam prejuízos materiais e até humanos.

 

Com o objetivo de contribuir para uma adequada gestão florestal, os municípios portugueses têm a obrigatoriedade de criar o Gabinete Técnico Florestal, cujo âmbito de competências compreende: o acompanhamento das políticas de fomento florestal e a devida informação pública; o apoio à comissão municipal de defesa da floresta; a elaboração do plano municipal de defesa da floresta; o registo cartográfico das ações de gestão de combustíveis; a recolha, registo e atualização da base de dados da rede de defesa da floresta contra incêndios; o apoio na construção e manutenção da rede viária florestal, entre outras atribuições.

Destas ações destaco os trabalhos no âmbito da manutenção, beneficiação e revitalização da Rede Viária Florestal, a qual não só assegura o acesso aos locais de ocorrência das equipas de primeira intervenção para combate a incêndios florestais, como contribui para um adequado encaminhamento das águas pluviais, evitando uma erosão acentuada dos caminhos e áreas florestais. Contudo, este esforço, quer de garantia de preservação, quer de facilitação na intervenção em caso de incêndio, evidencia também inconvenientes, como a utilização abusiva da Rede Viária Florestal pelos “amantes” dos veículos todo-o-terreno, com os consequentes estragos dos percursos florestais ou a má prática de abandono de resíduos nestes locais de difícil acesso.

Por outro lado, a defesa da floresta assume especial importância no decorrer do período critico (determinado por regulamentação governamental), com a integração de equipas de Bombeiros e de equipas de Sapadores Florestais no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais, aliando-se a competência dos que têm o conhecimento do “combate” ao fogo ao longo de décadas àqueles que ao longo de todo o ano trabalham e preservam a área florestal, através da execução de trabalhos silvícolas e da recuperação da rede viária. Esta parceria aumenta a eficácia da primeira intervenção e reforça as operações posteriores, nomeadamente o ataque ampliado e subsequentes operações de rescaldo e vigilância pós incêndio. Recordo que os meios humanos e materiais envolvidos no decorrer do período crítico dos incêndios florestais no município de Loures são: sete corpos de bombeiros, duas equipas de Sapadores Florestais e um Posto de Vigia pertencentes ao Município de Loures, além de patrulhas da Guarda Nacional Republicana – SEPNA.

 

No município de Loures existem áreas florestais e projectos florestais (públicos e privados) que se destacam entre muitos outros e que importa dar a conhecer e preservar, nomeadamente nas freguesias de Bucelas, Fanhões, Loures e Lousa:

Parque Municipal de Cabeço de Montachique em Ribas de Cima; Encosta da Saúde no Casal da Vera em Lousa; Casal do Condado em Bucelas; Serra da Sardinha em A-dos-Cãos; Penedo do Gato em Ponte de Lousa; Quinta da Romeira em Bucelas e Moinho dos Valérios em Lousa, são apenas alguns exemplos.

De todos os referidos, menciono o Parque Municipal de Cabeço de Montachique situado em Ribas de Cima, na freguesia de Fanhões, a apenas 8 quilómetros da sede do concelho. É um pulmão do concelho, com os seus 32 hectares, rico em fauna e flora, com densa vegetação, muito arborizado e com árvores de grande porte. Este é sem dúvida um local aprazível que convida ao contacto com a natureza, seja em percursos pedonais na zona de floresta, seja na prática de actividades desportivas ou simplesmente no ócio e convívio.

 

Por fim, espaço ainda para evidenciar as árvores classificadas de Interesse Público pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas no território de Loures. Estas árvores “Monumentais” apresentam um valor patrimonial elevado e distinguem-se doutras das suas espécies pelo porte, desenho, idade, raridade, interesse histórico ou paisagístico.

Aproveite esta Primavera, passeie e usufrua do património natural de Loures e descubra as árvores classificadas de Interesse Público no Concelho:

– Quercus faginea Lam., árvore vulgarmente conhecida por carvalho-português ou carvalho-cerquinho, existente no Casal do Tufo – Fontelas, em Lousa;

– Lagunaria patersonii (Andrews) G. Don, exemplar vulgarmente conhecido por hibisco-de-norfolk, implantada no lugar da Urbanização da Portela, na Portela;

– Olea europaea L., var. europaea, árvore vulgarmente conhecida por oliveira, existente no Bairro da Covina, em Santa Iria da Azóia;

– Olea europaea L. var. europaea – Oliveira localizada na Quinta da Aldeia, Bairro Social da Petrogal na Bobadela;

– Maciço constituído por 5 exemplares da espécie Phytolacca dioica L., árvores vulgarmente conhecidas por belas-sombra, existente no Bairro Social da Petrogal, na Bobadela;

– Alameda constituído por alguns exemplares da espécie Phoenix canariensis Chabaud, árvores vulgarmente conhecidas por palmeiras-das-canárias, existente no Bairro Social da Petrogal, na Bobadela.

 

Concluo com as palavras-chave que devem ser associadas a esta efeméride, mas ao longo do ano inteiro: árvores, arborização, floresta,reflorestação, preservação ambiental, qualidade do ar, qualidade de vida.

 

Texto escrito pelo sócio da ADAL: Rui Máximo Santos (Geógrafo, Comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Bucelas)