Sem investimento, perde-se água… e o Futuro

por Paulo Piteira

Em Portugal estima-se que se perca, diariamente, 27 a 30% da água tratada que entra nas redes de abastecimento público. O volume anual das perdas está estimado entre 184 a 190 milhões de metros cúbicos. Traduzido em linguagem comum, isto equivale a 8,7 a 12 piscinas olímpicas, por hora. Em 2023 estas perdas custaram aos municípios cerca de 190 milhões de euros.

Isto acontece não por falta de tecnologia ou de conhecimento, mas porque muitas infraestruturas têm décadas de existência e aguardam há demasiado tempo por renovação.

Durante a pandemia de COVID-19, a Organização das Nações Unidas voltou a lembrar algo que deveria ser evidente a todos os poderes: o acesso à água potável é um direito humano fundamental.

A água sustenta a saúde pública e a qualidade de vida das populações, a produção agrícola e a atividade industrial. Garantir o acesso universal a este bem essencial com qualidade e a preço justo deve ser uma prioridade para o Estado central e as autarquias.

Por essa razão, a água não pode ser tratada como uma simples mercadoria sujeita à lógica do lucro. Quando a gestão da distribuição é entregue a operadores privados, o objetivo tende a deslocar-se da satisfação das necessidades das populações para a maximização do retorno financeiro para os acionistas.

A experiência internacional mostra isso mesmo. Em muitas cidades onde os serviços de água foram privatizados registaram-se aumentos de tarifas, menor transparência na gestão e investimento insuficiente nas infraestruturas, sobretudo nas zonas menos rentáveis.

Não por acaso, mais de 180 cidades em 35 países reverteram processos de privatização ou concessão do abastecimento de água. Paris, Berlim, Bordéus ou Hamburgo devolveram a gestão deste serviço essencial ao setor público.

Também em Portugal há exemplos relevantes. Municípios como Mafra, em 2017, ou Setúbal, em 2022, recuperaram para a gestão pública direta a distribuição e venda da água, com benefício para os consumidores. Em Setúbal, por exemplo, o preço da água diminuiu cerca de 20% em 2023 após o regresso do sistema à gestão municipal.

Contudo, há um desafio estrutural que permanece e que ameaça a qualidade e racionalidade futura dos sistemas de distribuição e de que poucos falam: o envelhecimento das redes em baixa e a sua escassa substituiçãol.

Em muitos municípios tratam-se de infraestruturas com centenas de quilómetros de extensão e muitas décadas de existência, onde as perdas são muito elevadas. A renovação dessas redes exige vultuosos investimentos, impossíveis de suportar apenas com os limitados recursos financeiros das autarquias, como o Governo bem sabe.

No entanto, nem o Orçamento do Estado nem o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) reservaram verbas relevantes para esta modernização. As dotações existentes concentram-se exclusivamente nos sistemas em alta, deixando a rede em baixa sem apoios.

Na prática, isto significa que a reabilitação das infraestruturas terá de ser paga exclusivamente pelas já frágeis finanças municipais ou por aumentos significativos das tarifas aos consumidores que a justiça social desaconselha e impede.

Esta ausência de investimento origina outra consequência muito preocupante: a degradação das redes pode vir a ser usada como argumento para justificar novas concessões ou privatizações.

A questão central é simples: como financiar o investimento necessário?

Na ausência de financiamento direto pelo OGE, que não alocou verbas para este efeito, devem então buscar-se os recursos onde eles existem.

Os quatro maiores bancos a operar em Portugal — CGD, BCP, Santander e BPI — registaram em 2025 lucros agregados de cerca de 4,4 mil milhões de euros. O lançamento de um imposto extraordinário de apenas 10% sobre esses lucros permitiria arrecadar cerca de 440 milhões de euros que poderiam servir para apoiar a reabilitação das redes públicas de água.

Garantir água pública, acessível e de qualidade não é apenas uma questão de gestão. É sobretudo uma escolha política sobre o que mais importa e que  interesses devem prevalecer.

E essa escolha deve ser clara: a água tem de continuar a pertencer a todos.

Mobilizemo-nos para que tal aconteça!

(Os artigos de opinião aqui publicados são da responsabilidade exclusiva dos seus autores e a ADAL pode não se reconhecer nos pontos de vista expressos.)

ADAL em Santo Antão do Tojal: Olhar o Património para exigir a sua salvaguarda

A ADAL e Amigos estiveram hoje, 14 de Março, em Santo Antão do Tojal, para “escutar” a História de tão importante local e para registar em imagens, o notável Património Monumental que nos foi dado observar.

Sabe a ADAL que este Património é parte integrante da vida de quem ali nasceu, cresceu e vive, mas também sabe a ADAL que o estado de preservação é preocupante. E um dos nossos desígnios é esse mesmo: contribuir para que se faça uma política patrimonial e cultural que sirva as pessoas e em primeiro lugar os habitantes locais.

Nas fotografias que vos apresentamos, obtidas, como atrás dizemos, por um grupo de pessoas que muito estimam o Património, é possível observar o mau estado de conservação do Aqueduto, do Palácio-Fonte, dos painéis de azulejos na galilé da Igreja e no exterior da Casa de São Francisco de Assis. Também foi possível registar o Cruzeiro (no antigo Rossio), a antiga capela do Espírito Santo, o Passo Processional, o portal manuelino no Largo Félix Avelar Brotero e o Chafariz dos Arcos.

Esta iniciativa da ADAL insere-se no quadro de uma proposta-desafio que foi enviada a várias entidades implicadas nos Patrimónios (Património Cultural-IP; CCDRLVT, Casa de São Francisco de Assis, Patriarcado de Lisboa, Câmara Municipal de Loures e Junta de Freguesia de Santo Antão e São Julião do Tojal  para que as tutelas conversem, num Encontro/Cimeira, sobre o estado de conservação destes locais e sobre estratégias a definir para que se salvaguarde e valorize esta tão importante e axial riqueza. Para Santo Antão do Tojal, para Loures e para o País.

No final foi feito um apelo aos participantes, para que cada um escolhesse as suas melhores fotos e as enviasse para adaloures@gmail.com. Se todos concordarem, serão objecto de compilação num diaporama a exibir quando da realização da Cimeira do Património.

Agradecemos a quem abriu as portas para a visita: Casa de S. Francisco de Assis, Paróquia de Santo Antão e Centro de Convívio e Cultura Popular.

Consignação do IRS | A ADAL propõe

A ADAL convida os seus associados e amigos a apoiar o movimento associativo através da consignação do IRS.

Este ano, sugerimos que o seu contributo reverta para duas entidades particularmente afetadas pelas recentes intempéries na zona da Marinha Grande:

Associação Social, Cultural e Desportiva de Casal Galego (NIF: 501 540 563)

Sociedade de Instrução e Recreio 1.º de Maio (NIF: 501 056 467)

Como ajudar? Ao preencher a sua declaração, selecione “Instituições Particulares de Solidariedade Social” e insira o NIF de uma destas associações.

Não tem qualquer custo para si.

ADAL e Junta de Freguesia de Lousa reúnem a propósito do património natural e hídrico

A Direção da ADAL reuniu recentemente com o Presidente da Junta de Freguesia de Lousa para abordar a salvaguarda de dois marcos fundamentais da biodiversidade e geologia local da freguesia e concelho: a Estação da Biodiversidade de Fontelas e a Diáclase das Salemas.

Sensível às preocupações transmitidas pelos munícipes, a ADAL propôs a colocação de sinalização informativa na Diáclase das Salemas. Esta sugestão foi prontamente acolhida pela Junta de Freguesia, que vê nesta medida uma forma de valorizar o sítio e reforçar o combate à deposição ilegal de resíduos e ao uso indevido do espaço. No que toca a Fontelas, a Junta de Freguesia (JF) confirmou que mantém a manutenção regular do espaço, prevendo ainda a recuperação de um tanque histórico; contudo, assinalou que a gestão da Estação da Biodiversidade é da competência direta da Câmara Municipal de Loures.

A reunião revelou também haver concordância da presença de um elevado potencial para o turismo sustentável e pedagógico nas Minas de Água de Monte Gordo. Uma destas minas, que alimenta seis fontes da vila, e uma outra de água férrea, são alvos de interesse para a eventual criação de percursos didáticos. A ADAL comprometeu-se a realizar, em breve, uma visita ao local para ajudar a equacionar estratégias de valorização deste património hídrico e a partilhar o levantamento técnico do percurso “Por Terras de Lousa”, realizado pela associação em 2022.

Na ótica da ADAL, a preservação destes locais não é apenas uma questão ambiental, mas um pilar essencial da identidade cultural de Lousa e do Concelho de Loures.

A ADAL prossegue assim estreitos contactos com as autarquias procurando sensibilizar todas e cada uma para a potenciação dos valores naturais e patrimoniais do Concelho.