A Quinta da Torre de Cima: um projeto de futuro, respeitando o passado

por Duarte Morgado

Na freguesia de Bucelas, junto à aldeia pitoresca do Freixial, existe uma quinta, entre outras, que nos remete para uma história, cujos indícios arqueológicos, nos faz viajar até à Baixa Idade Média, mais concretamente até ao século XIV.

Hoje, entre pinheiros mansos, e com 50 hectares, este pedaço de terra integrou os 170 hectares que perfaziam a antiga Quinta da Torre, entretanto fraccionada em três partes: a de Baixo, a do Meio e a de Cima. Na sua paisagem natural são mais de 25 os tipos de árvores, e possui a fauna regular que nos apresenta javalis, coelhos bravos, raposa, muitas aves diversas, e muitos mais outros animais.

A história da propriedade desta parcela de céu na terra, funde-se com a biografia das antigas Caves Velhas de Camilo Alves, da Central de Cervejas, e da ENOPORT WINES. E foi a convite do seu atual proprietários, Nuno Santos, em nome da EW, que fui integrado num trio de representantes da Confraria do Ari to de Bucelas. Entre diversas entidades, coube-nos testemunhar esta nova etapa deste terreno, que dá origem ao Projeto ‘Quinta de Cima’, promovido pelo consórcio entre ENOPORT WINES, Enovalor e Quinta da Torre.

Trata-se de uma proposta de criação na área do enoturismo, dedicada a reunir três ativos em Bucelas relevantes e distintos entre si: a Quinta da Torre, como espaço privilegiado para alojamento e realização de eventos de diversos âmbitos; a Quinta do Boição, na sua dimensão produtiva de vinho; e finalmente, as antigas Caves Velhas (1881), como espaço de formação na área da cultura do vinho e da vinha.

Em toda esta riqueza patrimonial, a Casa Medieval da Torre de Cima, assume-se como a jóia por excelência, dada a sua especificidade enquanto elemento histórico único. A apresentação da casa esteve a cargo da pessoa que mais a estudou, desde a década de 90, a Arqueóloga Florbela Estêvão, técnica do Município de Loures, e que nos mostrou um pouco do que poderá ser depois mais aprofundado e melhor compreendido da história do lugar. A casa assume-se ainda com marcas evidentes do seu período inicial de construção, do século XIV, como um raro edifício de habitação medieval, de carácter senhorial, apresentando técnicas e desenho posteriores, relevantes para a compreensão do desenvolvimento daquele lugar.

O projeto envolverá este exemplar de arquitetura medieval nacional, já classificado, e deixa antever um investimento muito importante e muito pertinente para a freguesia de Bucelas. Está tudo em desenvolvimento, mas a apresentação serviu de pontapé de saída para confirmar a sua concretização a partir de agora.

(Os artigos de Opinião aqui publicados  são da responsabilidade dos seus autores e podem não reflectir as posições da ADAL).

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