Despejos ilegais de resíduos em todo o lado. A cidadania pode ajudar a fazer a diferença?

Os despejos ilegais de resíduos são um flagelo que vêm afectando há anos o país e, especialmente, a área metropolitana de Lisboa.

Ninguém desconhece o problema e a todos incomoda. Também vai gerando incredulidade a fraca actuação das autoridades, mesmo as especializadas em temas ambientais e as das Polícias Municipais.

Neste contexto, há momentos em que a cidadania pode desempenhar um papel inibidor da actuação anti-social dos prevaricadores e, simultaneamente, um papel pedagógico junto de toda a comunidade, ou seja, daqueles que o fazem e não deviam fazer e daqueles que vêem fazer e ignoram o que estão a ver.

Esta nota vem a propósito de uma intervenção do associado da ADAL, José Falcão, de Bucelas, que tendo surpreendido um indivíduo (imagem) a proceder a uma descarga ilegal de resíduos de construção e demolição, interveio de imediato junto do transgressor, alertando-o para o crime ambiental que estava a cometer e conseguindo que todos os resíduos voltassem a ser carregados para a caixa de carga da viatura que os transportava e a não ficarem abandonados na beira da estrada.

Destacamos esta acção individual, porque acreditamos que também o condicionamento social, enquanto processo pelo qual todos absorvemos e internalizamos as normas, valores, crenças e comportamentos, tem um papel a desempenhar.

Não significa isto que os cidadãos devam substituir-se às autoridades, mas a vigilância colectiva terá seguramente relevância e responsabilizará também, adicionalmente, as entidades públicas quanto à premência de serem tomadas as diversas medidas e acções que o fenómeno exige.

Como o caso demonstra, consideramos que os direitos e deveres de cidadania fazem sempre a diferença.

Museu da Cerâmica de Sacavém | Quando reabrirá ao público ?

A ADAL, a propósito do Dia Internacional dos Museus 2026 chamou a atenção pública para a deprimente situação em que se encontrava o Museu da Cerâmica de Sacavém.

Muitos munícipes se reconheceram na nossa denúncia e muitos se mostraram e mostram indignados com o desprezo e desqualificação a que foi votado o Museu de raiz industrial e social que comporta simbolicamente sangue, suor e lágrimas de milhares de trabalhadores, mas também o chão de onde brotaram muitas expressões associativas, muito comércio e pequenas e médias empresas, bem como a especialíssima arte de peças de cerâmica únicas umas e universais outras.

Uma primeira conquista foi alcançada: O Museu da Cerâmica foi “desencaixotado”. Desapareceram os tapumes de prometida obra e o lixo acumulado na envolvente durante 2 anos começou a ser retirado.

Resta agora a preocupação maior: Quando serão feitas as obras ?

O infernal ritmo estagnado das obras até agora verificado, será provavelmente um indício da velocidade em que a intervenção prosseguirá, pelo que a chegada do inverno e talvez da chuva, voltam a fazer perigar a infraestrutura, os interiores e o espólio.

Se nada for efectivamente feito rapidamente… pode perder-se uma importantíssima parte da nossa memória colectiva.

Projeto de Ampliação da Fapajal: ADAL alerta para prevenir

Créditos: CMLRS 2017


Data: Maio de 2026
Categoria: Intervenção Ambiental / Consulta Pública

No âmbito do processo de Licenciamento Único Ambiental (LUA) para o projeto de ampliação da FAPAJAL PAPERMAKING, SA, em S. Julião do Tojal — que prevê um acréscimo de produção de 95 toneladas/dia com uma nova máquina de papel —, a ADAL apresentou um parecer de advertência sobre aspectos relevantes do ponto de vista ambiental e social, durante a fase de Consulta Pública.

O nosso objetivo mantém-se firme: garantir que o desenvolvimento económico não atropele o bem-estar social e a proteção dos recursos escassos do Concelho de Loures. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já emitiu o Relatório de Consulta Pública e reagiu diretamente às nossas preocupações. Fique a par dos pontos essenciais e da resposta da autoridade ambiental:

Consumos de Água e Impacto Hidrológico
O que a ADAL alertou: Criticámos a total ausência de dados no Resumo Não Técnico sobre os consumos atuais e os incrementos previstos de água (vinda da rede pública, captações subterrâneas e superficiais). Recomendámos expressamente a obrigatoriedade de instalação de contadores para fiscalizar o uso destes recursos públicos.
Resposta da APA: A APA confirmou que a nossa participação está dentro do âmbito. Informou que, na sequência do pedido de elementos adicionais, foram solicitados esclarecimentos ao operador quanto aos consumos de água e rejeição de águas residuais da nova máquina, garantindo que estes aspetos serão acautelados no Título Único Ambiental (TUA) a emitir.

Prevenção de Contaminação dos Solos e Águas
O que a ADAL alertou: Denunciámos que as bacias de retenção propostas são medidas de controlo e mitigação pós-incidente, e não “medidas preventivas” reais para evitar acidentes.
Resposta da APA: A autoridade sublinha que o TUA em vigor já prevê a manutenção adequada de equipamentos, sistemas de retenção, drenagem e gestão de acidentes. Garante que estas condições serão igualmente aplicadas e estendidas à nova máquina de papel, articuladas com as Melhores Técnicas Disponíveis (MTD/BREF PP) do setor.

Emissões Gasosas (Fontes Fixas e Difusas)
O que a ADAL alertou: Exigimos clareza sobre o “enigmático” encaminhamento e confinamento das emissões difusas para uma fonte fixa.
Resposta da APA: A APA esclareceu que as medidas para emissões difusas inscritas no TUA atual serão integralmente reavaliadas face ao novo projeto de licenciamento em curso.

⚠️ O que ficou esquecido pela APA?
Lamentavelmente, a APA não aborda as preocupações relativas ao impacto do tráfego de veículos pesados (emissões de gases com efeitos de estufa e desgaste das vias municipais).
Ficaram ainda sem consideração no Relatório a recomendação de prioridade de recrutamento local (com relevância para as deslocações pendulares) e a nossa proposta de compensação ambiental (plantação de uma barreira de árvores autóctones para sequestro de carbono e melhor vizinhança).

A ADAL continuará vigilante e ativa no acompanhamento da emissão do Título Único Ambiental .

Não há Planeta B, e defender Loures é missão de todos!

👉 Consulte o Parecer integral da ADAL e o Relatório da APA nos anexos abaixo.

Créditos: CMLRS 2017

Posição Pública | DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS … EM LOURES, COM UM MUSEU ENCAIXOTADO

Em Julho de 2000 inaugurou-se, no local da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, um museu que celebrava a história da fábrica, dos seus trabalhadores em particular, mas, em geral, também a dos muitos trabalhadores fabris de toda a faixa industrial que, no século 20, constituía uma das principais fontes da dinâmica económica, social e política do concelho e do país.

Ao longo da sua vida, este museu enalteceu o Trabalho e manteve uma interessante actividade de investigação, preservação e divulgação do património, granjeando a confiança de muitos doadores e coleccionadores, chegando muitos destes a depositar ali, total ou parcialmente, as suas coleções.

Em 16 de Outubro de 2024 a Câmara Municipal de Loures informava, no seu site, que o Museu de Cerâmica de Sacavém se encontrava temporariamente encerrado ao público, para obras de manutenção. O Museu foi encaixotado e todos ficámos na expectativa da sua reabertura com melhoradas condições de trabalho, acolhimento de colecções, visitação e investigação no seu bem apetrechado Centro de Documentação.

Passados quase dois anos deste anúncio, nada aconteceu, para além da crescente degradação do equipamento e dos respectivos espaços exteriores, continuando a Rede de Museus Municipais amputada e empobrecida, desconhecendo-se quando ocorrerá a obra e a reabertura deste espaço cultural.

Era obrigação da Câmara Municipal de Loures ter acautelado que o museu tivesse sido alvo da necessária intervenção nos prazos previstos; ninguém esperava outra coisa de um município que se diz No Centro. A cultura local, os públicos, os estudantes e investigadores, os doadores e os depositantes mereciam-no!

Neste Dia Internacional dos Museus não podemos deixar de sinalizar a situação degradante de um equipamento público com missão e responsabilidade específicas, exortando a autarquia para que concretize rapidamente a recuperação e a reabertura do Museu de Cerâmica de Sacavém, peça fundamental da Rede de Museus Municipais de Loures, da Área Metropolitana de Lisboa, único no país.

Pelo Património Cultural, respeitando a Memória e as novas gerações!