ADAL associa-se à DEFESA DA RESERVA AGRÍCOLA NACIONAL E DA RESERVA ECOLÓGICA NACIONAL

As Associações aqui representadas:
Associação Evoluir Oeiras
ANP|WWF Associação Natureza Portugal
Campo Aberto
FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade
SOS Quinta dos Ingleses
LPN Liga para a Proteção da Natureza
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza
ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável
SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves

Unem-se em apoio à habitação pública em zonas urbanas consolidadas, em apoio à reabilitação de imóveis devolutos, e à reconversão de edifícios de escritórios também desocupados, para habitação a custos controlados.
Apoiam a defesa e preservação dos solos de Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN)
e
Repudiam as intenções do Governo de facilitar a edificação em RAN.
Ao fazê-lo, lutam pelo que é essencial: o acesso à habitação digna a custos comportáveis, a conservação de uma reserva de solos, cada vez mais raros e insubstituíveis, constituindo um verdadeiro seguro para a segurança alimentar no futuro, em contexto de alterações climáticas, em defesa da biodiversidade, das infraestruturas verdes e da conectividade ecológica;
e, simultaneamente:
Lutam contra uma agenda de promotores imobiliários e de negócios em torno de mais construção.
Porque, como se sabe, a ciência aponta-nos a necessidade de frearmos a construção fora de áreas urbanas.

Nesse sentido, a Lei de bases gerais da política pública de solos, de ordenamento do território e de urbanismo (Lei n.º 31/2014, de 30 de Maio) tem como principal objetivo “Valorizar as potencialidades do solo, salvaguardando a sua qualidade e a realização das suas funções ambientais, económicas, sociais e culturais, enquanto suporte físico e de enquadramento cultural para as pessoas e suas atividades, fonte de matérias-primas e de produção de biomassa, reservatório de carbono e reserva de biodiversidade”.

E no seu seguimento, o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio) estabelece que, em nome do princípio da sustentabilidade territorial, “a reclassificação do solo como urbano é limitada ao indispensável, sustentável dos pontos de vista económico e financeiro, e traduz uma opção de planeamento necessária, devidamente programada, que deve ser objeto de contratualização”, e institui “a obrigatoriedade da demonstração da sustentabilidade económica e financeira da transformação do solo rústico em urbano, através de indicadores demográficos e dos níveis de oferta e procura do solo urbano”.


Desta forma, as Associações aqui representadas:
a) consideram que a proteção do Ambiente, a mitigação e a adaptação às alterações climáticas são fundamentais para o bem-estar humano e para a Coesão Social;
b) lembram que tanto a Habitação (artigo 65.º) como o Ambiente e qualidade de vida (artigo 66.º) são direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa;
c) manifestam profunda apreensão com os discursos de autarcas que procuram criar uma falsa dicotomia entre o direito à habitação digna e o direito a um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado;
d) repudiam as tentativas lançadas na opinião pública de criar na população a falsa ideia de que a crise da habitação se deve à existência de instrumentos de ordenamento do território que imponham restrições à construção;
e) contestam que a crise da habitação se resolva com a desafetação de solos de Reserva Agrícola Nacional, tendo em conta que apenas 4% do território nacional é ocupado por solos muito férteis e que a selagem dos solos promoverá uma degradação total e irreversível à escala humana;

Mas também:
f) repudiam as tentativas de desclassificação de áreas RAN e REN sob pretextos de instalação de projetos incompatíveis com a classificação de uso do solo;
g) alertam para a necessidade de valorizar os solos de qualidade, designadamente de RAN, como recursos valiosos que são para a produção local de alimentos, um recurso não renovável, com um valor acrescido em contextos de grandes áreas populacionais, constituindo uma ferramenta para a resiliência territorial e para a segurança alimentar, mormente em contexto de alterações climáticas.
h) invocam a urgência de considerar as áreas REN como elementos indispensáveis ao equilíbrio ecológico e uma ferramenta insubstituível na qualificação territorial sustentável e na preparação para a adaptação aos efeitos das alterações climáticas, contribuindo para a preservação do Património Natural e Cultural e para defender a Vida!

As associações:
– Associação Evoluir Oeiras
– ANP|WWF
– Campo Aberto
– FAPAS
– GEOTA
– LPN
– Quercus
– ZERO
– SOS Quinta dos Ingleses
– SPEA

Este Manifesto será ainda disponibilizado a todos os cidadãos que a ele se queiram associar:
(Nome, CC e Localidade)

E coletivos através do LinK: https://forms.gle/3gGVhRnLjD4JGXJZ6

AQUEDUTO DE LOURES – ADAL E JUNTA DE FREGUESIA DE LOURES CONSERTAM ESFORÇOS

No dia 6 a ADAL reuniu com a Junta de Freguesia de Loures – Presidente do executivo, António Pombinho e Vogal Cristina Capitão – para uma troca de impressões sobre possíveis medidas a tomar com a finalidade de consolidar, preservar, valorizar e divulgar as estruturas ainda visíveis do Aqueduto de Loures, bem como a fonte das Almoínhas.

O Aqueduto de Loures, edificado no século XVIII, desde o Planalto da Caldeira até à estrada real, onde ainda hoje se encontra o Chafariz Monumental (Largo 4 de Outubro), permitiu, à época, um acesso mais fácil da população de Loures à água potável. A evolução da cidade e a expansão da construção de edifícios de habitação e de serviços, conduziu à eliminação de partes do Aqueduto, mas algumas das suas estruturas ainda se mantêm, sendo possível visitar o seu interior em alguns locais.

Depois desta primeira troca de impressões, ficou estabelecido delinear conjuntamente um programa de acção que envolva a comunidade e entidades locais no compromisso de valorização deste exemplar do património construído da cidade.

À descoberta do Forte de Sacavém

No quadro da iniciativa da ADAL, PELOS TRILHOS DO PATRIMÓNIO E DA NATUREZA,
no passado dia 24 de Junho, realizou-se uma visita ao Reduto do Monte-Cintra – Forte de Sacavém.

O programa, entre as 10 e as 13 horas, previa os seguintes passos:
1 – Boas vindas
2 – Início da visita ao Forte de Sacavém
3 – Visita à Exposição de Eduardo Nery
4 – Fim da visita ao Forte e início de um percurso pedonal (rio Trancão / painel de azulejos de Eduardo Nery / observação e análise de aspectos da requalificação da frente ribeirinha / estação ferroviária / regresso ao ponto de partida)

Dadas as boas vindas ao numeroso grupo participante, a recepção para a visita foi por Ana Carvalho Dias e João Nuno Reis, ambos técnicos da Direcção Geral do Património Cultural (DGPC).

Foi-nos historiada a vida desta construção militar oitocentista, localizada num pequeno morro (denominado Monte Cintra), edificada no âmbito das obras de fortificação de Lisboa. Este reduto, detentor de uma posição estratégica privilegiada, era um importante apoio aos fortes de Almada e de São Julião da Barra, defendendo a linha de rio até Sacavém, bem como o vale de Odivelas e a serra de Monsanto.

A planta pentagonal irregular é circundada por um fosso e toda a sua estrutura cria a ilusão de um pequeno outeiro o que o torna quase invisível quando visto de uma altitude mais baixa.

Terminada a função militar, hoje, o Forte de Sacavém guarda dois dos maiores arquivos de património cultural e de arquitectura do país: o arquivo do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA) com um espólio documental composto por mais de um espólio documental composto por mais de 12 quilómetros de prateleiras de processos administrativos e de obra, 2 milhões de peças desenhadas e dois milhões de fotografias de edifícios e monumentos nacionais, bem como 50 Arquivos pessoais e espólios de destacados arquitetos, engenheiros, urbanistas e paisagistas como os de Gonçalo Ribeiro Telles, António Vianna Barreto ou Francisco Caldeira Cabral (1ª geração de arquitetos paisagistas portugueses).

Tudo isto nos foi explicado e mostrado com a muita competência e o muito entusiasmo dos técnicos da DGPC que há décadas salvaguardam todo o interior deste Tesouro.

O segundo momento da visita foi à “Exposição Eduardo Nery – Evocação da sua memória e legado.”
Notáveis. A concepção museográfica da Exposição, e, através dos trabalhos expostos a vida e obra de Eduardo Nery. Patente até 2 de Setembro, com visitas livres, a exposição é acompanhada de uma vasta programação a acontecer em diversos locais.
Ainda nos foi possível percorrer o exterior do Forte e apreciar a imensa vista sobre os rios Trancão e Tejo, as urbes de Sacavém, Parque das Nações e Bobadela, e observar as modificações que estão a acontecer nos terrenos para a recepção do evento católico
(JMJ).

A visita inicialmente prevista para uma hora e quinze minutos, dada a muita competência e o muito entusiasmo de Ana Carvalho Dias e João Nuno Reis (como já havíamos sublinhado) teve a duração aproximada de três horas. E zero cansaço.
Ficou assim por realizar o último item do programa inicialmente previsto: “início de um percurso pedonal (rio Trancão) / painel de azulejos de Eduardo Nery / observação e análise de aspectos da requalificação da frente ribeirinha / estação ferroviária”.

Mas, considerando que a ADAL tem na sua Missão contribuir e estar atenta à boa preservação do Ambiente e do Património, este item poderá acontecer após as JMJ …

LEI PRO SOLOS: SERÁ DESTA? por Cláudia Madeira

Portugal é um dos poucos países da União Europeia ainda sem legislação específica sobre solos contaminados e que não dispõe de qualquer mapeamento de áreas contaminadas. A lei para a Prevenção da Contaminação e Remediação dos Solos – ProSolos esteve em consulta pública em 2015 e, desde essa altura, foi metida na gaveta, tendo ido várias vezes a Conselho de Ministros sem sucesso. Pelo meio, o Governo dizia sempre estar a trabalhar no diploma, que ainda não viu a luz do dia. 

Ao longo dos últimos anos, o Partido Ecologista Os Verdes tem alertado para a urgência da publicação desta lei, que permitiria preencher uma lacuna no quadro legislativo nacional. A versão que foi submetida a consulta pública prevê a emissão de um certificado de qualidade do solo por parte da entidade que vende o terreno, quando se trate de locais onde tenham funcionado atividades poluentes. Atualmente, nada obriga a entidade que vende um terreno a comprovar que este está descontaminado.

Os solos, apesar de serem um ecossistema muitas vezes esquecido e desvalorizado, são um pilar fundamental para o desenvolvimento da vida no Planeta devido às importantes funções que desempenham a nível ambiental, social e económico. São um recurso não renovável à escala humana, sujeito a crescentes pressões e à sobre-exploração, com a sua consequente degradação, nomeadamente por via da contaminação, que representa um perigo para a saúde pública e o ambiente.

Estima-se que existam cerca de dois mil sítios contaminados em Portugal e Lisboa não é exceção. Nos últimos anos têm sido descobertos vários casos de terrenos contaminados, como no Parque das Nações, em Braço de Prata, no Campo das Cebolas e no aterro da Boavista. Os casos vão-se revelando, por norma no seguimento de obras que envolvem a remoção de solos, cujo destino é muitas vezes incerto.

O PEV tem trabalhado insistentemente sobre este assunto, tendo proposto uma audição pública na Assembleia Municipal de Lisboa, e apresentado várias recomendações e moções. Na Assembleia da República apresentou uma proposta que deu origem a uma Resolução que recomenda ao Governo que estabeleça um regime jurídico relativo à prevenção da contaminação e remediação dos solos, salvaguardando o ambiente e a saúde pública.

Face a este atraso de oito anos, o Secretário de Estado do Ambiente afirmou que a lei seria publicada durante o primeiro semestre deste ano, prazo que está agora a terminar. Ou seja, até hoje, o diploma continua congelado. Entretanto, enfrentamos casos graves de contaminação de solos, enquanto o país continua desprotegido e incapaz de prevenir e antecipar situações.

Existe, inclusive, a possibilidade de, com este atraso, a legislação só surgir com pressão externa da União Europeia, o que ainda pode demorar, e demonstra uma total desvalorização da proposta, cujo processo de consulta pública foi positivo e teve o apoio generalizado da Assembleia da República.

Portugal precisa desta lei e do mapeamento das áreas contaminadas. As populações precisam de ter a certeza que o princípio da precaução é levado a sério e o Governo deve definitivamente mostrar de que lado está.

A contaminação de solos é um perigo silencioso debaixo dos nossos pés e, após todos estes anos de inação, Os Verdes reforçam que é tempo de o Governo tirar a lei da gaveta, deixar de estar preso aos interesses económicos e deixar de secundarizar a importância do ambiente e da saúde pública.

14 de junho 2023

Cláudia Madeira, eleita do PEV na Assembleia Municipal de Lisboa

(Os artigos de Opinião aqui publicados  são da responsabilidade dos seus autores e podem não reflectir as posições da ADAL).