Câmara de Loures confirma que parque automóvel junto ao Trancão é ilegal !

Todos o vemos e ali se tem mantido e crescido ferozmente um cada vez maior parque automóvel na margem esquerda do Trancão do lado da Bobadela e frente à Rua Miguel Bombarda de Sacavém.

Há muitos meses que a ADAL vem alertando a Agência Portuguesa do Ambiente e a Câmara Municipal de Loures para este completo desrespeito pela lei, pela protecção das linhas de água e pela imagem do Concelho de Loures, comportando riscos de incêndio, promovendo a impermeabilização dos solos e a potencial contaminação por hidrocarbonetos.

O Município, confirma agora que: “(…) estamos perante uma ocupação ilegal ou seja uma ilegalidade urbanística”.

É convicção da ADAL que o que está em causa não é apenas uma ilegalidade urbanística, mas também que se está perante:

  1. Violação do PDM.
  2. Ocupação ilegal do domínio público hídrico.
  3. Destruição de faixa ripícola.
  4. Risco de poluição das águas e dos solos.
  5. Risco de incêndio.

Exige-se assim que a Câmara Municipal de Loures, a APA e as autoridades policiais competentes actuem com urgência para a reposição da legalidade e a recondução dos terrenos ilegalmente ocupados à sua renaturalização.

Rio Trancão, assoreamento é perigoso?

A ADAL dirigiu-se já às várias entidades com responsabilidades diversas, quer na gestão do Rio Trancão, quer na assunção do combate a consequências por problemas originados na importante linha de água.

A Agência Portuguesa do Ambiente, a Administração do Porto de Lisboa, a Câmara Municipal de Loures, a Junta de Freguesia de Sacavém e os Grupos Políticos na Assembleia de Freguesia de Sacavém foram alertados para os riscos acrescidos de cheias na zona baixa de Sacavém, dada a redução visível do leito.

Portanto, seria do maior interesse colectivo que a Câmara Municipal de Loures e a Junta de Freguesia de Sacavém diligenciassem junto das autoridades competentes para que sejam tomadas, em tempo, as medidas adequadas para evitar problemas no próximo inverno caso seja propício a chuvas intensas e a cheias.

Responsavelmente, a ADAL alertou quem precisava ser alertado. 

ADAL alerta para o assoreamento do Rio Trancão: Um problema de todos, com respostas fragmentadas

A Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL) continua atenta e preocupada com o assoreamento do Rio Trancão, um problema que afeta o ecossistema local e a comunidade ribeirinha. A ADAL tem vindo a desenvolver um conjunto de diligências junto das entidades competentes, mas lamenta a burocracia e a falta de uma resposta concertada para esta questão ambiental.

Uma cronologia de diligências e obstáculos

A preocupação da ADAL com o Trancão remonta a 31 de julho de 2024, quando a associação oficiou o Presidente da Junta de Freguesia de Sacavém para alertar sobre o problema. A resposta da Câmara Municipal de Loures, em 12 de agosto de 2024, encaminhou o assunto para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Não demorou para que a APA, em 19 de agosto de 2024, indicasse que a responsabilidade seria da Administração do Porto de Lisboa (APL). A 5 de setembro de 2024, a Câmara Municipal de Loures (CMLRS) informou a ADAL que a APA havia efetivamente encaminhado o assunto para a APL, confirmando a “passagem de bola”.

Perante esta situação, a ADAL oficiou diretamente a APL em 23 de setembro de 2024, reforçando o pedido de resposta em 31 de outubro de 2024. A persistência na ausência de uma resposta concreta levou a ADAL a apresentar uma queixa à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) em 2 de dezembro de 2024.

Em 11 de dezembro de 2024, a APL finalmente respondeu, solicitando à ADAL a georreferenciação da área para confirmar a sua jurisdição – um pedido prontamente satisfeito pela associação em 13 de dezembro de 2024, com a indicação gráfica da zona abrangida.


A resposta da APL: Não é um problema

Apesar de todas as diligências, a falta de uma resposta conclusiva levou a ADAL a solicitar novamente a intervenção da CADA em 7 de janeiro de 2025. A APL, em 13 de janeiro de 2025, informou a CADA que responderia à ADAL “em breve”. A resposta final da APL chegou em 5 de fevereiro de 2025, com um conteúdo que desvaloriza a situação:

  • A APL afirmou que parte da área indicada não é da sua responsabilidade.
  • A sua competência, segundo a APL, limita-se à navegabilidade do rio.
  • Surpreendentemente, a APL considera que o assoreamento atual não é problema.
  • Por fim, indicou que apenas irá manter-se atenta a algum problema que surja.

Intervenção ambiental prossegue

A ADAL considera que esta resposta não aborda devidamente a problemática do assoreamento e as suas potenciais consequências na zona baixa de Sacavém, por isso levou o assunto até à esfera política. Em 9 de fevereiro de 2025, a Associação deu conhecimento aos partidos políticos democráticos representados na Assembleia de Freguesia de Sacavém do ofício inicialmente remetido ao senhor Presidente da Junta de Freguesia, que ficou sem resposta. Em 14 de fevereiro de 2025, a CDU informou que iria questionar o executivo em próxima sessão da Assembleia de Freguesia, garantindo que o tema será debatido publicamente.

A ADAL reitera a sua profunda preocupação com o assoreamento do Rio Trancão, acreditando que a minimização do problema e a fragmentação de responsabilidades são inconvenientes e não apenas adiam as ações necessárias, como introduzem factores de risco desnecessários e, por isso, inaceitáveis.

Continuaremos a advertir todas as entidades para que assumam as suas responsabilidades e trabalhem em conjunto para a proteção do Rio Trancão e na redução do risco resultante de cheias que Sacavém bem conhece..

Acompanhe as próximas atualizações no nosso site. Se o entender, junte a sua voz à nossa e remeta-nos uma mensagem que faremos chegar às entidades competentes!

LRS águas mil | Esclarecimentos das entidades públicas

No final de 2021 a ADAL tornou pública a sua causa LRS Águas Mil, onde realça a importância da bacia hidrográfica do rio Trancão, sub-bacia do rio Tejo, apontando a urgência das medidas de protecção das águas superficiais interiores, de transição, costeiras e subterrâneas (ver AQUI).

No início deste ano solicitámos informações a três entidades – Agência Portuguesa do Ambiente – APA, Serviços Intermunicipais de Águas e Resíduos de Loures e Odivelas SIMAR e Câmara Municipal de Loures – sobre diversos aspectos relacionados com a gestão das águas superficiais e subterrâneas e da água em meio urbano (ver AQUI).

Até à data apenas a Câmara Municipal de Loures, através do o Departamento do Ambiente, nos enviou os esclarecimentos solicitados (estando em falta uma informação a prestar pelo Departamento de Planeamento e Gestão urbanística).

Consideramos importante partilhar, em síntese, os esclarecimentos recebidos:

  1. PERGUNTAS DIRIGIDAS À CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES
    P: Dispositivos regulamentares, de fiscalização e vigilância para impedir a utilização indevida e o desperdício de água potável.
    R: Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água; Equipas de Fiscalização em actividade diária; Equipamento de videoscópio (meio de prova de existência de utilizações indevidas).
    P: Instrumentos urbanísticos para reduzir e obstar à utilização de água potável para regas intensivas em zonas urbanizadas e para reformular os ajardinamentos, substituindo plantas de elevado consumo por plantas de baixo consumo de água.
    R: Plano Estratégico de Gestão Diferenciada e Sustentável dos Espaços Verdes; Novo conceito de projectos para os novos espaços verdes, que se aplica também na reformulação dos existentes (apresentam exemplos de medidas); Realização campanhas de informação e sensibilização para a poupança da água na rega dos espaços verdes.
    P: Medidas para que os promotores de edificações integrem nos seus projectos o reaproveitamento das águas das chuvas para usos correntes (autoclismos, lavagens de escadas e logradouros, outros usos secundários).
    R: Em curso a elaboração do Plano Municipal de Sustentabilidade Hídrica (SEE H2O), com 3 eixos (sensibilização /eficiência /economia circular), e medidas sobretudo ao nível do consumidor doméstico e da construção do edificado.

P: Projectos em implementação para o aproveitamento, armazenagem e uso de águas pluviais, em sistemas públicos (desde parques e jardins até instalações municipais, bem como espaços públicos), viabilizando regas, lavagens e outros usos, sem recurso à água destinada ao consumo humano.
R: No Plano acima referido, o terceiro eixo é dedicado a esta problemática e inclui medidas para o aproveitamento e reutilização de águas residuais tratadas e o recurso a outras origens alternativas (águas pluviais ou outras), para usos compatíveis; Participação no Plano Estratégico de Reutilização de Água Residual, desenvolvido pela Águas do Tejo Atlântico. Três exemplos práticos: Uso, nos sistemas de refrigeração, de água tratada pela ETAR de Frielas (IKEA); Eficiência hídrica do sistema de rega e da alimentação do espelho de água no Parque Adão Barata, utilizando-se uma fonte de água alternativa e sistema de rega eficiente (projecto PAB_LivingLab); Depósito para armazenamento de água de furo existente nos Viveiros da Quinta do Conventinho, que é utilizada para rega, nos Viveiros (18.300m2) e nos espaços verdes da Quinta (5.500 m2).
P: Desenvolvimento de galerias ripícolas nos projectos de intervenção na rede hidrográfica e locais de intervenção.
R: – Plano Estratégico de Reabilitação de Linhas de Água (PERLA), no respeito pela Directiva Quadro da Água e Lei da Água. – É efectuada a caracterização e avaliação de cada linha de água, definindo-se o respectivo plano de intervenção com metodologias para a recuperação das galerias ripícolas. Exemplos: Rio trancão – troço Bucelas/Bemposta (Valorio) e troço Freixial; Rio Pinheiro de Loures – troço Á-dos-Cãos; Ribeira casal da Serra – troço Junqueira; Vala do Campo de Jogos, Vala do Palácio Marqueses da Praia e Vala do Areeiro, no Parque Adão Barata; Ribeira de Lousa – Troço Ponte de Lousa.
Em curso (Março de 2022), renaturalização simplificada: Rio Pequeno – troço Bemposta; Ribeira do Boição – troço de afluência do Rio Trancão; Ribeira das Romeiras – troço Melo. Outras intervenções específicas em curso (Março de 2022): Ribeira das Romeiras – troços Rãs, Cerejais e Cerda de Vila de Rei; Ribeira das Pipas – troços Cerejais e Castoiro. Prevista entrada em obra do projecto de execução “Controlo sustentável de Cheias na Ribeira da Póvoa e Rio de Loures”.
P: Áreas (em m2), por freguesia, que receberam licenciamento municipal para impermeabilização do solo, desde a entrada em vigor do actual PDM.
R: Não respondido (Informação solicitada pelo Departamento de Ambiente ao Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística).

  1. PERGUNTAS DIRIGIDAS AOS SIMAR DE LOURES E ODIVELAS
    – AINDA NÃO RESPONDIDAS
    P: Quantidade de água das ETAR do Concelho a ser aproveitada para usos não nobres ( por função).
    P: Iniciativas em curso para redução de perdas de água na rede de distribuição de água potável. Investimento afecto a esse objectivo e qual a evolução das perdas de água na rede nos últimos 8 anos.

P: Rumo tarifário que os SIMAR pensam adoptar para induzir a redução do consumo e, sobretudo, do desperdício de água potável.

  1. PERGUNTAS DIRIGIDAS À APA
    – AINDA NÃO RESPONDIDAS
    P: Actual qualidade da água do rio Trancão, em especial em Sacavém – foz do rio.
    P: Através de que meios e com que periodicidade é verificada a qualidade das águas da bacia hidrográfica do concelho de Loures.
    P: Total de captações de água subterrânea autorizadas no concelho de Loures nos últimos dois anos; quantas dessas autorizações são de regularização de explorações antigas e quantas são novas explorações.