A ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures dá continuidade à sua política de descentralização e proximidade com associados e populações.
A próxima reunião dos órgãos sociais será aberta a todos os sócios, amigos e residentes, com um foco muito especial nas dinâmicas e preocupações locais.
📅 Data: 23 de Junho, às 21h00
📍 Local: Sede do Grupo dos Amigos do Zambujal (instalada na Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Zambujal)
🗺️ Morada: Rua Maria Eugénia Reis, nº 9, Zambujal
O projecto de reuniões dos Órgãos Sociais descentralizadas tem como principal objetivo aprofundar o conhecimento do território e das suas gentes, ouvir os associados e amigos e compreender as suas expectativas.
Queremos conhecer de perto os problemas ambientais e de salvaguarda do património que mais afetam a localidade do Zambujal e a União de Freguesias de São Julião do Tojal e Santo Antão do Tojal.
O ambiente e a qualidade de vida do nosso concelho constroem-se em conjunto. Traga as suas dúvidas, denúncias, sugestões e preocupações. A sua participação é fundamental!
Contamos consigo. Partilhe esta iniciativa e junte-se a nós no dia 23!
Foi com choque que ouvimos recentemente um natural de outra região, que nos visitou, a dizer: “O concelho de Loures parece-me ser a Capital Nacional dos Rent-a-Car, não?…”
Olhando melhor e reflectindo sobre a observação, de facto, julgamos mesmo que ao Concelho de Loures pode já ser concedida à categoria de Capital Nacional dos Rent-a-Car. Esqueça-se Lisboa, Porto ou Faro. O verdadeiro coração da indústria automóvel de aluguer estaciona já em Loures.
É bem provável que nunca, em território nacional, se tenha visto uma tão enorme concentração de viaturas, formando intermináveis polígonos, ocupando hectares e hectares de solo. Cada terreno vago é uma oportunidade de ocupação. Cada espaço que pertenceu a nabiças e couves é um futuro parque de estacionamento. Cada nesga de terra tem o privilégio de servir de extensão informal de um stand. Deve ser já um recorde invejável, observando-se bem.
O que nos traz a um aspecto central para o qual é preciso alertar. Esta actividadenrepresenta:
Um baixíssimo valor acrescentado. Não se gera “riqueza” a partir do nada: carros que chegam, carros que ficam, carros que partem — mas, sobretudo, carros que estorvam e turvam a vista em todas as direcções. Uma reduzida empregabilidade, onde dois ou três funcionários por parque, normalmente são mais que suficientes para gerir umas centenas de viaturas.
O esgotamento dos solos disponíveis. E a sua massiva impermeabilização. Antes permeáveis, dão agora lugar a camadas de todo o tipo de compactações e impermeabilizações, aspirando a betão e alcatrão, como cerejas em cima do bolo. A impermeabilização avança a passos largos, numa coreografia perfeita com as cheias que hão de vir.
Elevados riscos. Ter centenas, senão milhares, de veículos com depósitos cheios de combustível ou baterias eléctricas expostas aos elementos, amontoados como sardinhas em lata, em plenas zonas urbanas, periurbanas e industriais, onde bem se sabe o que aconteceu antes…
Ruína paisagística, como um espetáculo para os sentidos. Onde antes havia um vale, um olival ou uma simples vista desafogada, agora temos um horizonte pontuado por carcaças auto e vidros fumados. Todos os munícipes de Loures se sentem comprazidos, certamente!
Um irónico impulso à desordem. Representada pela ilegalidade na ocupação do território. Parques inteiros sem licença, a brotar como cogumelos, em lugares que deviam ser destinados a promover uma vida melhor para todos. Actividades de inovação, desenvolvimento, empresariais de valor acrescentado, habitação acessível, parques de lazer e bem-estar, equipamentos colectivos em falta.
Uma estranha actividade de contemplação anémica. Parece que os responsáveis políticos se dedicaram a esdrúxulo exercício onde se vê, mas não se repara, onde não se autoriza mas se consente, onde se faz de conta que se ganha, mas se aprofundam as perdas.
Loures é um caso de estudo em como transformar um concelho num parque de estacionamento gigante com manchas de território habitado.
Um desastre em marcha lenta, com volante na mão direita (ou esquerda, conforme o rent-a-car).
Quando se ganhar colectivamente consciência deste fogo que arde sem se ver (reparar), estarão inventados os extintores para labaredas do inferno ?
Na freguesia de Bucelas, junto à aldeia pitoresca do Freixial, existe uma quinta, entre outras, que nos remete para uma história, cujos indícios arqueológicos, nos faz viajar até à Baixa Idade Média, mais concretamente até ao século XIV.
Hoje, entre pinheiros mansos, e com 50 hectares, este pedaço de terra integrou os 170 hectares que perfaziam a antiga Quinta da Torre, entretanto fraccionada em três partes: a de Baixo, a do Meio e a de Cima. Na sua paisagem natural são mais de 25 os tipos de árvores, e possui a fauna regular que nos apresenta javalis, coelhos bravos, raposa, muitas aves diversas, e muitos mais outros animais.
A história da propriedade desta parcela de céu na terra, funde-se com a biografia das antigas Caves Velhas de Camilo Alves, da Central de Cervejas, e da ENOPORT WINES. E foi a convite do seu atual proprietários, Nuno Santos, em nome da EW, que fui integrado num trio de representantes da Confraria do Ari to de Bucelas. Entre diversas entidades, coube-nos testemunhar esta nova etapa deste terreno, que dá origem ao Projeto ‘Quinta de Cima’, promovido pelo consórcio entre ENOPORT WINES, Enovalor e Quinta da Torre.
Trata-se de uma proposta de criação na área do enoturismo, dedicada a reunir três ativos em Bucelas relevantes e distintos entre si: a Quinta da Torre, como espaço privilegiado para alojamento e realização de eventos de diversos âmbitos; a Quinta do Boição, na sua dimensão produtiva de vinho; e finalmente, as antigas Caves Velhas (1881), como espaço de formação na área da cultura do vinho e da vinha.
Em toda esta riqueza patrimonial, a Casa Medieval da Torre de Cima, assume-se como a jóia por excelência, dada a sua especificidade enquanto elemento histórico único. A apresentação da casa esteve a cargo da pessoa que mais a estudou, desde a década de 90, a Arqueóloga Florbela Estêvão, técnica do Município de Loures, e que nos mostrou um pouco do que poderá ser depois mais aprofundado e melhor compreendido da história do lugar. A casa assume-se ainda com marcas evidentes do seu período inicial de construção, do século XIV, como um raro edifício de habitação medieval, de carácter senhorial, apresentando técnicas e desenho posteriores, relevantes para a compreensão do desenvolvimento daquele lugar.
O projeto envolverá este exemplar de arquitetura medieval nacional, já classificado, e deixa antever um investimento muito importante e muito pertinente para a freguesia de Bucelas. Está tudo em desenvolvimento, mas a apresentação serviu de pontapé de saída para confirmar a sua concretização a partir de agora.
(Os artigos de Opinião aqui publicados são da responsabilidade dos seus autores e podem não reflectir as posições da ADAL).
Neste Dia Mundial do Ambiente, a ADAL enviou a diversas entidades os Certificados correspondentes ao que foi considerado Positivo e Negativo em 2025 nos domínios do Ambiente e do Património, escolhas resultantes da votação que teve lugar na Assembleia Geral da nossa Associação no dia 18 de Março deste ano.
As entidades ‘galardoadas’ foram:
Câmara Municipal de Loures, com um certificado Positivo (Ambiente) e três Negativos (Ambiente e Património)
Grupo de Amigos do Zambujal, com um certificado Positivo (Património)CCDR-LVT, com dois Negativos (Ambiente e Património)
Agência Portuguesa de Ambiente, com um certificado Negativo (Ambiente)
Ministério da Cultura, com um Negativo (Património)
Patriarcado de Lisboa, com um Negativo (Património)
Património Cultural IP, com um Negativo (Património)
Nas comunicações associadas ao Negativo-Património“Estado de decadência do conjunto patrimonial barroco de Santo Antão do Tojal” a ADAL não deixou de realçar, contudo, as diligências entretanto iniciadas com a realização da Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal, tendo em vista a definição de um plano articulado para a defesa daquele Património classificado.
Confira abaixo o quadro do Positivo e Negativo de 2025:
2025
POSITIVO
NEGATIVO
AMBIENTE
Deliberação Municipal sobre início do processo de classificação do Paul das Caniceiras (CM Loures)
Forte incremento da Impermeabilização dos solos com o crescimento de áreas urbanizadas (CM Loures)
Confirmação da ilegalidade dos Parques de Contentores da Apelação e de Bucelas, sem actuação das autoridades competentes (CM Loures, CCDR-LVT, APA)
2025
POSITIVO
NEGATIVO
PATRIMÓNIO
Publicação Olhares sobre o Zambujal, de Alfredo Torres, organizado pelo Grupo de Amigos do Zambujal (Grupo de Amigos do Zambujal)
Estado de decadência do conjunto patrimonial barroco de Santo Antão do Tojal (Min. da Cultura, Património Cultural IP, CCDR-LVT, CM Loures, Patriarcado de Lisboa)
Demolições nos terrenos do Quartel de Sacavém, sem acompanhamento arqueológico (CM Loures)