DIA MUNDIAL DA ÁGUA – ADAL afirma que a água precisa ser defendida, protegida e mantida pública, sob controlo democrático

O Dia Mundial da Água assinala-se a 22 de Março.

Na actualidade, às pressões ambientais e civilizacionais sobre as fontes de água potável, acrescem as investidas económico-financeiras e mesmo militares.

Em especial em Portugal, crescem, com razão, as preocupações relativamente às pretensões do poder político de proceder à privatização da água e da sua gestão.

Neste quadro, a ADAL entende oportuno tornar pública a sua posição de frontal oposição à privatização da água, na medida em que se trata de um elemento fundamental à vida, não se compreendendo que possa ser entendido como mero bem transacionável e alavanca de promoção de lucros privados.

Entende-se que o bem-público ÁGUA, só pode ser adequadamente gerido e protegido, sob controlo democrático das populações.

Em Loures suscita especial preocupação neste momento, as colossais perdas de água na rede pública de abastecimento, que constitui um lamentável desperdício, independentemente dos custos económicos que comporta, que precisa ser urgentemente contido e revertido.

O novo ciclo autárquico justifica que a ADAL venha a propor aos autarcas eleitos um Pacto de Defesa da Água em Loures, que constitua um guia para acção e gestão democraticamente controlada da água no Município por autarcas e populações.

DIA INTERNACIONAL DAS FLORESTAS – ADAL assinala que Loures ainda tem muito por fazer

O Dia da Árvore ou Dia Mundial da Floresta, 21 de Março, é assinalado há décadas, todavia a ONU reforçou recentemente a relevância da problemática das florestas. A partir de 2013, o Dia 21 de Março passou a ser assinalado Dia Internacional das Florestas.

Associando-se a inúmeros especialistas e associações de ambiente, a ADAL alerta para a imperiosa necessidade de melhorar o ordenamento e gestão da floresta portuguesa.

Evidentemente, salienta em particular a situação de completo abandono da floresta na Área Metropolitana de Lisboa, concretamente, no Município de Loures.

Depois de durante anos a Câmara Municipal ter feito investimentos relevantes em estudos e planos de defesa e desenvolvimento da floresta, de ter desencadeado contactos e cooperação com proprietários, de terem tido lugar as primeiras acções coerentes de impulso e dinamização florestal, tudo estagnou na última década.

A sustentabilidade, a gestão do território e mesmo a economia local e o emprego justificam uma nova atitude do Município neste domínio.

DIA INTERNACIONAL DA FLORESTA pelo sócio Rui Máximo Santos

Aproveitando o desafio da ADAL, a propósito do Dia Internacional da Floresta, apraz-me reflectir sobre as árvores e a floresta e a sua importância na preservação ambiental. E este interesse advém não só pelo tema ser transversal a todos os seres vivos do Planeta, mas essencialmente porque o meu dia-a-dia é vivido em contacto com a natureza, seja através da actividade profissional, seja da intrínseca dedicação ao serviço dos bombeiros voluntários.

As áreas florestais, formadas por árvores, arbustos, ervas e um grande número de outros seres vivos, ocupam grande parte da superfície da terra fora de água e são uma parte muito importante do nosso ecossistema. A nível ambiental, o declínio florestal diminui a biodiversidade, provoca uma elevada erosão do solo desprotegido, leva à modificação das bacias hidrográficas, factos estes que, por vezes, provocam prejuízos materiais e até humanos.

 

Com o objetivo de contribuir para uma adequada gestão florestal, os municípios portugueses têm a obrigatoriedade de criar o Gabinete Técnico Florestal, cujo âmbito de competências compreende: o acompanhamento das políticas de fomento florestal e a devida informação pública; o apoio à comissão municipal de defesa da floresta; a elaboração do plano municipal de defesa da floresta; o registo cartográfico das ações de gestão de combustíveis; a recolha, registo e atualização da base de dados da rede de defesa da floresta contra incêndios; o apoio na construção e manutenção da rede viária florestal, entre outras atribuições.

Destas ações destaco os trabalhos no âmbito da manutenção, beneficiação e revitalização da Rede Viária Florestal, a qual não só assegura o acesso aos locais de ocorrência das equipas de primeira intervenção para combate a incêndios florestais, como contribui para um adequado encaminhamento das águas pluviais, evitando uma erosão acentuada dos caminhos e áreas florestais. Contudo, este esforço, quer de garantia de preservação, quer de facilitação na intervenção em caso de incêndio, evidencia também inconvenientes, como a utilização abusiva da Rede Viária Florestal pelos “amantes” dos veículos todo-o-terreno, com os consequentes estragos dos percursos florestais ou a má prática de abandono de resíduos nestes locais de difícil acesso.

Por outro lado, a defesa da floresta assume especial importância no decorrer do período critico (determinado por regulamentação governamental), com a integração de equipas de Bombeiros e de equipas de Sapadores Florestais no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais, aliando-se a competência dos que têm o conhecimento do “combate” ao fogo ao longo de décadas àqueles que ao longo de todo o ano trabalham e preservam a área florestal, através da execução de trabalhos silvícolas e da recuperação da rede viária. Esta parceria aumenta a eficácia da primeira intervenção e reforça as operações posteriores, nomeadamente o ataque ampliado e subsequentes operações de rescaldo e vigilância pós incêndio. Recordo que os meios humanos e materiais envolvidos no decorrer do período crítico dos incêndios florestais no município de Loures são: sete corpos de bombeiros, duas equipas de Sapadores Florestais e um Posto de Vigia pertencentes ao Município de Loures, além de patrulhas da Guarda Nacional Republicana – SEPNA.

 

No município de Loures existem áreas florestais e projectos florestais (públicos e privados) que se destacam entre muitos outros e que importa dar a conhecer e preservar, nomeadamente nas freguesias de Bucelas, Fanhões, Loures e Lousa:

Parque Municipal de Cabeço de Montachique em Ribas de Cima; Encosta da Saúde no Casal da Vera em Lousa; Casal do Condado em Bucelas; Serra da Sardinha em A-dos-Cãos; Penedo do Gato em Ponte de Lousa; Quinta da Romeira em Bucelas e Moinho dos Valérios em Lousa, são apenas alguns exemplos.

De todos os referidos, menciono o Parque Municipal de Cabeço de Montachique situado em Ribas de Cima, na freguesia de Fanhões, a apenas 8 quilómetros da sede do concelho. É um pulmão do concelho, com os seus 32 hectares, rico em fauna e flora, com densa vegetação, muito arborizado e com árvores de grande porte. Este é sem dúvida um local aprazível que convida ao contacto com a natureza, seja em percursos pedonais na zona de floresta, seja na prática de actividades desportivas ou simplesmente no ócio e convívio.

 

Por fim, espaço ainda para evidenciar as árvores classificadas de Interesse Público pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas no território de Loures. Estas árvores “Monumentais” apresentam um valor patrimonial elevado e distinguem-se doutras das suas espécies pelo porte, desenho, idade, raridade, interesse histórico ou paisagístico.

Aproveite esta Primavera, passeie e usufrua do património natural de Loures e descubra as árvores classificadas de Interesse Público no Concelho:

– Quercus faginea Lam., árvore vulgarmente conhecida por carvalho-português ou carvalho-cerquinho, existente no Casal do Tufo – Fontelas, em Lousa;

– Lagunaria patersonii (Andrews) G. Don, exemplar vulgarmente conhecido por hibisco-de-norfolk, implantada no lugar da Urbanização da Portela, na Portela;

– Olea europaea L., var. europaea, árvore vulgarmente conhecida por oliveira, existente no Bairro da Covina, em Santa Iria da Azóia;

– Olea europaea L. var. europaea – Oliveira localizada na Quinta da Aldeia, Bairro Social da Petrogal na Bobadela;

– Maciço constituído por 5 exemplares da espécie Phytolacca dioica L., árvores vulgarmente conhecidas por belas-sombra, existente no Bairro Social da Petrogal, na Bobadela;

– Alameda constituído por alguns exemplares da espécie Phoenix canariensis Chabaud, árvores vulgarmente conhecidas por palmeiras-das-canárias, existente no Bairro Social da Petrogal, na Bobadela.

 

Concluo com as palavras-chave que devem ser associadas a esta efeméride, mas ao longo do ano inteiro: árvores, arborização, floresta,reflorestação, preservação ambiental, qualidade do ar, qualidade de vida.

 

Texto escrito pelo sócio da ADAL: Rui Máximo Santos (Geógrafo, Comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Bucelas)

 

Positivo e Negativo em 2014 no Concelho de Loures

A ADAL, reunida em Assembleia Geral procedeu à apreciação dos factos positivos e negativos de 2014 respeitantes ao ambiente e património do Concelho de Loures e considera:

 

POSITIVO

NEGATIVO

AMBIENTE

  • A Discussão Pública do PDM, aberta à participação de todos e em todas as freguesias
  • A privatização da Valorsul

PATRIMÓNIO

  • Reabertura dos Museus Municipais de Loures aos domingos
  • O risco de destruição completa do Palácio de Valflores em Santa Iria de Azóia

A ADAL destaca assim, os factos mais relevantes que marcam cada ano, procurando apoiar e estimular as melhores práticas e condenar aquelas que se apresentem em contradição com o interesse e bem-estar colectivos.

No caso particular da tentativa governamental de privatizar a Valorsul, a ADAL, entende destacar o facto, como muito negativo, por não haver nenhuma razão justificativa para o fazer, nem ambiental, nem técnica, nem económica, mas com as previsíveis consequências nefastas e indesejáveis de aumento de taxas e a fuga ao controlo democrático do funcionamento da Central de Incineração e demais instalações do sistema.