ADAL denuncia retrocesso na requalificação da Frente Ribeirinha do Tejo no Concelho de Loures NÃO MAIS CONTENTORES

Foi recentemente publicamente conhecido que a IP – Infraestruturas de Portugal concessionou de novo o parque sul do Complexo Ferroviário da Bobadela, em contra-ciclo com o curso de conversão e requalificação da Frente Ribeirinha do Tejo em Loures.

A insensata decisão e o seu despropósito são não apenas surpreendentes, como susceptíveis de configurar grave penalização para o Estado português e os contribuintes, quando é sabido que as Câmaras Municipais de Loures e Lisboa e o Governo português pretendem acolher naquele espaço as Jornadas Mundiais da Juventude a realizar em 2022.

Ao realizar uma concessão por cinco anos com possibilidades de renovação por mais dois anos, a IP-Infraestruturas de Portugal, está a criar condições para que o operador privado de contentores venha a receber uma importante indemnização, caso venha a ser removida a sua concessão para a implantação das infraestruturas das Jornadas Mundiais da Juventude.

Esta decisão inqualificável, pelos prejuízos, atrasos e condicionamentos que provoca à requalificação da Frente Ribeirinha, ao ambiente da zona oriental de Loures e à qualidade de vida das populações, é merecedora do mais veemente protesto e exige uma actuação imediata, firme e inequívoca do Governo, que tutela a IP – Infraestruturas de Portugal.

A ADAL- Associação de Defesa do Ambiente de Loures vem, há anos, tornando públicas as suas preocupações com a situação de pressão desqualificadora na Frente Ribeirinha do Tejo em Loures e rejeita liminarmente que no preciso momento em que se vão reunindo condições objectivas para encetar o ordenamento, qualificação e usufruto do espaço, haja quem, à revelia da vontade política das autoridades locais e centrais, actue como um estado dentro do Estado, ignorando todos os sinais públicos, todas as justas aspirações manifestas, todos os objectivos de  desenvolvimento sustentável.

O que se exige para a Frente Ribeirinha do Tejo em Loures, é:

  1. Erradicar os problemas da desqualificação territorial, ambiental e económica e acção mitigadora dos impactos das actuais actividades, impedindo ali novas actividades inadequadas e impróprias de um espaço de elevada nobreza e valor ambiental;
  2. A elaboração urgente de um Plano de Ordenamento para a Frente Ribeirinha do Tejo, como instrumento de gestão sustentável do território e alavanca de protecção ambiental e de desenvolvimento económico equilibrado;
  3. Reunir sob os mesmos propósitos, o governo, as autarquias, as empresas e os cidadãos em ordem à valorização da frente Tejo nas suas diferentes dimensões, das económicas às lúdicas, das ambientais às turísticas.

NÃO MAIS CONTENTORES.
LOURES TAMBÉM TEM TEJO !

PELA MOBILIDADE E O AMBIENTE Aproveitar o potencial do novo Passe Único

A ADAL considera que a problemática dos transportes é uma questão central para a mobilidade, a vida dos que moram, trabalham e estudam no concelho de Loures, com impactos decisivos na Economia, Ambiente e bem estar das populações.

Saudamos por isso a medida do novo Passe Social Único que aumenta o rendimento disponível de muitas famílias, reduz o uso da viatura individual e, logo, a emissão de gases com efeito de estufa, melhora a circulação automóvel, e facilita o acesso dos cidadãos ao trabalho, recreio, convívio e cultura.

Em Loures, onde é evidente a adesão ao Passe Único, a utilização do transporte colectivo decorrente do novo Passe pode ter ainda um aumento considerável se forem resolvidas as insuficiências e estrangulamentos da actual rede de transportes do concelho, e se melhorem alguns aspectos complementares.

Com o término dos actuais contratos de concessão de transportes públicos rodoviários na Área Metropolitana de Lisboa em 2020, abre-se uma oportunidade única de potenciar, com o Passe Único, uma rede de transportes adequada e sustentável.

Em Loures, onde o Metro apenas chega a Moscavide e o transporte ferroviário de passageiros, segundo os números disponíveis, anda à volta de 2%, é fundamental aproveitar esta oportunidade para rever e melhorar a rede de transportes rodoviários inter e intra municipais.

Assim impõe-se a revisão e actualização dos objectivos e estratégia de transportes colectivos do Concelho de Loures que assuma os seguintes aspectos centrais:
• A imperiosa necessidade de expansão do Metro a Loures-Infantado e Sacavém,
• O melhor aproveitamento da linha da Azambuja, com 4 estações no concelho: Santa Iria de Azoia, Bobadela, Sacavém e Moscavide,
• A indispensável articulação dos vectores ferrocarril com os transportes rodoviários.

Neste quadro propõe-se a elaboração dum Plano de Transporte Colectivo Rodoviário Inter e Intra Municipal para o horizonte temporal do novo contrato de concessão, que tenha em conta os objectivos traçados no PDM de Loures e as orientações contidas no URBACT- Urban Agenda for the UE, e melhorando:

• A ligação de Loures aos Concelhos vizinhos e nomeadamente à Cidade de Lisboa;
• A articulação entre os diversos meios de transporte;
• A quantidade e densificação das ligações entre as localidades do Concelho.

No que toca ao Transporte Ferroviário de passageiros na zona oriental do Concelho, com cerca de 130 mil habitantes, propõe-se a elaboração dum Estudo que, tendo em conta o potencial aberto pelo Passe Único, avalie a possibilidade dum melhor aproveitamento daquela muito pouco utilizada infraestrutura, nomeadamente através de medidas como: o aumento da frequência dos comboios, a criação de carreiras bairro para ligação das estações às áreas circundantes, estacionamento próximo das estações ferroviárias, ciclovias nos troços de acesso às estações onde o trânsito rodoviário constitua risco de segurança para os ciclistas, a melhoria da segurança e conforto dos acessos pedonais às estações.

Será indispensável que a discussão dos Planos e Medidas a adoptar conte com a participação das populações interessadas.

Para além do contributo directo para o objectivo da redução de emissões de CO2, e de outras vantagens já apontadas, o alargamento e melhoria da rede transportes colectivos do concelho e a racionalização e densificação das ligações no seu interior, são também um factor chave para o Desenvolvimento Sustentável do concelho de Loures, reduzindo a sua ainda grande dependência da cidade de Lisboa, dando-lhe uma acrescida autonomia, criando condições que propiciem a dinamização da actividade económica, e o aumento da oferta de emprego, recreio e cultura.

A ADAL, sem prejuízo do aprofundamento da reflexão que prosseguirá sobre esta matéria, desde já, pode adiantar que:

  1. Não aceitará e não se conformará com actuações demagógicas, eleitoralistas ou manobristas;
  2. Contribuirá com todos os esforços ao seu alcance para impulsionar uma estratégia sustentável para os transportes públicos e tomará a iniciativa de convidar todas as Comissões de Utentes de Transportes Públicos existentes no Concelho para uma apreciação conjunta e partilha de pontos de vista e acções.

No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Posição Publica da ADAL sobre a Escavação de Emergência em Bucelas.


“(…) A ADAL valoriza e agradece a atitude exemplar da população de Bucelas, fundamental para a criação de um ambiente que favorece o desenrolar dos trabalhos, mas também o bom acolhimento de investigadores e da comunicação social em geral.

A ADAL valoriza ainda o esforço financeiro e de informação à população que a Câmara Municipal e a própria Junta de Freguesia têm empenhado nesta importante intervenção, ao contrário do organismo de tutela, a DGPC – Direção-Geral do Património Cultural – que não tem qualquer acção de apoio a intervenções de emergência como a que está em curso. (…)”

Clique aqui para ler na integra a Posição Pública da ADAL sobre a Escavação de Emergência em Bucelas.

SIFÃO DO CANAL ALVIELA EM SACAVÉM Posição Pública


Ao abandono ?

O Sifão do Canal do Alviela que atravessa o Rio Trancão em Sacavém é, desde os anos 1880, um elemento simbólico central da Cidade.

Trata-se de uma notável obra de engenharia que desempenhou relevantíssimo papel no fornecimento de água potável a Lisboa.

A sua antiga importância funcional e o seu reconhecimento como ex-libris da Cidade de Sacavém são razões mais do que suficientes para uma adequada manutenção e valorização daquele Arco, que viabilizava o fornecimento de água do Rio Alviela à Capital.

Estamos perante um elemento patrimonial da EPAL e esta empresa tem descurado em absoluto a sua conservação. Não apenas a estrutura apresenta já um aspecto decadente, como é possível verificar fissurações superficiais e num ou noutro local, aquilo que parecem ser já perdas de água, portanto, eventuais rupturas com efeitos desconhecidos a prazo.

Assim, a ADAL torna público que, em consequência das suas preocupações, encetará diligências junto da EPAL, da APA e da Direcção Geral do Património Cultural, exigindo informação detalhada sobre o estado de conservação daquele património colectivo, bem como as diligências e investimentos pertinentes que garantam a sua preservação e a valorização do seu estatuto simbólico na Cidade de Sacavém e no Concelho de Loures.