Discussão pública da proposta de delimitação da Unidade de Execução da Quinta da Massaroca – Parecer da ADAL

No passado dia 27 de Dezembro, a ADAL remeteu ao Município de Loures parecer no âmbito da discussão pública da proposta de delimitação da Unidade de Execução da Quinta da Massaroca, com um conjunto de observações e sugestões que passamos a apresentar publicamente:

Nota prévia
A hierarquia do sistema urbano do RPDM atribui a esta Quinta, o Nível I – perímetros urbanos de maior centralidade e importância no sistema urbano do concelho de Loures.
As coordenadas geográficas da Quinta da Massaroca obrigam a ter planos de urbanização e de pormenor, para cumprir os objectivos e parâmetros urbanísticos.
Todos os procedimentos e salvaguardas legais visam contribuir naquela área geográfica do concelho, para alguns objectivos do PDM de Loures, concretamente, a salvaguarda da estrutura ecológica municipal, a reabilitação de construções com valor patrimonial na Quinta e ainda a requalificação da rede viária local.
A Quinta da Massaroca, desde o século XVII propriedade de famílias ilustres, até aos últimos proprietários, é detentora de assinalável História.
Para os habitantes locais, todo este percurso histórico, ambiental e patrimonial, torna-a um exemplar de forte significado e Memória.

Aproximação
Impõe-se, no processo em análise:
 Adopção da visão, modelo e critérios do PDM Loures para a zona a construir
 Assegurar a integração da área verde, de cedência obrigatória, na Estrutura Ecológica Municipal
 Garantir o máximo de usufruto possível pela população, atendendo ao contexto de densidade de ocupação do território, habitação e actividades económicas de toda a zona envolvente, bem como os valores patrimoniais ali plasmados
 Definir e orientar as necessidades de equipamentos colectivos que servirão a população a instalar, designadamente, equipamentos educativos, equipamentos de saúde e outros de necessidade básica de bem estar social e cultural
 Acautelar a inevitável sobrecarga viária da EN10 com entradas e saídas da via amigáveis, mas sobretudo, pugnando por viabilizar deslocações por meios de transporte alternativos ao transporte individual
 Garantir a ligação entre as duas áreas que constituem a Quinta, sem atravessamentos superficiais de ruptura na EN 10
 Garantir, absolutamente, o acompanhamento técnico, ambiental, patrimonial e arqueológico das intervenções a terem lugar na Quinta, incluindo intervenção da denominada arqueologia vertical nas Torres
 Atender aos indícios arqueológicos já registados na Carta Arqueológica do Concelho de Loures, para a movimentação dos solos

Outras considerações
Do ponto de vista ambiental e do ordenamento do território:
 Será indispensável considerar e cuidar das linhas de água que atravessem ou confinem com a área da Quinta;
 Qualificar a área verde de cedência;
 Determinar o transplante das oliveiras a remover, para outras áreas da Quinta que não dispõem da espécie;
 Indispensável fixar antecipadamente o número de fogos a construir para boa determinação do número de pessoas a impactar na freguesia, na área e no Município;
 Perspectivar a articulação da área da Quinta com o Passeio Ribeirinho do Tejo, previsto nascer sobre o sapal entre Santa Iria de Azóia e o Rio Trancão;

Do ponto de vista patrimonial:
Está-se perante um conjunto muito completo e importante de testemunhos históricos e de arte que importa salvaguardar e, posteriormente valorizar:
 a contemplação do rio Tejo e da sua lezíria;
 o tanque, que se constitui como espelho de água completa um conjunto de outros elementos que lhe concedem uma interessante função estética;
 azulejos de finais do século XVIII inícios do século XIX pavimento antigo formado por lajes de pedra de grandes dimensões a capela da Quinta na torre nascente, onde restam ainda vestígios dos nichos que assinalam o lugar dos altares;
 o que poderá ter sido símbolo da Ordem de Cristo, (muitos dos proprietários da Quinta, foram comendadores desta ordem) está visível numa pedra esculpida que se encontra no exterior;
 o corpo residencial perpendicular à casa das 2 torres, datará do século XVIII o picadeiro e o edifício adjacente a sul definem a forma e o ambiente nobre do pátio;
 reabilitação da Casa da Quinta, recuperação do Solar e das Cavalariças, proporcionando a investigação adequada;

Conclusões
Em conclusão, a ADAL entende que:
O território do Concelho de Loures e, em particular a sua zona oriental, foi durante muitas décadas vítima de usos e ocupações que o desvalorizaram e desqualificaram.
No século XXI, exige agora que todas as decisões a respeito da sua ocupação sejam informadas, ponderadas e participadas, obedecendo a uma visão de desenvolvimento que aposte não em mero crescimento, mas em desenvolvimento humano, nos termos definidos pelas Nações Unidas.
Os termos em que a Câmara Municipal de Loures definir a reabilitação e reutilização da Quinta da Massaroca será referência para visão que os munícipes e empreendedores adoptarão para o nosso território.

Dia Internacional dos Museus O PODER DOS MUSEUS PASSA POR AQUI…

É comum neste dia, 18 de Maio, as entidades museológicas – museus nacionais, museus de autarquias, museus de empresas e museus de outras diferentes tutelas e mesmo tipologias – abrirem as suas portas às colecções, às exposições e por vezes às suas reservas.

Neste dia comemorativo, a Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL) volta a sua atenção para os “Centros de Documentação em Museus” um serviço e uma componente muitas vezes desconsiderados. Nalguns casos as suas instalações dentro do museu são mesmo consideradas sem utilidade, conduzindo por vezes a outras utilizações, nada consentâneas com as suas funções.

Uma leitura breve da bibliografia da especialidade refere que esta área museológica foi uma prioridade da museologia setecentista, evoluindo de forma consistente nos séculos seguintes, até aos dias de hoje.

Num importante momento de debate museológico e patrimonial em Outubro de 1998, no «9º Encontro Nacional – Museologia e Autarquias» que decorreu no Museu Municipal–Quinta do Conventinho, foi pedra angular o reconhecimento do «importante papel dos Centros de Documentação na salvaguarda, conservação, valorização e divulgação do património documental, o Município de Loures tem assumido o papel de dinamizador e promotor de reflexão em torno desta temática.»

De tal forma foi fundamental esta reflexão ocorrida há um quarto de século, que o Museu de Cerâmica de Sacavém tomou a iniciativa de criar espaços de intervenção e debate em Encontros Nacionais de Centros de Documentação em Museus. E já aconteceram quatro: 2004, 2012, 2014 e 2017, que registam a presença de muitos dos mais importantes museus portugueses.

Com a abordagem das múltiplas pistas teóricas decorrentes destes Encontros, os museus municipais do nosso concelho têm levado à prática os ensinamentos obtidos, cumprindo desta forma o seu importante papel de organizar, catalogar e inventariar todo o acervo documental que possuem, oferecendo-nos muitas possibilidades de trabalho nos seus três centros de documentação:
• Centro de Documentação Anselmo Braamcamp Freire, no Museu da Quinta do Conventinho, Loures
• Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso, no Museu de Cerâmica de Sacavém
• Centro de Documentação Camilo Alves, no Museu do Vinho e da Vinha, Bucelas

Aqui podemos consultar arquivos fotográficos, espólios pessoais, imagens do passado e do presente, documentação singular do património etnográfico e industrial do concelho e ainda múltipla bibliografia. Toda esta oferta permite, através da leitura presencial, realizar trabalhos académicos, fazer investigação aprofundada e consequentemente conhecer melhor a história, os costumes e as memórias de Loures.

A criação de “pontes” entre os centros de documentação e os munícipes/leitores é axial para que a Memória de Loures seja salvaguardada, valorizada e difundida.

Por estes motivos, a ADAL no Dia Internacional dos Museus, sugere que façamos dos Centros de Documentação dos Museus de Loures, lugares de utilização frequente.

A nossa presença aí, enriquecerá o seu potencial informativo e reforçará o nosso capital de conhecimento!

Dia Internacional dos Museus 2020

O Dia Internacional dos Museus foi comemorado pela primeira vez há 40 anos, numa celebração que tem vindo a observar uma crescente adesão de Museus em todo o mundo.

Neste ano o mote das celebrações é “Museus para a Igualdade: Diversidade e Inclusão”, chamando a atenção para o seu papel no esforço de intercâmbio cultural, enriquecimento de culturas e desenvolvimento de entendimento mútuo, a cooperação e a paz.

Nos dias que correm, em que tantas desigualdades e injustiças se observam, de forma agravada, no mundo e no nosso país, estes espaços de preservação, valorização e divulgação das memórias colectivas não podem estar alheios às realidades sociais, promovendo o conhecimento e a compreensão das razões históricas, políticas e sociais que as contextualizam, tanto no passado como na actualidade.

Esta função e responsabilidade impõe-se particularmente aos Museus Municipais, pela relação de proximidade relativamente à comunidade em que se inserem.

Neste Dia Internacional dos Museus 2020, a ADAL saúda o importante papel social e cultural dos Museus, em geral e dos Museus Municipais, em particular, assinalando o esforço que estes últimos têm vindo a fazer para os desígnios da inclusão e do respeito pela diversidade cultural.

Aproveitamos igualmente para assinalar que, relativamente a preocupações/sugestões no quadro da pandemia causada pelo COVID-19, um dos aspectos que a ADAL referiu numa comunicação enviada à Assembleia Municipal no passado mês de Abril, foi a necessidade de se proceder à identificação e adopção de medidas que permitam a reabertura e funcionamento, logo que possível e de acordo com as recomendações das autoridades de saúde, dos equipamentos culturais municipais, designadamente os museus municipais e sítios patrimoniais de referência em condições de segurança para todos.

Foi, por isso, com satisfação que tomámos conhecimento da reabertura dos Museus Municipais neste dia 18 de Maio, acompanhando a decisão que, a nível nacional, retoma a importante função destes espaços públicos no plano da Cultura e do Conhecimento.

Perspectivando o desconfinamento, mas atendendo sempre às regras em vigor para prevenção e mitigação dos riscos de contágio, relembramos os museus e núcleos museológicos de Loures, para uma futura visita:

  • Museu de Cerâmica de Sacavém
  • Museu do Vinho e da Vinha  – Bucelas
  • Museu Municipal de Loures – Quinta do Conventinho
  • Núcleo Museológico Casa-Museu José Pedro – Sacavém
  • Núcleo Museológico da Igreja Matriz de Bucelas
  • Núcleo Museológico Luís Serra (Grupo Musical e Recreativo da Bemposta)
  • Núcleo Museológico Mário Roberto (Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Bucelas)
  • Centro de Interpretação das Linhas de Torres – Bucelas
  • Sitio Arqueológico de Frielas

ADAL PREPARA LANÇAMENTO DE UMA PETIÇÃO | CONVENTO DE NOSSA SENHORA DOS MÁRTIRES E DA CONCEIÇÃO DOS MILAGRES, DE SACAVÉM

O Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos Milagres, de Sacavém por indicação de Miguel de Moura, escrivão de D. Sebastião, foi construído no século XVI, sobre ruínas de um outro templo edificado no século XII, em pleno reinado de D. Afonso Henriques.

Do seu património, em permanente risco de completa destruição e furto, salientamos azulejos dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Os efeitos danosos causados pelas centenas de anos de vida deste exemplar do nosso património, aliados aos danos provocados pelo abandono a que esteve sujeito, conduziram-no a um estado de destruição que a ADAL por diversas vezes tem vindo a denunciar, quer através de Posições Públicas, quer no âmbito do Positivo e Negativo do Ano, como sucedeu este ano.

Porque corre o sério risco de ficar completamente destruído, consideramos que se justifica a dinamização de um movimento de opinião da população do Concelho de Loures e da cidade de Sacavém, em particular, para a salvaguarda e valorização do Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos Milagres.

Esta é a finalidade da petição que a ADAL tenciona divulgar proximamente, e que será enviada à Senhora Ministra da Cultura, para que o Estado desenvolva todas as providências necessárias e ao seu alcance, para a classificação patrimonial do Convento.