DIA INTERNACIONAL DAS ZONAS HÚMIDAS | ADAL espera outra atitude da Câmara de Loures e respeito pelas zonas mais sensíveis

Hoje, dia 2 de Fevereiro, assinala-se o Dia Internacional das Zonas Húmidas.

A Câmara Municipal de Loures, curiosamente, não fez, até ao momento, qualquer referência ao assunto como – o que é pior – parece partilhar os propósitos daqueles que pretendem ver urbanizado cada palmo de terra.

É momento para recordar que a Câmara e Assembleia Municipal de Loures aprovaram resoluções, no já longínquo ano 2002, no sentido de integrar o Paul das Caniceiras – área do maior interesse ecológico na área metropolitana de Lisboa – na Reserva Ecológica Nacional.

Hoje, luta-se para evitar a destruição daquele património natural único, definindo uma Área Protegida de Âmbito Local/Regional. Todas as formações partidárias afirmaram o seu apoio a tal objectivo, mas o Município continua sem concretizar o necessário, que é de sua responsabilidade primeira.

De um modo geral, toda a rede hidrográfica do Concelho de Loures, bem como a frente ribeirinha do Tejo, mantêm-se como motivo de grande preocupação face aos renovados apetites urbanísticos e especulativos que visam contruir por todo lado, intensificando uma impermeabilização do território sem precedentes, com riscos insensatos e muito perigosos.

É preciso mudar de atitude, na Câmara Municipal de Loures, na CCDR-LVT e no Ministério do Ambiente. Loures não pode manter-se como a porta das traseiras da Capital.

Visita técnica ao Paul das Caniceiras

A Comissão de Ambiente, Qualidade de Vida, Recursos Naturais e Animais da Assembleia Municipal de Loures organizou uma visita ao Paul das Caniceiras, no passado dia 27 de Maio, tendo a ADAL integrado a delegação composta por deputados municipais da Comissão, elementos do gabinete do Vereador Nelson Baptista, equipa técnica do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Loures e os biólogos Carlos David Silva e João Rodrigues.

Esta visita constituiu uma oportunidade para conhecer ou revisitar esta zona húmida do Concelho, de dimensão aproximada de 13 hectares, constatar o valor e potencialidades do paul, quer pelos valores ambientais que lhe estão associados, quer pelas perspectivas que poderão decorrer da concretização de um projecto de preservação, valorização, estudo e divulgação deste recurso, o que passará, no imediato, pela sua classificação como área protegida de âmbito local. 

Realce para algumas notas informativas:

. a classificação desta área não carece de alteração ao PDM dado o mesmo já contemplar o uso do solo para conservação da natureza;

. o aterro existente, ainda que artificial, é um ponto de vista privilegiado para observação acima da vegetação;

. a vegetação aquática tem capacidade de reduzir a poluição;

. espécie vegetal/caniço tem vindo a desaparecer e ser substituída por outras espécies, mais rasteiras;

. registado o avistamento de 125 espécies de aves no Paul das Caniceiras;

. registo de vários exemplares da Boga de Boca Arqueada de Lisboa, espécie endémica e em vias de extinção

Recorde-se que a ADAL já por diversas vezes tem apresentado as suas preocupações a respeito deste Paul à Comissão de Ambiente, Qualidade de Vida, Recursos Naturais e Animais da Assembleia Municipal, incluindo em duas reuniões especificamente realizadas para o efeito, uma em Dezembro de 2018 e outra em Fevereiro do corrente ano.

CLASSIFICAR O PAUL DAS CANICEIRAS porque é único, porque é fundamental!