Posição Pública | Loures – Capital Nacional dos Rent-a-Car?

Foi com choque que ouvimos recentemente um natural de outra região, que nos visitou, a dizer: “O concelho de Loures parece-me ser a Capital Nacional dos Rent-a-Car, não?…”

Olhando melhor e reflectindo sobre a observação, de facto, julgamos mesmo que ao Concelho de Loures pode já ser concedida à categoria de Capital Nacional dos Rent-a-Car. Esqueça-se Lisboa, Porto ou Faro. O verdadeiro coração da indústria automóvel de aluguer estaciona já em Loures.

É bem provável que nunca, em território nacional, se tenha visto uma tão enorme concentração de viaturas, formando intermináveis polígonos, ocupando hectares e hectares de solo. Cada terreno vago é uma oportunidade de ocupação. Cada espaço que pertenceu a nabiças e couves é um futuro parque de estacionamento. Cada nesga de terra tem o privilégio de servir de extensão informal de um stand. Deve ser já um recorde invejável, observando-se bem.

O que nos traz a um aspecto central para o qual é preciso alertar. Esta actividadenrepresenta:

  • Um baixíssimo valor acrescentado. Não se gera “riqueza” a partir do nada: carros que chegam, carros que ficam, carros que partem — mas, sobretudo, carros que estorvam e turvam a vista em todas as direcções.  Uma reduzida empregabilidade, onde dois ou três funcionários por parque, normalmente são mais que suficientes para gerir umas centenas de viaturas.
  • O esgotamento dos solos disponíveis. E a sua massiva impermeabilização. Antes permeáveis, dão agora lugar a camadas de todo o tipo de compactações e impermeabilizações, aspirando a betão e alcatrão, como cerejas em cima do bolo. A impermeabilização avança a passos largos, numa coreografia perfeita com as cheias que hão de vir.
  • Elevados riscos. Ter centenas, senão milhares, de veículos com depósitos cheios de combustível ou baterias eléctricas expostas aos elementos, amontoados como sardinhas em lata, em plenas zonas urbanas, periurbanas e industriais, onde bem se sabe o que aconteceu antes…
  • Ruína paisagística, como um espetáculo para os sentidos. Onde antes havia um vale, um olival ou uma simples vista desafogada, agora temos um horizonte pontuado por carcaças auto e vidros fumados. Todos os munícipes de Loures se sentem comprazidos, certamente!
  • Um irónico impulso à desordem. Representada pela ilegalidade na ocupação do território. Parques inteiros sem licença, a brotar como cogumelos, em lugares que deviam ser destinados a promover uma vida melhor para todos. Actividades de inovação, desenvolvimento, empresariais de valor acrescentado, habitação acessível, parques de lazer e bem-estar, equipamentos colectivos em falta.
  • Uma estranha actividade de contemplação anémica. Parece que os responsáveis políticos se dedicaram a esdrúxulo exercício onde se vê, mas não se repara, onde não se autoriza mas se consente, onde se faz de conta que se ganha, mas se aprofundam as perdas.

Loures é um caso de estudo em como transformar um concelho num parque de estacionamento gigante com manchas de território habitado.

Um desastre em marcha lenta, com volante na mão direita (ou esquerda, conforme o rent-a-car).

Quando se ganhar colectivamente consciência deste fogo que arde sem se ver (reparar), estarão inventados os extintores para labaredas do inferno ?

DIA MUNDIAL DO AMBIENTE

Neste Dia Mundial do Ambiente, a ADAL enviou a diversas entidades os Certificados correspondentes ao que foi considerado Positivo e Negativo em 2025 nos domínios do Ambiente e do Património, escolhas resultantes da votação que teve lugar na Assembleia Geral da nossa Associação no dia 18 de Março deste ano.

As entidades ‘galardoadas’ foram:

Câmara Municipal de Loures, com um certificado Positivo (Ambiente) e três Negativos (Ambiente e Património)

Grupo de Amigos do Zambujal, com um certificado Positivo (Património)CCDR-LVT, com dois Negativos (Ambiente e Património)

Agência Portuguesa de Ambiente, com um certificado Negativo (Ambiente)

Ministério da Cultura, com um Negativo (Património)

Patriarcado de Lisboa, com um Negativo (Património)

Património Cultural IP, com um Negativo (Património)

Nas comunicações associadas ao Negativo-Património “Estado de decadência do conjunto patrimonial barroco de Santo Antão do Tojal” a ADAL não deixou de realçar, contudo, as diligências entretanto iniciadas com a realização da Cimeira do Património de Santo Antão do Tojal, tendo em vista a definição de um plano articulado para a defesa daquele Património classificado.

Confira abaixo o quadro do Positivo e Negativo de 2025:

2025POSITIVONEGATIVO
AMBIENTEDeliberação Municipal sobre início do processo de classificação do Paul das Caniceiras (CM Loures)Forte incremento da Impermeabilização dos solos com o crescimento de áreas urbanizadas (CM Loures)

Confirmação da ilegalidade dos Parques de Contentores da Apelação e de Bucelas, sem actuação das autoridades competentes (CM Loures, CCDR-LVT, APA)
2025POSITIVONEGATIVO
PATRIMÓNIOPublicação Olhares sobre o Zambujal, de Alfredo Torres, organizado pelo Grupo de Amigos do Zambujal (Grupo de Amigos do Zambujal)  Estado de decadência do conjunto patrimonial barroco de Santo Antão do Tojal (Min. da Cultura, Património Cultural IP, CCDR-LVT, CM Loures, Patriarcado de Lisboa)

Demolições nos terrenos do Quartel de Sacavém, sem acompanhamento arqueológico (CM Loures)

Despejos ilegais de resíduos em todo o lado. A cidadania pode ajudar a fazer a diferença?

Os despejos ilegais de resíduos são um flagelo que vêm afectando há anos o país e, especialmente, a área metropolitana de Lisboa.

Ninguém desconhece o problema e a todos incomoda. Também vai gerando incredulidade a fraca actuação das autoridades, mesmo as especializadas em temas ambientais e as das Polícias Municipais.

Neste contexto, há momentos em que a cidadania pode desempenhar um papel inibidor da actuação anti-social dos prevaricadores e, simultaneamente, um papel pedagógico junto de toda a comunidade, ou seja, daqueles que o fazem e não deviam fazer e daqueles que vêem fazer e ignoram o que estão a ver.

Esta nota vem a propósito de uma intervenção do associado da ADAL, José Falcão, de Bucelas, que tendo surpreendido um indivíduo (imagem) a proceder a uma descarga ilegal de resíduos de construção e demolição, interveio de imediato junto do transgressor, alertando-o para o crime ambiental que estava a cometer e conseguindo que todos os resíduos voltassem a ser carregados para a caixa de carga da viatura que os transportava e a não ficarem abandonados na beira da estrada.

Destacamos esta acção individual, porque acreditamos que também o condicionamento social, enquanto processo pelo qual todos absorvemos e internalizamos as normas, valores, crenças e comportamentos, tem um papel a desempenhar.

Não significa isto que os cidadãos devam substituir-se às autoridades, mas a vigilância colectiva terá seguramente relevância e responsabilizará também, adicionalmente, as entidades públicas quanto à premência de serem tomadas as diversas medidas e acções que o fenómeno exige.

Como o caso demonstra, consideramos que os direitos e deveres de cidadania fazem sempre a diferença.

O Concelho de Loures continua a ver o território a ser ocupado sem licenças

Em Abril passado, a ADAL solicitou informação à Câmara Municipal de Loures sobre a conformidade legal de 2 estaleiros, já instalados, no Caminho do Povo em Unhos. A resposta parcial que os serviços técnicos municipais agora nos fizeram chegar é inequívoca quanto a estas duas situações sem licenciamento: “julga-se estarmos perante uma irregularidade urbanística em ambos os locais assinalados.”

De notar que o PDM e as condicionantes que define não permitem que se ocupem aquelas zonas com as actividades que ali se vêm desenrolando, pelo que não podemos deixar de exigir às autoridades que actuem rapidamente em conformidade com as leis da República e os regulamentos municipais.

Deve ser ainda motivo de reflexão, de todos, o facto das missões que estão atribuídas quer aos Serviços de Fiscalização do Município, quer aos Serviços Jurídico-Administrativos Municipais, quer ainda à Polícia Municipal não estarem a ser cabalmente cumpridas quando se verificam, por toda a área concelhia, ocupações e actividades ilegais de vário tipo, sem que nada se faça para fazer cumprir a lei, para exercer a autoridade da autarquia e para impor a inversão dos usos do solo sem licenciamento, no interesse geral de quem cá reside e trabalha.

A ADAL insta as forças políticas, os senhores vereadores e os senhores deputados municipais a agirem com o discernimento e a verdadeira coragem exigíveis face à evolução de situações que podem comprometer qualquer verdadeiro projecto de desenvolvimento para o Concelho agora e no futuro.

As futuras gerações, certamente, não perdoarão que o concelho permaneça neste estádio de (sub)desenvolvimento.