Reutilização das Águas Residuais | Água+, um recurso valioso que se impõe aproveitar

Águas do Tejo Atlântico informaram sobre produção e aproveitamento actuais

Num contexto de crescente escassez hídrica, a ADAL considera indispensável e muito urgente uma estratégia consistente para uma gestão eficiente da água. No caso do Concelho de Loures há duas infraestruturas – as Fábricas de Água de Beirolas e de Frielas – que produzem diariamente água reciclada, designada como água+, que pode gerar benefícios reais significativos e ainda com enorme potencial por explorar.

A principal mais-valia desta água+ é ambiental e social: cada litro produzido poupa um litro de água potável que, de outra forma, teria usos em circunstâncias que não exigem especial grau de pureza.

Essa poupança em água potável pode ser redirecionada para o consumo humano direto, beneficiando indiretamente as populações de Loures. Ou seja, ao regar parques e jardins, ao lavar contentores de resíduos sólidos urbanas ou arruamentos ou ao arrefecer equipamentos com água reciclada, preserva-se a água de qualidade para as necessidades humanas.

Se olharmos para o conjunto das duas infraestruturas e aos dados recentemente disponibilizados à ADAL pelas Águas do Tejo Atlântico respeitantes a 2025, percebemos que o potencial ainda está muito longe de totalmente aproveitado.

Toda a água+ actualmente produzida daria, se aplicada a usos urbanos não potáveis – rega de jardins públicos, lavagem de ruas, limpeza de viaturas de serviço público, descargas em edifícios municipais – para suprir uma parte substancial das necessidades secundárias de uma cidade de média dimensão. Isso libertaria a água potável para o que realmente importa: o consumo direto das pessoas.

Os benefícios ambientais são evidentes: menor captação de água em aquíferos e albufeiras, redução da energia e dos produtos químicos necessários ao tratamento de água para usos menos exigentes, e um benefício económico colectivo.

Apesar de uma limitação clara que é o facto da água+ ainda não ter qualquer projecto ou perspectiva para chegar às habitações particulares para usos como autoclismos ou lavagem de viaturas, o impacto imediato da utilização para fins não nobres na esfera pública pode ser rápido e muito relevante.

A evolução desta solução depende sobretudo de vontade política e do respectivo investimento em redes duais (água potável e água+). Com uma aposta consistente, estas fábricas poderiam servir um universo muito maior de habitantes. Numa região densamente povoada como a Grande Lisboa, substituir entre um quarto e um terço do consumo de água potável em usos não nobres pela água+ representaria um salto qualitativo gigantesco na sustentabilidade hídrica.

Em suma, as fábricas de água de Beirolas e Frielas são hoje infraestruturas estratégicas para a resiliência hídrica da nossa região. Apesar do ainda muito baixo uso actual se concentrar na rega de poucos espaços verdes públicos e num cliente industrial, o potencial de poupança de água potável é muito significativo.

Para maximizar o benefício directo para a população, seria recomendável expandir a rede de distribuição de água+ para usos urbanos – limpeza de ruas, rega de jardins de bairro, climatização de edifícios públicos – o que traria eficiência mais substancial e valorizada.

Afinal, poupar água potável onde esta não é essencial será a forma mais inteligente de garantir que ela nunca falte onde é indispensável. A ADAL espera que os partidos políticos e os eleitos locais promovam as diligências necessárias, através de políticas sérias para a evolução robusta da reutilização de águas residuais.

ADAL reúne com Águas do Tejo Atlântico (AdTA)

A pedido da ADAL junto da Águas do Tejo Atlântico, fomos recebidos no passado dia 5 de Dezembro, por Marcos Batista e Jorge Gomes, na Fábrica da Água de Beirolas, para esclarecimentos sobre a utilização de águas residuais tratadas.

Tomámos conhecimento da capacidade de volume diário nas três linhas de produção existentes, bem como dos destinos dados às águas tratadas, quer para fornecimento externo, quer para consumo interno. Lamentavelmente, a capacidade instalada não está a ser rentabilizada como seria desejável, nomeadamente pelo município de Loures, seja pelas autarquias, seja pelo tecido empresarial, situação que urge alterar no âmbito do uso de tão importante recurso, cujos princípios defendemos intransigentemente: Reduzir (o consumo), Reciclar (a água usada) e Reutilizar.

Tivemos ainda oportunidade para trocar impressões sobre o projecto Sollagua, que visa promover o desenvolvimento de uma economia circular baseada na reutilização das águas residuais locais, através de soluções baseadas na natureza (SBN), para a reutilização da água em áreas rurais (Espanha, Portugal e França).

Não deixámos de abordar as eventuais possibilidades de abranger o Paul das Caniceiras num projecto que possa não só criar melhores condições de subsistência do ecossistema que lhe está associado, mas também providencie água para usos diversos na actividade agrícola e pecuária.

Igualmente referenciamos a Boga de Boca Arqueada de Lisboa, espécie em risco que vive no Paul, para eventual abordagem no quadro do projeto Peixes Nativos, lançado em novembro de 2017 e desenvolvido em parceria entre o ISPA – Instituto Universitário e a Águas do Tejo Atlântico.

Recursos hídricos em Loures | O SILÊNCIO DOS RESPONSÁVEIS – Posição Pública

No final de 2021 a ADAL tornou pública a sua causa LRS Águas Mil, realçando a importância da bacia hidrográfica do rio Trancão, sub-bacia do rio Tejo, e apontando a urgência das medidas de protecção das águas superficiais interiores, de transição, costeiras e subterrâneas.No início deste ano solicitámos informações à Agência Portuguesa do Ambiente/APA, aos Serviços Intermunicipais de Águas e Resíduos de Loures e Odivelas/SIMAR e à Câmara Municipal de Loures, sobre diversos aspectos relacionados com a gestão das águas superficiais e subterrâneas e da água em meio urbano.

Até à data apenas a Câmara Municipal de Loures, através do seu Departamento do Ambiente, nos enviou os esclarecimentos solicitados (estando em falta apenas uma informação, a fornecer pelo Departamento de Gestão Urbanística – áreas, por freguesia, que receberam licenciamento municipal para impermeabilização do solo, desde a entrada em vigor do actual PDM).

A informação solicitada à APA e aos SIMAR é essencial para um melhor conhecimento da situação no nosso território. Contudo, passados seis meses, ainda não foi disponibilizada.

INFORMAÇÃO SOLICITADA À APA:

– Actual qualidade da água do rio Trancão, em especial em Sacavém/foz do rio.

– Através de que meios e com que periodicidade é verificada a qualidade das águas da bacia hidrográfica do concelho de Loures.

– Total de captações de água subterrânea autorizadas no concelho de Loures nos últimos dois anos; quantas dessas autorizações são de regularização de explorações antigas e quantas são novas explorações.

INFORMAÇÃO SOLICITADA AOS SIMAR:

– Quantidade de água das ETAR do Concelho a ser aproveitada para usos não nobres (por função).

– Iniciativas em curso para redução de perdas de água na rede de distribuição de água potável. Investimento afecto a esse objectivo e qual a evolução das perdas de água na rede nos últimos 8 anos.

– Rumo tarifário que os SIMAR pensam adoptar para induzir a redução do consumo e, sobretudo, do desperdício de água potável.

A Lei das Organizações Não Governamentais de Ambiente, Lei 35/98, de 18 de julho, estabelece claramente os direitos de Acesso à Informação (Art.º 5º) e à participação (Art.º 6º). Tais princípios constituem, no nosso entender, os pressupostos para cumprirmos com o nosso dever de colaborar na promoção da protecção e valorização do ambiente.

Tendo em conta o tempo decorrido, o silêncio destas entidades só pode conduzir-nos a duas conclusões: por um lado, a possibilidade, que não queremos equacionar por demasiado preocupante, do “trabalho de casa” não estar a ser feito por quem compete fazê-lo; por outro lado, uma desconcertante falta de respeito pela Lei e pelas relações institucionais que se desejam próximas e transparentes.

Lê-se no site da APA: “As ONGA desempenham um papel fundamental e relevante no domínio da promoção, proteção, sensibilização e valorização do ambiente, desenvolvendo uma ação de interesse público.” (https://apambiente.pt/index.php/apa/organizacoes-nao-governamentais-de-ambiente)

O que a ADAL espera da APA e dos SIMAR é o cumprimento da Lei e o respeito básico pelo direito à Informação e à Participação, numa relação construtiva, pelo interesse público!

PROTEGER A ÁGUA, DENUNCIAR MAUS TRATOS

Um dos maiores desafios dos nossos dias é proporcionar o acesso democrático e justo à água potável e proceder à sua gestão sustentável, social, económica e ambiental.

Nenhum agente institucional, empresa, família ou individuo se pode furtar a este desígnio elementar!

A gestão da ÁGUA, um recurso natural cada vez mais escasso, exige de todos nós a maior atenção e as melhores práticas. Cada um de nós tem que ser um agente activo na sua gestão!

Exortamos todos os munícipes a serem vigilantes activos dos recursos hídricos, denunciando qualquer irregularidade junto das entidades competentes, ou através do nosso Eco-Alerta (adaloures@gmail.com).

  • Oposição às lavagens não essenciais de arruamentos com a proibição de uso de água potável e incremento de reutilização de águas tratadas de ETAR’s;
  • Exigir redução substancial das perdas na rede pública de distribuição, através da recuperação das redes de abastecimento e da sua constante monitorização com meios tecnológicos adequados;
  • Denunciar usos indevidos de água potável pública para lavagem de viaturas na via pública, e abastecimentos irregulares, nomeadamente as actividades agro-pecuárias e empresas do sector secundário e terciário;
  • Exigir a promoção de zonas verdes com espécies autóctones e de baixo consumo de água;
  • Pugnar por um sistema de tarifas penalizador de consumos excessivos quer no domínio doméstico, quer no domínio dos consumidores empresariais
  • Instalar e/ou propor a implementação de sistemas de poupança e reaproveitamento das águas usadas, bem como sistemas de captação, armazenamento e uso ulterior da água da chuva;
  • Denunciar descargas ilegais nas linhas de água e exigir penalizações substanciais aos prevaricadores

Não deixe para amanhã, aja hoje!