GLIFOSATO NÃO. POR ALTERNATIVAS AMBIENTAIS E NACIONAIS.

Os herbicidas à base de glifosato têm grande utilização em todo o mundo e também em Portugal.

Têm sido publicados diversos estudos que apontam para efeitos nefastos dos herbicidas à base de glifosato, com impactos na saúde, mesmo quando usados em doses muito baixas, designadamente malformações congénitas, alteração da progressão da puberdade pela redução da produção de testosterona e outros problemas que derivam de um efeito desregulador endócrino, efeitos carcinogénicos ou tóxicos em vários tipos de células humanas.

A maioria dos estudos não decorreu de trabalho de campo, mas de interpretações feitas sobre estudos existentes e, como em muitas outras situações, temos a análise científica produzida pela Academia (Universidades) e aquela que ocorre em processos regulatórios (Agências de Regulação; em Portugal, competência da Direcção Geral de Alimentação e Veterinária). Consoante se queira ter ou não em consideração a componente económica, assim os resultados poderão ser mais ou menos condenatórios do agrotóxico.

Os produtos com base no glifosato são usados desde 1974, principalmente na agricultura e aí se centra, provavelmente, o seu maior potencial de risco, atentos os estudos mais credíveis. Admite-se que os riscos e efeitos em espaço urbano sejam de menor nível, embora a lei sobre o uso de pesticidas em Portugal (Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril, que transpõe a Diretiva 2009/128/CE), contemple a aplicação destes produtos em espaço urbano apenas como último recurso.

Assim, a ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures defende:

1. A proibição do uso de produtos com glifosato na agricultura;

2. A progressiva redução da utilização dos produtos integrando a substância, nos espaços públicos, devendo ser conjugada uma estratégia de intervenção, em que se articulem:

a. O uso mínimo indispensável de herbicidas, seja qual for a sua natureza;

b. A utilização progressiva de equipamentos mecânicos eléctricos para a erradicação de infestantes indesejáveis;

c. O fomento da tolerância e convivência públicas com um nível aceitável de infestantes nas áreas urbanas;

d. O estímulo ao envolvimento comunitário dos cidadãos, em que cada individuo e cada condomínio cuida da área que lhe pertence ou em que se insere e das correspondentes envolventes;

3. Que as autoridades nacionais incumbam os recursos técnicos e científicos públicos (as Universidades, bem como a Direcção Geral de Alimentação e Veterinária) de, em articulação com a indústria especializada, desenvolver alternativas capazes de vir a substituir – com protecção do ambiente e da saúde humana e animal – os produtos com base no glifosato, quer no que concerne à eficácia, quer no que respeita ao preço, aspectos fundamentais para a aceitação e utilização futura de uma substância diferente e o mais ecológica possível.

O conglomerado internacional Monsanto tem um peso e influência substancial nos governos, seja o americano, seja os dos países subjugados ou da sua órbita ideológica, designadamente os países europeus e latino-americanos. É tempo para que Portugal assuma e dignifique a sua soberania neste domínio, sugerindo-se o trabalho conjunto das instituições nacionais com as dos países da CPLP, para mais rápidos e eficazes resultados.

Pela nossa saúde, pela saúde dos solos e da água, pela biodiversidade!