Posição Pública | DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS … EM LOURES, COM UM MUSEU ENCAIXOTADO

Em Julho de 2000 inaugurou-se, no local da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, um museu que celebrava a história da fábrica, dos seus trabalhadores em particular, mas, em geral, também a dos muitos trabalhadores fabris de toda a faixa industrial que, no século 20, constituía uma das principais fontes da dinâmica económica, social e política do concelho e do país.

Ao longo da sua vida, este museu enalteceu o Trabalho e manteve uma interessante actividade de investigação, preservação e divulgação do património, granjeando a confiança de muitos doadores e coleccionadores, chegando muitos destes a depositar ali, total ou parcialmente, as suas coleções.

Em 16 de Outubro de 2024 a Câmara Municipal de Loures informava, no seu site, que o Museu de Cerâmica de Sacavém se encontrava temporariamente encerrado ao público, para obras de manutenção. O Museu foi encaixotado e todos ficámos na expectativa da sua reabertura com melhoradas condições de trabalho, acolhimento de colecções, visitação e investigação no seu bem apetrechado Centro de Documentação.

Passados quase dois anos deste anúncio, nada aconteceu, para além da crescente degradação do equipamento e dos respectivos espaços exteriores, continuando a Rede de Museus Municipais amputada e empobrecida, desconhecendo-se quando ocorrerá a obra e a reabertura deste espaço cultural.

Era obrigação da Câmara Municipal de Loures ter acautelado que o museu tivesse sido alvo da necessária intervenção nos prazos previstos; ninguém esperava outra coisa de um município que se diz No Centro. A cultura local, os públicos, os estudantes e investigadores, os doadores e os depositantes mereciam-no!

Neste Dia Internacional dos Museus não podemos deixar de sinalizar a situação degradante de um equipamento público com missão e responsabilidade específicas, exortando a autarquia para que concretize rapidamente a recuperação e a reabertura do Museu de Cerâmica de Sacavém, peça fundamental da Rede de Museus Municipais de Loures, da Área Metropolitana de Lisboa, único no país.

Pelo Património Cultural, respeitando a Memória e as novas gerações!

SAUDAÇÃO | Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Na véspera do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que este ano decorre sob o tema “Património Vivo: Resposta de Emergência em contextos de Conflitos e Desastres”, a ADAL junta-se a esta reflexão global, a partir da nossa realidade local.

O “Património”, todos o partilhamos, por certo, não se esgota nos edifícios e construções. O Património que comum e colectivo habita as memórias, os saberes, os rituais e as relações que as comunidades tecem com o seu lugar.

Em Santo Antão do Tojal, esse património — que vai do riquíssimo conjunto edificado às práticas agrícolas e à memória coletiva — enfrenta ameaças que, embora nem sempre assumam a forma de conflitos armados ou catástrofes súbitas, não deixam de constituir emergências silenciosas: a pressão urbanística, a degradação, o esquecimento e a perda de transmissão geracional.

Por isso, aqui fazemos questão de saudar o enfoque do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2026, que nos recorda que a resposta de emergência ao património exige antecipação, preparação e o envolvimento das comunidades. Proteger o património cultural em situação de risco é também fortalecer a resiliência de quem nele vive, de quem dele depende e a quem ele é próximo.

O encontro que hoje aqui realizamos é um acto dessa resposta. Ao reunirmos agentes locais e decisores, procuramos construir um compromisso partilhado: o de que o património de Santo Antão do Tojal não será encarado como um mero recurso passivo, mas como um bem vivo, dinâmico indispensável à identidade e ao futuro da nossa terra.

Esperamos que esta Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal faça jus ao interesse, à necessidade e à visão estratégica que o nosso Património deve merecer a todo o tempo. Que daqui saia a cooperação, o entendimento e o esforço partilhado que um “Património Vivo” e ávido de ser vivido consiga estimular em nome das gerações de ontem e, sobretudo, das gerações de amanhã.

A nossa Saudação ao Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
A nossa Saudação aos participantes na Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal.
A nossa Saudação ao Património e aos nossos concidadãos.

DIA MUNDIAL DAS ZONAS HÚMIDAS Zonas húmidas e conhecimento tradicional: celebrar a herança cultural. Que notícias podemos esperar?

O tema do Dia Mundial das Zonas Húmidas, este ano, é Zonas húmidas e conhecimento tradicional: celebrar a herança cultural, o que remete para as relações naturais entre as zonas húmidas e as práticas culturais das comunidades. No assinalar desta data, o ICNF destaca que “zonas húmidas saudáveis são essenciais para o nosso bem-estar universal e para a nossa sobrevivência a longo prazo”.

E em Loures? Qual a boa notícia com que poderemos contar?

Foi no longínquo ano de 2002 que os Órgãos Municipais de Loures aprovaram resoluções no sentido de integrar o Paul das Caniceiras na Reserva Ecológica Nacional. Desde então, muito tempo se passou com muito escassas diligências, sendo a lentidão do processo incompatível com a efectiva defesa deste recurso natural do maior interesse ecológico na área metropolitana de Lisboa.

POSIÇÃO PÚBLICA

Em 2025 assinalámos com muita satisfação a aprovação pela Câmara Municipal, da “Proposta de Classificação da Reserva Natural Local – Início do procedimento – Fixação do prazo para a constituição de interessados e a apresentação de contributos – A respectiva publicitação visando a elaboração do Projecto de Regulamento da Reserva Natural Local do Paul das Caniceiras”, Projecto que esteve em Consulta pública até 5 de Setembro daquele ano (parecer da ADAL em https://adaloures.pt/pareceres/parecer-sobre-o-regulamento-da-reserva-natural-local-do-paul-das-caniceiras/).

A ADAL tem pugnado pela adopção de medidas que possam mobilizar a comunidade para uma participação activa e impulsionar a concretização da classificação e os instrumentos necessários a uma boa gestão do Paúl.

Estranhamente, esta disponibilidade da ADAL não mereceu acolhimento, mas, não podendo participar de forma mais directa e próxima, não desistiremos de o fazer por todas as vias que estiverem ao seu alcance, porque acreditamos que a participação dos cidadãos é um direito e um dever essencial para o desenvolvimento de políticas mais eficazes e justas e porque é urgente evitar a destruição daquele património natural único, que se pretende definir como Área Protegida de Âmbito Local.

Já no início de Janeiro deste ano, a ADAL solicitou à Câmara Municipal de Loures cópia do Relatório de Ponderação da Consulta Pública, disponibilizando-se mais uma vez para trabalhar com a autarquia no projecto de Reserva Natural.

De um modo geral, mantemos como motivo de grande preocupação toda a rede hidrográfica do Concelho de Loures, bem como a frente ribeirinha do Tejo, face aos intensos apetites urbanísticos e especulativos e à intensificação da impermeabilização do território, com os riscos inerentes, suficientemente conhecidos de todos, particularmente conhecidos pelas entidades que gerem o território.

Neste novo ano, o Paul das Caniceiras será finalmente uma Área Protegida?

ADAL denuncia destruição irreversível de património em Sacavém: demolições no Antigo Quartel foram feitas sem acompanhamento arqueológico

A Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL) apresentou denúncia ao Ministério Público sobre o processo de urbanização do antigo Quartel de Sacavém.

O cerne da denúncia:
• Demolições Ilegítimas: Todos os edifícios anexos ao Convento (antigo quartel) foram integralmente demolidos.
• Ausência de acompanhamento arqueológico: As demolições foram realizadas sem qualquer registo ou acompanhamento arqueológico, violando a Lei de Bases do Património Cultural.
• Destruição irreversível: O entulho foi triturado no local, impossibilitando a análise e recuperação de quaisquer vestígios históricos, o que configura a perda irreparável de património.

A ADAL considera que a demolição prévia e o nível de destruição configuram uma tentativa de subtrair o projeto à devida avaliação de impacte arqueológico e ambiental.

Pedido de Ação
A associação exige a abertura de um inquérito para apurar as responsabilidades e a prática de crimes contra o património cultural, solicitando a audição dos envolvidos e a requisição de toda a documentação do processo à Câmara Municipal de Loures.

A ADAL apela à celeridade do Ministério Público para defender a legalidade e a memória coletiva.