2011

No ano de 2011 a ADAL deu continuidade aos Programas que vinha desenvolvendo nos últimos anos, tentando reforçar e alargar a sua actividade e das posições públicas tomadas sobre aspetos que justificam denúncia, advertência e propostas por parte da ADAL.

Podemos destacar os seguintes projetos:

Eco-alerta

Foram respondidos e encaminhados todos os alertas chegados ao conhecimento da ADAL.

O número de alertas chegados à ADAL ficou aquém do que esperávamos e, na sua grande maioria, relacionaram-se com deficiências nos serviços de recolha de resíduos sólidos urbanos e limpeza urbana.

Este projeto justifica um maior esforço de divulgação.

Pelos trilhos do Património e da Natureza (percursos pedestres temáticos, entre Março e Setembro)

Realizaram-se três atividades:

12 de março – “Documentos com História” – Visita guiada ao Arquivo Municipal de Loures

17 de abril – Percurso com observação de aves no Parque Tejo-Trancão

15 de maio – “A História contada pela cidade” – Percurso pedonal urbano na cidade de Sacavém.

Um olhar por dentro (sessões e debates temáticos, entre Outubro e Março)

Realizaram-se duas atividades:

15 de janeiro – “2011,  Ano Internacional das Florestas. Porquê e para quê?” (Casa da Cultura de Santa iria de Azóia), com a colaboração da SETA – Sociedade Portuguesa para o Desenvolvimento da Educação e do Turismo Ambientais

26 de fevereiro – “Eficiência energética – como poupar eletricidade em sua casa” (Bombeiros de Sacavém), com a colaboração da Eco-Casa – QUERCUS.

Plataforma Ambiental pela Reciclagem das Regiões de Lisboa Norte e Oeste

A ADAL promoveu uma reunião da Plataforma em 9 de abril, para a qual foi convidado o Movimento Estado de Arcena, na qual se decidiram formas de articulação e de ação a propósito da pedreira de Arcena destinada a posterior instalação da nova célula do aterro de Mato da Cruz.

Ainda no âmbito dos seus objetivos e funções, a Plataforma teve uma reunião com a Valorsul em 15 de novembro.

Enquanto única ONGA no município de Loures, a ADAL foi chamada a integrar a Comissão de Acompanhamento Local da Central de Tratamento de RSU da Valorsul (Despacho 10682/2011 de 26 de Agosto). Contudo, a autarquia (cujo vereador de Ambiente preside a Comissão) ainda não promoveu qualquer reunião neste âmbito.

Positivo e Negativo do ano (eleição do Positivo e do Negativo de 2010, nos domínios do Ambiente e do Património e registo dos aspetos ou ocorrências de 2011, a considerar na votação do próximo ano).

Foram atribuídos certificados positivos e negativos aos seguintes aspetos de 2010:

POSITIVO NEGATIVO
AMBIENTE
  • Acção “Limpar Portugal”
  • Perdas de água potável sem controlo na rede de abastecimento do Concelho de Loures;
PATRIMÓNIO
  • Início da recuperação das Linhas de Torres
  • Manutenção em estado de abandono do Palácio de Valflores;

Acções de Advertência

Para além das seis Posições ou Informações Públicas difundidas (ver quadro anexo), destaca-se ainda a realização, a pedido da ADAL, de uma reunião com o Vice-Presidente da CM loures no dia 1 de fevereiro, para análise das do dossiê Frente Ribeirinha do Tejo em Loures, e a elaboração de um memorandum sobre toda a ação já desenvolvida pela ADAL sobre o assunto. Também em setembro foi enviado à ministra do MAMAOT um dossiê sobre esta matéria, com pedido de audiência (sem resposta).

Igualmente se destaca a iniciativa de lançamento de uma Petição Pública em defesa da reabertura dos Museus Municipais de Loures aos domingos, petição que se manterá ativa previsivelmente até Maio de 2012.

É de realçar que a ADAL não recebeu qualquer apoio financeiro por parte do município para a atividade a desenvolver durante o ano de 2011, apesar de ter apresentado a candidatura no prazo estabelecido (fê-lo em 18 de novembro de 2010).

As atividades desenvolvidas no âmbito dos projetos Pelos trilhos do Património e da Natureza e Um olhar por dentro acabaram por possibilitar a recolha de donativos junto dos participantes, que manifestaram vontade de, dessa forma, contribuir para as despesas inerentes ao funcionamento da Associação.

Assinalam-se as áreas em que se considera ser necessário reforçar e melhorar a intervenção, designadamente no que respeita à vida associativa (novos sócios / participação dos sócios), e à comunicação (atualização mais frequente do Site e melhor aproveitamento de outros canais de comunicação, como o correio eletrónico e o facebook).

Por outro lado, sendo positiva a concretização dos projetos Pelos trilhos do Património e da Natureza e Um olhar por dentro, assinala-se como negativa a redução do número de Informações / Posições Públicas (associadas a problemas detetados no domínio ambiental e cultural). De certa forma estas duas circunstâncias relacionam-se, uma vez que a atenção dos dirigentes se direcionou para novas frentes de trabalho, o que naturalmente os levou a descurar outras. A capacidade de intervenção está condicionada à disponibilidade dos dirigentes e dos sócios que se predispõem a colaborar (como aconteceu nos dois projetos acima referidos). Ora, no que respeita aos dirigentes associativos, a disponibilidade, no seu todo, manifestou-se reduzida, uma vez que um menor número de elementos puderam manter ligação regular ao projeto associativo ao longo do ano.

MONUMENTOS E SÍTIOS EM LOURES motivos para sérias preocupações

O dia 18 de Abril é Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

A ADAL assinala, ano após ano, com reforçadas preocupações os Monumentos e Sítios do Município de Loures que permanecem ao abandono e que nenhum discurso, nenhuma retórica e nenhuma tela publicitária melhora.

Eis um breve ponto de situação, para que se possa visitar e verificar in loco e sem intermediários:

Palácio de Valflores em Santa Iria de Azóia, embrulhado em ráfia, para deixar de se ver o estado lamentável em que encontra. Agora tem também uma tela publicitária municipal a fazer de conta que há preocupação com a requalificação do património;

Edifício 4 de Outubro em Loures, em acelerada degradação. Prometido no ano do Centenário da República que seriam executadas obras de recuperação;

Castelo de Pirescoxe em Santa Iria de Azóia, continuam a faltar as obras de consolidação de parte da sua muralha, ao mesmo tempo que se acentua a degradação das instalações inicialmente recuperadas;

Igreja de Santa Maria da Vitória em Sacavém, completamente desprezada;

Convento dos Mártires e da Conceição em Sacavém, em decadência e prestes a ser “sufocado” por mais uma urbanização;

Monumento Megalítico de Casaínhos em Fanhões, do qual a Câmara de Loures já nem apresenta foto no seu site na internet;

Quinta da Abelheira no Zambujal, São Julião do Tojal, deixada à sua sorte;

Paço Real de Frielas, estação arqueológica romana e medieval, sem evolução, nem acompanhamento especializado;

Quinta da Massaroca em São João da Talha, onde para além da decadência deve estar em preparação mais uma operação urbanística de larga escala;

Casa-Museu José Pedro, em Sacavém, que permanece sem actividade e sem valorização do riquíssimo património artístico e simbólico;

 

Torre Medieval de Sacavém, em degradação acentuada;

Aqueduto de Santo Antão do Tojal, a ser “emparedado” por uma urbanização;

Os Fortes e as Linhas de Torres em toda a zona norte do Concelho, para as quais se anunciam protocolos e intervenções de regeneração e conservação que se desenvolvem em passo de caracol (lento);

E de um modo geral o património que segundo a Câmara de Loures está “classificado ou em vias de classificação”, e cujas referências podem ser encontradas em: http://www.cm-loures.pt/MiniPatrimonio/index.htm

A ADAL lamenta profundamente o estado de degradação geral, desleixo e atentatório do património cultural construído do Concelho de Loures e, de novo, alerta para o alheamento, desinteresse e desrespeito com que as entidades responsáveis o estão a tratar. Recordamos que há já perdas irrecuperáveis em inúmeras estações arqueológicas, aterradas para dar lugar a empreendimentos de duvidoso interesse e nenhuma necessidade.

Teme-se que a voracidade urbanística que avassala o Concelho seja a principal aliada da irresponsabilidade do IGESPAR e da Câmara de Loures, gerando-se as condições de abandono, decadência e derrocada de inúmeros espaços e edifícios do maior valor histórico, cultural e social.

E que não nos acenem com a crise económica. Na maioria destes casos patrimoniais, a sua recuperação e usufruto seriam solução e não um problema. O património pode e deve ser usado, com retorno económico que garanta a sua sustentabilidade.

Perceber e conhecer o que está a cair ou em risco de se perder, é o caminho para que se possa perceber o que está em causa, o que pode perder o nosso património colectivo e o que é urgente defender e preservar.

 

PELA DESTRUIÇÃO, NÃO !

2011

31-12-2011 00:00

 

 

POSITIVO

NEGATIVO

AMBIENTE

Intervenção na Ribeira do Prior Velho

(Entidade: Simtejo).

Insuficiências e deficiências nos serviços de recolha de Resíduos Sólidos Urbanos

(Entidade: SMAS de Loures).

PATRIMÓNIO

Rota Histórica das Linhas de Torres, com particular ênfase para a inauguração do Percurso Pedestre Alrota – Arpim

(Entidade: CM Loures).

Enfraquecimento da dinâmica de programação cultural dos Museus Municipais, de que o fecho destes equipamentos aos domingos é um inquietante sinal.

(Entidade: CM Loures).

 

Hoje, 2 de Fevereiro, comemora-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas

Esta data coincide com aquela em que, em 1971, foi assinada a Convenção de Ramsar (Irão) que define as zonas húmidas como “zonas de pântano, charco, turfeira ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros”.

As condições para a selecção destes sítios estão relacionadas com

  • Representatividade e unicidade do ecossistema;
  • Valores da fauna e flora;
  • Importância na conservação de aves aquáticas;
  • Importância na conservação de peixes

Sendo ecossistemas muito sensíveis, encontram-se gravemente ameaçados, a nível mundial, por circunstâncias de expansão urbanística, industrialização, intensificação da agricultura, pesca e piscicultura, caça ilegal, poluição, abandono e turismo desregulado, entre outros factores.

Em Portugal…

Em Portugal estão identificadas cerca de 50 zonas húmidas, mas só 28 preenchem os requisitos para integrarem a lista da Convenção sobre Zonas Húmidas: 16 em Portugal continental e 12 nos Açores. Estes locais já se encontram mencionados em http://www.ramsar.org/doc/sitelist.doc

Apesar de estarem definidas medidas para a sua protecção, estas zonas continuam a exigir uma atenção especial devido aos perigos que ainda as afectam.

(Fonte: Ponto focal da Convenção de Ramsar para Portugal – ICNB)

No concelho de Loures…

No concelho de Loures ainda existe um pequeno paul, o Paul das Caniceiras, que, apesar do insuficiente cuidado e pouca atenção que lhe têm sido dedicadas, ainda constitui um importante refúgio para diversas espécies de aves aquáticas.

O Paul das Caniceiras fica a cerca de 2 km a leste da Urbanização do Infantado, na Várzea de Loures, já na Freguesia de Santo Antão do Tojal. http://www.panoramio.com/photo/8360263

São vários os problemas que afectam e põem em risco este habitat, desde logo as contaminações por escorrências provenientes de terrenos agrícolas e das estradas situadas nas proximidades, as descargas pontuais de fossas, a sobre extracção de água para irrigação de áreas agricultadas…mas também a falta de reconhecimento do seu valor ambiental.

Perante as ameaças que esta zona húmida enfrenta, é realmente urgente e prioritária a adopção de medidas concretas com vista à conservação deste ecossistema, designadamente o cumprimento da legislação e das disposições regulamentares aplicáveis, o desenvolvimento de um plano de ordenamento e de gestão, a realização de intervenções de recuperação, que contemplem um usufruto regulado e sustentável por parte de visitantes, a par da divulgação, sensibilização e educação ambientais.

É portanto com grande esperança e expectativa que a ADAL acompanhará os desenvolvimentos, em Loures, das acções previstas no âmbito do Projecto Naturba (aprovado em Junho de 2009 e com conclusão em Novembro de 2011), o qual reconhece e prevê a valorização da singularidade paisagística e biológica desta zona húmida, no contexto da Várzea de Loures.

http://www.cm-loures.pt/doc/projectos/naturba/naturba.pdf

Se esta pequena zona húmida resistir às ameaças a que tem estado sujeita, poderá continuar a cumprir a sua.

Se bem gerida, poderá igualmente ser usufruída e valorizada enquanto importante ponto de observação de aves, e de desenvolvimento de actividades educativas e de lazer, na Natureza.

Não podemos perder esta oportunidade!

Neste Dia Mundial das Zonas Húmidas, a ADAL compromete-se a manter este assunto em agenda e apela a todos os munícipes para que se mantenham igualmente vigilantes.