NOTA DE CONCLUSÕES | Cimeira pelo Património de Santo Antão do Tojal

As entidades participantes na Cimeira pelo Património de Santo Antão do Tojal, realizada em 17 de Abril de 2026 no Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, considerando os desafios comuns identificados ao longo do debate acordam nas seguintes conclusões:

  1. Verificou-se uma participação empenhada de todas as entidades com responsabilidades ou relação com o património de Santo Antão do Tojal;
  2. Ocorreu um reconhecimento da valia muito relevante do património material e imaterial de Santo Antão do Tojal;
  3. É vontade comum às partes aprofundar estudos, proteger e valorizar o conjunto patrimonial de Santo Antão do Tojal e cada um dos seus elementos;
  4. Constatou-se que os utilizadores do património construído têm projectos concretos para o seu bom uso e desenvolvimento de actividades que vivificam os elementos patrimoniais e a comunidade;
  5. Existe uma perspectiva partilhada de que a Zona Especial de Protecção (ZEP) precisa ser revista e alargada para incluir o património actualmente não considerado;
  6. As partes afirmam a sua disposição em prosseguir contactos activos que possam conduzir a medidas e projectos concretos de salvaguarda e valorização do património de Santo Antão do Tojal.

Reutilização das Águas Residuais | Água+, um recurso valioso que se impõe aproveitar

Águas do Tejo Atlântico informaram sobre produção e aproveitamento actuais

Num contexto de crescente escassez hídrica, a ADAL considera indispensável e muito urgente uma estratégia consistente para uma gestão eficiente da água. No caso do Concelho de Loures há duas infraestruturas – as Fábricas de Água de Beirolas e de Frielas – que produzem diariamente água reciclada, designada como água+, que pode gerar benefícios reais significativos e ainda com enorme potencial por explorar.

A principal mais-valia desta água+ é ambiental e social: cada litro produzido poupa um litro de água potável que, de outra forma, teria usos em circunstâncias que não exigem especial grau de pureza.

Essa poupança em água potável pode ser redirecionada para o consumo humano direto, beneficiando indiretamente as populações de Loures. Ou seja, ao regar parques e jardins, ao lavar contentores de resíduos sólidos urbanas ou arruamentos ou ao arrefecer equipamentos com água reciclada, preserva-se a água de qualidade para as necessidades humanas.

Se olharmos para o conjunto das duas infraestruturas e aos dados recentemente disponibilizados à ADAL pelas Águas do Tejo Atlântico respeitantes a 2025, percebemos que o potencial ainda está muito longe de totalmente aproveitado.

Toda a água+ actualmente produzida daria, se aplicada a usos urbanos não potáveis – rega de jardins públicos, lavagem de ruas, limpeza de viaturas de serviço público, descargas em edifícios municipais – para suprir uma parte substancial das necessidades secundárias de uma cidade de média dimensão. Isso libertaria a água potável para o que realmente importa: o consumo direto das pessoas.

Os benefícios ambientais são evidentes: menor captação de água em aquíferos e albufeiras, redução da energia e dos produtos químicos necessários ao tratamento de água para usos menos exigentes, e um benefício económico colectivo.

Apesar de uma limitação clara que é o facto da água+ ainda não ter qualquer projecto ou perspectiva para chegar às habitações particulares para usos como autoclismos ou lavagem de viaturas, o impacto imediato da utilização para fins não nobres na esfera pública pode ser rápido e muito relevante.

A evolução desta solução depende sobretudo de vontade política e do respectivo investimento em redes duais (água potável e água+). Com uma aposta consistente, estas fábricas poderiam servir um universo muito maior de habitantes. Numa região densamente povoada como a Grande Lisboa, substituir entre um quarto e um terço do consumo de água potável em usos não nobres pela água+ representaria um salto qualitativo gigantesco na sustentabilidade hídrica.

Em suma, as fábricas de água de Beirolas e Frielas são hoje infraestruturas estratégicas para a resiliência hídrica da nossa região. Apesar do ainda muito baixo uso actual se concentrar na rega de poucos espaços verdes públicos e num cliente industrial, o potencial de poupança de água potável é muito significativo.

Para maximizar o benefício directo para a população, seria recomendável expandir a rede de distribuição de água+ para usos urbanos – limpeza de ruas, rega de jardins de bairro, climatização de edifícios públicos – o que traria eficiência mais substancial e valorizada.

Afinal, poupar água potável onde esta não é essencial será a forma mais inteligente de garantir que ela nunca falte onde é indispensável. A ADAL espera que os partidos políticos e os eleitos locais promovam as diligências necessárias, através de políticas sérias para a evolução robusta da reutilização de águas residuais.

SAUDAÇÃO | Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Na véspera do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que este ano decorre sob o tema “Património Vivo: Resposta de Emergência em contextos de Conflitos e Desastres”, a ADAL junta-se a esta reflexão global, a partir da nossa realidade local.

O “Património”, todos o partilhamos, por certo, não se esgota nos edifícios e construções. O Património que comum e colectivo habita as memórias, os saberes, os rituais e as relações que as comunidades tecem com o seu lugar.

Em Santo Antão do Tojal, esse património — que vai do riquíssimo conjunto edificado às práticas agrícolas e à memória coletiva — enfrenta ameaças que, embora nem sempre assumam a forma de conflitos armados ou catástrofes súbitas, não deixam de constituir emergências silenciosas: a pressão urbanística, a degradação, o esquecimento e a perda de transmissão geracional.

Por isso, aqui fazemos questão de saudar o enfoque do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2026, que nos recorda que a resposta de emergência ao património exige antecipação, preparação e o envolvimento das comunidades. Proteger o património cultural em situação de risco é também fortalecer a resiliência de quem nele vive, de quem dele depende e a quem ele é próximo.

O encontro que hoje aqui realizamos é um acto dessa resposta. Ao reunirmos agentes locais e decisores, procuramos construir um compromisso partilhado: o de que o património de Santo Antão do Tojal não será encarado como um mero recurso passivo, mas como um bem vivo, dinâmico indispensável à identidade e ao futuro da nossa terra.

Esperamos que esta Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal faça jus ao interesse, à necessidade e à visão estratégica que o nosso Património deve merecer a todo o tempo. Que daqui saia a cooperação, o entendimento e o esforço partilhado que um “Património Vivo” e ávido de ser vivido consiga estimular em nome das gerações de ontem e, sobretudo, das gerações de amanhã.

A nossa Saudação ao Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
A nossa Saudação aos participantes na Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal.
A nossa Saudação ao Património e aos nossos concidadãos.

ADAL Promove Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal: Juntar Esforços para Preservar a História

No âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a ADAL reúne amanhã os principais intervenientes institucionais para debater a salvaguarda e valorização do valiosíssimo património desta freguesia histórica e do Concelho de Loures.

Realiza-se amanhã, dia 17 de Abril, na véspera do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal. Esta iniciativa, impulsionada pela ADAL, surge como um momento chave para a análise e planeamento de uma estratégia em torno de um dos conjuntos patrimoniais mais relevantes do país.

Objetivos Claros para o Futuro

A Cimeira nasce da necessidade de congregar vontades, competências, responsabilidades e usos a respeito do património construído. Os trabalhos estarão focados em três eixos fundamentais:

  1. Verificar o estado do património edificado e arqueológico de Santo Antão do Tojal.
  2. Lançar a cooperação entre entidades envolvidas no Património de Santo Antão do Tojal.
  3. Apontar a um plano de acção próximo.

Uma Mesa de Intervenientes Representativa

Sentar-se-ão à mesma mesa as entidades com poder de decisão e os agentes locais, garantindo uma visão abrangente sobre os desafios existentes. A Cimeira contará com a presença confirmada de representantes de:

  • Casa de São Francisco de Assis;
  • Câmara Municipal de Loures;
  • CCCP – Centro de Convívio e Cultura Popular.
  • CCDRLVT – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo;
  • Junta de Freguesia de Santo Antão e São Julião do Tojal;
  • Paróquia de Santo Antão do Tojal;
  • Património Cultural, I.P.

O Compromisso da ADAL

Com a organização deste encontro, a ADAL reafirma o seu papel como agente mobilizador da sociedade civil e das instituições, apelando à concertação de vontades e capacidades, pelo bem comum. Santo Antão do Tojal, com o seu monumental conjunto barroco (Palácio dos Arcebispos, Igreja Matriz, Fonte Monumental e Aqueduto), exige uma atenção coordenada que ultrapasse a mera conservação pontual, visando uma valorização integrada e orgânica.

Acompanhe as conclusões desta cimeira em www.adaloures.pt e nas nossas redes sociais.

Pelo Património, por Loures.