ADAL apresenta problemas ambientais de Loures em Acção de Formação para Professores

A Ordem dos Biólogos e a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) organizaram um curso no âmbito do projecto “Aprende, Conhece, Participa: uma abordagem local à educação para a cidadania ambiental”.

A Acção de Formação destinada a Professores do 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário ocorrida neste mês de novembro proporcionou a oportunidade para a ADAL expor, no passado dia 4, a sua interpretação da evolução do território de Loures e da denominada Cintura Industrial de Lisboa, as suas transformações, as vantagens e os novos problemas daí decorrentes.

Tempo para salientar a riqueza e as dificuldades associadas à extensa rede hidrográfica que percorre o Concelho, a noção comparativa com o restante arco ribeirinho da desqualificada Frente Ribeirinha do Tejo em Loures e perspectivas de qualificação.

Mereceram também destaque, a Várzea de Loures com as suas potencialidades e contrariedades, dando-se destaque à urgência da Classificação do Paul das Caniceiras, as vantagens e inconvenientes das Áreas Urbanas de Génese Ilegal, a problemática do Aeroporto, dos Transportes Públicos e da Mobilidade, com saliência para a necessidade do metropolitano chegar em breve a Loures e Sacavém.

Referenciada a tentação urbanística e enorme pressão sobre as autarquias para autorizar mais construção na zona Norte do Concelho e a perda de vocação agrícola e insuficiente dinâmica florestal daquela riquíssima área de Loures.

Garça-real – Vida Selvagem nas margens do rio Trancão, João Lopes, 2013 | 1ª  Mostra de Fotografia ADAL “Retrato Ambiental de Loures”

GLIFOSATO: A opinião de uma leitora

Na sequência da divulgação da nossa Posição Pública “GLIFOSATO NÃO. POR ALTERNATIVAS AMBIENTAIS E NACIONAIS”, aqui , recebemos uma opinião de Eugénia Carvalho que, com a devida autorização, partilhamos:

“É com gosto que recebo as vossas informações regularmente. Mas este tomo a liberdade de comentar.

Sou Técnica Agrícola e neste momento não existe alternativas viáveis e de custo reduzido para os herbicidas. Como em quase todas as áreas existe falta de controlo e pouca informação.

O glifosato por causa da nossa pouca formação em geral, foi muito mal aplicado e sei de muitos casos onde foi aplicado 20, 30 vezes mais que a dose prevista para a infestante (e dose máxima é de 10l/ha). A prática tem sido ignorar as boas práticas e normas técnicas sobre o uso da substancia activa, ou a venda sem informação adequada.

Um herbicida biológico custa 80€ cada 100 m2 (insustentável).

As infestantes dificultam muito o crescimento de maçãs, peras, couves, tornando dificil a produção economicamente sustentável. A produção integrada preve a não mobilização de solos para muitas culturas, mas isso só é possível com herbicidas, senão não conseguimos ter fruta é mesmo de todo impossível, entre pragas e doenças sem controlo é complicadíssimo.

Nos jardins é igual, nos relvados não é possível controlar ervas daninhas sem herbicidas.

As alternativas que vierem têm se alvo de boa testagem, informação e formação.”

GLIFOSATO NÃO. POR ALTERNATIVAS AMBIENTAIS E NACIONAIS.

Os herbicidas à base de glifosato têm grande utilização em todo o mundo e também em Portugal.

Têm sido publicados diversos estudos que apontam para efeitos nefastos dos herbicidas à base de glifosato, com impactos na saúde, mesmo quando usados em doses muito baixas, designadamente malformações congénitas, alteração da progressão da puberdade pela redução da produção de testosterona e outros problemas que derivam de um efeito desregulador endócrino, efeitos carcinogénicos ou tóxicos em vários tipos de células humanas.

A maioria dos estudos não decorreu de trabalho de campo, mas de interpretações feitas sobre estudos existentes e, como em muitas outras situações, temos a análise científica produzida pela Academia (Universidades) e aquela que ocorre em processos regulatórios (Agências de Regulação; em Portugal, competência da Direcção Geral de Alimentação e Veterinária). Consoante se queira ter ou não em consideração a componente económica, assim os resultados poderão ser mais ou menos condenatórios do agrotóxico.

Os produtos com base no glifosato são usados desde 1974, principalmente na agricultura e aí se centra, provavelmente, o seu maior potencial de risco, atentos os estudos mais credíveis. Admite-se que os riscos e efeitos em espaço urbano sejam de menor nível, embora a lei sobre o uso de pesticidas em Portugal (Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril, que transpõe a Diretiva 2009/128/CE), contemple a aplicação destes produtos em espaço urbano apenas como último recurso.

Assim, a ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures defende:

1. A proibição do uso de produtos com glifosato na agricultura;

2. A progressiva redução da utilização dos produtos integrando a substância, nos espaços públicos, devendo ser conjugada uma estratégia de intervenção, em que se articulem:

a. O uso mínimo indispensável de herbicidas, seja qual for a sua natureza;

b. A utilização progressiva de equipamentos mecânicos eléctricos para a erradicação de infestantes indesejáveis;

c. O fomento da tolerância e convivência públicas com um nível aceitável de infestantes nas áreas urbanas;

d. O estímulo ao envolvimento comunitário dos cidadãos, em que cada individuo e cada condomínio cuida da área que lhe pertence ou em que se insere e das correspondentes envolventes;

3. Que as autoridades nacionais incumbam os recursos técnicos e científicos públicos (as Universidades, bem como a Direcção Geral de Alimentação e Veterinária) de, em articulação com a indústria especializada, desenvolver alternativas capazes de vir a substituir – com protecção do ambiente e da saúde humana e animal – os produtos com base no glifosato, quer no que concerne à eficácia, quer no que respeita ao preço, aspectos fundamentais para a aceitação e utilização futura de uma substância diferente e o mais ecológica possível.

O conglomerado internacional Monsanto tem um peso e influência substancial nos governos, seja o americano, seja os dos países subjugados ou da sua órbita ideológica, designadamente os países europeus e latino-americanos. É tempo para que Portugal assuma e dignifique a sua soberania neste domínio, sugerindo-se o trabalho conjunto das instituições nacionais com as dos países da CPLP, para mais rápidos e eficazes resultados.

Pela nossa saúde, pela saúde dos solos e da água, pela biodiversidade!