Projeto de Ampliação da Fapajal: ADAL alerta para prevenir

Créditos: CMLRS 2017


Data: Maio de 2026
Categoria: Intervenção Ambiental / Consulta Pública

No âmbito do processo de Licenciamento Único Ambiental (LUA) para o projeto de ampliação da FAPAJAL PAPERMAKING, SA, em S. Julião do Tojal — que prevê um acréscimo de produção de 95 toneladas/dia com uma nova máquina de papel —, a ADAL apresentou um parecer de advertência sobre aspectos relevantes do ponto de vista ambiental e social, durante a fase de Consulta Pública.

O nosso objetivo mantém-se firme: garantir que o desenvolvimento económico não atropele o bem-estar social e a proteção dos recursos escassos do Concelho de Loures. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já emitiu o Relatório de Consulta Pública e reagiu diretamente às nossas preocupações. Fique a par dos pontos essenciais e da resposta da autoridade ambiental:

Consumos de Água e Impacto Hidrológico
O que a ADAL alertou: Criticámos a total ausência de dados no Resumo Não Técnico sobre os consumos atuais e os incrementos previstos de água (vinda da rede pública, captações subterrâneas e superficiais). Recomendámos expressamente a obrigatoriedade de instalação de contadores para fiscalizar o uso destes recursos públicos.
Resposta da APA: A APA confirmou que a nossa participação está dentro do âmbito. Informou que, na sequência do pedido de elementos adicionais, foram solicitados esclarecimentos ao operador quanto aos consumos de água e rejeição de águas residuais da nova máquina, garantindo que estes aspetos serão acautelados no Título Único Ambiental (TUA) a emitir.

Prevenção de Contaminação dos Solos e Águas
O que a ADAL alertou: Denunciámos que as bacias de retenção propostas são medidas de controlo e mitigação pós-incidente, e não “medidas preventivas” reais para evitar acidentes.
Resposta da APA: A autoridade sublinha que o TUA em vigor já prevê a manutenção adequada de equipamentos, sistemas de retenção, drenagem e gestão de acidentes. Garante que estas condições serão igualmente aplicadas e estendidas à nova máquina de papel, articuladas com as Melhores Técnicas Disponíveis (MTD/BREF PP) do setor.

Emissões Gasosas (Fontes Fixas e Difusas)
O que a ADAL alertou: Exigimos clareza sobre o “enigmático” encaminhamento e confinamento das emissões difusas para uma fonte fixa.
Resposta da APA: A APA esclareceu que as medidas para emissões difusas inscritas no TUA atual serão integralmente reavaliadas face ao novo projeto de licenciamento em curso.

⚠️ O que ficou esquecido pela APA?
Lamentavelmente, a APA não aborda as preocupações relativas ao impacto do tráfego de veículos pesados (emissões de gases com efeitos de estufa e desgaste das vias municipais).
Ficaram ainda sem consideração no Relatório a recomendação de prioridade de recrutamento local (com relevância para as deslocações pendulares) e a nossa proposta de compensação ambiental (plantação de uma barreira de árvores autóctones para sequestro de carbono e melhor vizinhança).

A ADAL continuará vigilante e ativa no acompanhamento da emissão do Título Único Ambiental .

Não há Planeta B, e defender Loures é missão de todos!

👉 Consulte o Parecer integral da ADAL e o Relatório da APA nos anexos abaixo.

Créditos: CMLRS 2017

Posição Pública | DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS … EM LOURES, COM UM MUSEU ENCAIXOTADO

Em Julho de 2000 inaugurou-se, no local da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, um museu que celebrava a história da fábrica, dos seus trabalhadores em particular, mas, em geral, também a dos muitos trabalhadores fabris de toda a faixa industrial que, no século 20, constituía uma das principais fontes da dinâmica económica, social e política do concelho e do país.

Ao longo da sua vida, este museu enalteceu o Trabalho e manteve uma interessante actividade de investigação, preservação e divulgação do património, granjeando a confiança de muitos doadores e coleccionadores, chegando muitos destes a depositar ali, total ou parcialmente, as suas coleções.

Em 16 de Outubro de 2024 a Câmara Municipal de Loures informava, no seu site, que o Museu de Cerâmica de Sacavém se encontrava temporariamente encerrado ao público, para obras de manutenção. O Museu foi encaixotado e todos ficámos na expectativa da sua reabertura com melhoradas condições de trabalho, acolhimento de colecções, visitação e investigação no seu bem apetrechado Centro de Documentação.

Passados quase dois anos deste anúncio, nada aconteceu, para além da crescente degradação do equipamento e dos respectivos espaços exteriores, continuando a Rede de Museus Municipais amputada e empobrecida, desconhecendo-se quando ocorrerá a obra e a reabertura deste espaço cultural.

Era obrigação da Câmara Municipal de Loures ter acautelado que o museu tivesse sido alvo da necessária intervenção nos prazos previstos; ninguém esperava outra coisa de um município que se diz No Centro. A cultura local, os públicos, os estudantes e investigadores, os doadores e os depositantes mereciam-no!

Neste Dia Internacional dos Museus não podemos deixar de sinalizar a situação degradante de um equipamento público com missão e responsabilidade específicas, exortando a autarquia para que concretize rapidamente a recuperação e a reabertura do Museu de Cerâmica de Sacavém, peça fundamental da Rede de Museus Municipais de Loures, da Área Metropolitana de Lisboa, único no país.

Pelo Património Cultural, respeitando a Memória e as novas gerações!

RAMO DE SAÍDA (SUL/NORTE) DA A1 NA BOBADELA | Parecer

A Câmara Municipal de Loures protocolou com a Brisa a construção de um ramo de saída (Sul/Norte) da Autoestrada do Norte no sublanço Sacavém – S. João da Talha, Freguesia da Bobadela.

A ligação de saída da A1 com a rede viária municipal faz sentido, porque faria sempre sentido que fosse completada a parte do nó já há muitos anos em funcionamento, que viabiliza o acesso na direcção Norte/Sul em Vale Figueira, S. João da Talha.

É questionável, contudo, a opção por um “nó”, descontinuo, em que entrada e saída se distanciam mais de 1000 metros em linha recta. O recurso a uma tal solução, pode indiciar, lamentavelmente, que se está perante uma gestão do território e do sistema viário problemáticos e que a gestão da rede viária é apontada à beneficiação de acessos a novas áreas de intervenção urbanística. Em todo o lado, são soluções susceptíveis de ajudar a vender casas, mas que ajudam pouco a viver melhor.

Ainda assim, a ADAL fez diligências e teve de recorrer à força das leis da República para que muitos meses depois lhe tivesse sido disponibilizado o estudo do tráfego que sustenta a opção técnica que foi protocolada e cujos custos recairão integralmente sobre os munícipes de Loures.

O acesso ao estudo veio evidenciar:

  • Que o estudo ao tráfego, para efeitos do projecto, teve lugar no ano de 2019, pelo que são já 7 os anos passados desde as contagens e análises feitas;
  • Que a expectativa então era de que a obra estivesse em funcionamento no ano de 2025, o que de modo algum se verificará;
  • Que apenas foi estimado o crescimento urbano para a Quinta dos Remédios, ignorando-se a vastidão de viabilizações urbanísticas e construtivas que têm vindo a ocorrer;
  • Que a visão política associada ao projecto vai no sentido de drenar o trânsito da A1 para a EN10, já muitíssimo sobrecarregada, transferindo-se, por este mecanismo também, os custos de manutenção da circulação viária sobre a entidade concessionária da A1 (Brisa), para a responsabilidade pública e para os munícipes de Loures, agora na rede viária municipal;
  • O recurso ao manual norte-americano HCM (High Capacity Manual) de 2010 para avaliação de níveis de serviço. Ou seja, produziu-se uma avaliação por referência a um manual com 16 anos e inspirado nos padrões de um país absolutamente diferente da nossa realidade. Note-se, apenas por um exemplo que o modelo de viatura mais vendida nos Estados Unidos da América, quer em 2010, quer em 2025 foi o Ford F-Series e, em Portugal, foram, em 2010 o Renault Mégane e em 2025, o Renault Clio. Podem ser comparáveis tais realidades ? Faz sentido usar um manual tão antigo e de uma realidade tão distinta?

Sentimos por isso a responsabilidade de sinalizar à Câmara Municipal de Loures e à população do Concelho:

  1. O completamento do nó de entrada/saída na A1 no sublanço Sacavém – S. João da Talha é justificado;
  2. O estudo de tráfego realizado está hoje completamente desactualizado e não considera o crescimento urbanístico inusitado que vem ocorrendo nos últimos 3 a 4 anos, sem quaisquer novas ofertas rodoviárias ou de transportes públicos que possam corresponder à procura emergente;
  3. O estudo de tráfego ficará ainda estrondosamente desactualizado mediante o sem número de empreendimentos habitacionais para o mercado que se vai percebendo estarem em desenvolvimento;
  4. O estudo não considera o previsível crescimento substancial de trânsito pesado na zona, tendo em consideração a promoção de novas áreas logísticas na zona oriental do Concelho e, em particular, a desproporcionada plataforma logística em nascimento na antiga COVINA;
  5. O estudo de tráfego está, assim, desactualizado e eventualmente inadequado, dados os principais referenciais de que se socorre e que aparentam estar todos fora de época e fora da realidade;
  6. A localidade da Bobadela, será “rasgada” em duas partes, talvez desnecessariamente, atravessada por um tipo de Via Interurbana de Média Capacidade, desenhada também para tráfego pesado (?), aparentemente com contornos semelhantes aquela que liga o Nó de Santa Iria de Azóia ao MARL sobre a EN 115-5;
  7. Mesmo sem os dados todos e actualizados, o próprio estudo evidencia preocupações justificadas, como acontece no 2º parágrafo da página 123 e também no 2º parágrafo da página 144 no que diz respeito à EN10;
  8. Por outro lado, o estudo presume que o tráfego utilizador do novo ramo terá como zonas preferenciais de destino a zona norte da Bobadela e sul de S. João da Talha. Poderá admitir-se serem esses os destinos preferenciais, mas toda a extensão da rede viária municipal entre Bobadela e Santa Iria de Azóia será seguramente “invadida” pela distribuição de tráfego que a nova saída proporcionará. Sem oferta de novas vias estruturantes, nem transportes públicos, as vias “capilares” da rede municipal, como já hoje, serão intensamente procuradas para se fugir a filas onde elas existam;

A ADAL considera, a propósito:

  1. Deve ser realizado um novo estudo de tráfego que integre as novas realidades presentes e esperadas do crescimento urbanístico e logístico;
  2. Que o novo estudo seja orientado para a construção de um ramo de saída da A1 no sublanço Sacavém – S. João da Talha, mas também para identificar a localização necessária de novas ofertas rodoviárias;
  3. Que as soluções viárias adoptadas para distribuição do tráfego a partir da nova saída da A1, tenha um carácter de rede capilar de dispersão e não se oriente para uma via que promove uma separação forçada da localidade e uma drenagem acrescida para a EN10;
  4. Ser necessário um estudo e plano faseado de desenvolvimento de transportes públicos que corresponda às necessidades, ao crescimento da procura e à substituição progressiva do transporte particular, pelo transporte colectivo público.

ADAL REUNIU COM A COMISSÃO DE AMBIENTE, ENERGIA E MOBILIDADE

No passado dia 14 de Maio, a ADAL reuniu com a Comissão de Ambiente, Energia e Mobilidade da Assembleia Municipal de Loures, a convite desta, para sinalização e troca de impressões a respeito de alguns dos problemas que mais se destacam nestes âmbitos, tendo sido apontados, pela ADAL, os seguintes:

1. No âmbito da gestão da água: uso não controlado dos lençóis freáticos, constatando-se a ausência de registo e adequada fiscalização de furos e poços;

2. Na gestão do território: excessos construtivos, excesso de impermeabilização, crescimento do trânsito automóvel particular;

3. Fragilidades na estratégia activa e articulada entre entidades públicas, entidades privadas e cidadãos em geral, para mitigação das alterações climáticas, realçando que, com a aprovação do Plano de Acção Climática, deverá suscitar-se um compromisso generalizado com vista à sua plena aplicação, evitando-se gerir o urbanismo e o uso do território em absoluta contradição com os princípios e objectivos definidos;

4. Em relação com o segundo aspecto assinalado, a necessidade de se definir uma estratégia municipal para os transportes públicos, sem abandonar o desenvolvimento do plano da rede ciclável e a promoção dos modos de deslocação suave.

A ADAL aproveitou ainda para referir dois temas preocupantes, designadamente:

– a aparente estagnação do processo que visa a aprovação do projeto de Regulamento Municipal da Reserva Natural Local do Paul das Caniceiras, o que põe em causa a sua classificação como Reserva Local/Regional, bem como os conflitos existentes com projectos empresariais no domínio da pecuária que ali se estão a desenvolver, que merecem o melhor acompanhamento;

– a falta de escrutínio da Valorsul, que subsumiu o seu relatório de sustentabilidade no da Mota-Engil, circunstância que anula a possibilidade de se aceder a informação pertinente, um direito da população do município de Loures.

Após algumas trocas de impressões e esclarecimentos sobre estes e outros assuntos a que a ADAL tem vindo a dar destaque no seu Site, a Comissão de Ambiente, Energia e Mobilidade comprometeu-se a analisá-los, desenvolvendo as diligências ao seu alcance, de acordo com as respectivas competências.

Por fim, a ADAL sugeriu à Comissão a realização de reuniões semestrais para se manter uma actualização da informação, sugestão que foi bem acolhida.