DIA NACIONAL DOS MOINHOS | 7 de Abril

Os moinhos tradicionais têm um inestimável valor patrimonial, enquanto testemunho paisagístico, social e económico de um passado recente que importa valorizar.

A zona saloia de Loures foi uma área importante na transformação de cereal contando com um número significativo de moinhos que marcavam a paisagem circundante. Em 1941 o Concelho de Loures tinha 32 moinhos de vento (para além de 27 azenhas) recenseados.

Contudo o avanço da tecnologia na indústria moageira provocou o abandono destas máquinas artesanais e, consequentemente, a extinção da profissão de moleiro. Naturalmente, e de forma generalizada, registou-se o abandono dos moinhos e a posterior destruição e ruína dos mesmos.

No município de Loures, na Apelação, existe um moinho do tipo mediterrânico, que permite orientar as velas em função da direcção do vento. Apesar de recuperado em 1998 e 2006, fazendo reviver as técnicas tradicionais de transformação do trigo em farinha e desta em pão, não está atualmente em funcionamento. Atrevemo-nos a questionar: quando será possível voltar a visitar este moinho em atividade?

A ADAL assinala este Dia Nacional do Moinho com o intuito de pugnar pela valorização do património molinológico, enquanto preservação da memória, salvaguarda do engenho/ mecanismo, contributo pedagógico, defesa da paisagem natural, consolidação de circuitos turísticos integrados e, simultaneamente, potenciador de desenvolvimento local.

DIA INTERNACIONAL DA FLORESTA pelo sócio Rui Máximo Santos

Aproveitando o desafio da ADAL, a propósito do Dia Internacional da Floresta, apraz-me reflectir sobre as árvores e a floresta e a sua importância na preservação ambiental. E este interesse advém não só pelo tema ser transversal a todos os seres vivos do Planeta, mas essencialmente porque o meu dia-a-dia é vivido em contacto com a natureza, seja através da actividade profissional, seja da intrínseca dedicação ao serviço dos bombeiros voluntários.

As áreas florestais, formadas por árvores, arbustos, ervas e um grande número de outros seres vivos, ocupam grande parte da superfície da terra fora de água e são uma parte muito importante do nosso ecossistema. A nível ambiental, o declínio florestal diminui a biodiversidade, provoca uma elevada erosão do solo desprotegido, leva à modificação das bacias hidrográficas, factos estes que, por vezes, provocam prejuízos materiais e até humanos.

 

Com o objetivo de contribuir para uma adequada gestão florestal, os municípios portugueses têm a obrigatoriedade de criar o Gabinete Técnico Florestal, cujo âmbito de competências compreende: o acompanhamento das políticas de fomento florestal e a devida informação pública; o apoio à comissão municipal de defesa da floresta; a elaboração do plano municipal de defesa da floresta; o registo cartográfico das ações de gestão de combustíveis; a recolha, registo e atualização da base de dados da rede de defesa da floresta contra incêndios; o apoio na construção e manutenção da rede viária florestal, entre outras atribuições.

Destas ações destaco os trabalhos no âmbito da manutenção, beneficiação e revitalização da Rede Viária Florestal, a qual não só assegura o acesso aos locais de ocorrência das equipas de primeira intervenção para combate a incêndios florestais, como contribui para um adequado encaminhamento das águas pluviais, evitando uma erosão acentuada dos caminhos e áreas florestais. Contudo, este esforço, quer de garantia de preservação, quer de facilitação na intervenção em caso de incêndio, evidencia também inconvenientes, como a utilização abusiva da Rede Viária Florestal pelos “amantes” dos veículos todo-o-terreno, com os consequentes estragos dos percursos florestais ou a má prática de abandono de resíduos nestes locais de difícil acesso.

Por outro lado, a defesa da floresta assume especial importância no decorrer do período critico (determinado por regulamentação governamental), com a integração de equipas de Bombeiros e de equipas de Sapadores Florestais no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais, aliando-se a competência dos que têm o conhecimento do “combate” ao fogo ao longo de décadas àqueles que ao longo de todo o ano trabalham e preservam a área florestal, através da execução de trabalhos silvícolas e da recuperação da rede viária. Esta parceria aumenta a eficácia da primeira intervenção e reforça as operações posteriores, nomeadamente o ataque ampliado e subsequentes operações de rescaldo e vigilância pós incêndio. Recordo que os meios humanos e materiais envolvidos no decorrer do período crítico dos incêndios florestais no município de Loures são: sete corpos de bombeiros, duas equipas de Sapadores Florestais e um Posto de Vigia pertencentes ao Município de Loures, além de patrulhas da Guarda Nacional Republicana – SEPNA.

 

No município de Loures existem áreas florestais e projectos florestais (públicos e privados) que se destacam entre muitos outros e que importa dar a conhecer e preservar, nomeadamente nas freguesias de Bucelas, Fanhões, Loures e Lousa:

Parque Municipal de Cabeço de Montachique em Ribas de Cima; Encosta da Saúde no Casal da Vera em Lousa; Casal do Condado em Bucelas; Serra da Sardinha em A-dos-Cãos; Penedo do Gato em Ponte de Lousa; Quinta da Romeira em Bucelas e Moinho dos Valérios em Lousa, são apenas alguns exemplos.

De todos os referidos, menciono o Parque Municipal de Cabeço de Montachique situado em Ribas de Cima, na freguesia de Fanhões, a apenas 8 quilómetros da sede do concelho. É um pulmão do concelho, com os seus 32 hectares, rico em fauna e flora, com densa vegetação, muito arborizado e com árvores de grande porte. Este é sem dúvida um local aprazível que convida ao contacto com a natureza, seja em percursos pedonais na zona de floresta, seja na prática de actividades desportivas ou simplesmente no ócio e convívio.

 

Por fim, espaço ainda para evidenciar as árvores classificadas de Interesse Público pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas no território de Loures. Estas árvores “Monumentais” apresentam um valor patrimonial elevado e distinguem-se doutras das suas espécies pelo porte, desenho, idade, raridade, interesse histórico ou paisagístico.

Aproveite esta Primavera, passeie e usufrua do património natural de Loures e descubra as árvores classificadas de Interesse Público no Concelho:

– Quercus faginea Lam., árvore vulgarmente conhecida por carvalho-português ou carvalho-cerquinho, existente no Casal do Tufo – Fontelas, em Lousa;

– Lagunaria patersonii (Andrews) G. Don, exemplar vulgarmente conhecido por hibisco-de-norfolk, implantada no lugar da Urbanização da Portela, na Portela;

– Olea europaea L., var. europaea, árvore vulgarmente conhecida por oliveira, existente no Bairro da Covina, em Santa Iria da Azóia;

– Olea europaea L. var. europaea – Oliveira localizada na Quinta da Aldeia, Bairro Social da Petrogal na Bobadela;

– Maciço constituído por 5 exemplares da espécie Phytolacca dioica L., árvores vulgarmente conhecidas por belas-sombra, existente no Bairro Social da Petrogal, na Bobadela;

– Alameda constituído por alguns exemplares da espécie Phoenix canariensis Chabaud, árvores vulgarmente conhecidas por palmeiras-das-canárias, existente no Bairro Social da Petrogal, na Bobadela.

 

Concluo com as palavras-chave que devem ser associadas a esta efeméride, mas ao longo do ano inteiro: árvores, arborização, floresta,reflorestação, preservação ambiental, qualidade do ar, qualidade de vida.

 

Texto escrito pelo sócio da ADAL: Rui Máximo Santos (Geógrafo, Comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Bucelas)

 

Dia Mundial da Conservação da Natureza

O Dia Mundial da Conservação da Natureza que se comemora a 28 de Julho, foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas com a finalidade de alertar os cidadãos para a importância da Natureza e dos problemas que lhe estão associados, nomeadamente os da sua conservação.

A Natureza e os seus ecossistemas fornecem serviços essenciais à vida humana à manutenção do equilíbrio ecológico, como a purificação do ar e da água, a regulação dos fenómenos climáticos, os processos de decomposição (repondo a matéria mineral nos solos), o controle da erosão, a reprodução da vegetação através da polinização e dispersão de sementes, o controle de pragas e o sequestro de carbono através dos processos de fotossíntese, entre outros. Fornecem alimento, matéria-prima e medicamentos e não podem tão-pouco ser esquecidos os seus valores culturais, estéticos e turísticos, bem como o simbolismo que a natureza representa ainda para muitos povos, à qual se encontram fortemente ligados através de rituais e tradições ancestrais.
Existe ainda imenso por descobrir acerca dos ecossistemas e das suas riquezas. Supõe-se que haverá cerca de 14 milhões de espécies no planeta mas apenas 13% destas se encontram descritas, o que permite pensar nas potencialidades que poderão representar para a Humanidade a vários níveis, nomeadamente a sua aplicação no domínio da medicina.
Por “conservação da Natureza” entende-se “a gestão da utilização humana da natureza, de modo a compatibilizar de forma perene o seu uso e a capacidade de regeneração de todos os recursos vivos”, ou seja, uma gestão e utilização sábias dos recursos naturais.
No entanto o crescimento da população mundial – atualmente de 7,2 mil milhões de pessoas prevendo-se atingir os 9,6 mil milhões em 2050 – e a consequente exigência de suprir as suas necessidades, conduz a uma sobreexploração desenfreada dos recursos provocando perturbações significativas que levam ao seu esgotamento, contribuem para as alterações climáticas e para o elevado ritmo de extinção de espécies.
Será tempo então de repensar as nossas condutas diárias e o nosso modo de vida. Tomar consciência de que qualquer iniciativa legal deverá ser apoiada pela ação de todos e qualquer um de nós enquanto cidadãos, através de atitudes e gestos simples que minimizem os danos que inevitavelmente causamos, permitindo às gerações futuras desfrutar de todo um legado natural que nos foi entregue. Porque não começar já hoje, saindo para passear na Natureza, olhando-a e vivendo-a como o tesouro que realmente é e pelo qual somos responsáveis?

Links recomendados:
http://www.icnf.pt/portal/agir/comemora/dia-conserv-nat
https://dre.pt/pdf1sdip/2014/04/07300/0240002404.pdf

Texto: SETA – Sociedade Portuguesa para o desenvolvimento da Educação e do Turismo Ambientais
Fotografia: João Lopes (I Mostra de Fotografia Retrato Ambiental de Loures, 2013)

O Dia Mundial do Combate à Desertificação seguido de a Desertificação Vista pela Janela

Comemora-se hoje, pela 19ª vez, o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, instituído pelas Nações Unidas e que visa alertar para este problema que afeta cerca de um sexto da população mundial e 30 % das zonas continentais do planeta.

De acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), este fenómeno corresponde à degradação da terra, nas zonas áridas, semiáridas e sub-húmidas secas, em resultado da influência de vários fatores, incluindo as variações climáticas e as atividades humanas.

As causas apontadas pela UNCCD para a Região Mediterrânea Norte, em que Portugal se insere, são, em síntese:

  • Condições climáticas semiáridas, grande variabilidade pluviométrica e chuvadas repentinas e de grande intensidade;
  • Solos pobres e suscetíveis à erosão;
  • Relevo acidentado;
  • Grandes perdas no coberto vegetal resultantes da severidade regional dos incêndios florestais;
  • Crise na agricultura tradicional, associada ao abandono da terra e à deterioração das estruturas de proteção do solo e de conservação da água;
  • Exploração não sustentável dos recursos hídricos, causadora de prejuízos ambientais graves, neles se incluindo a poluição química, a salinização e o esgotamento dos aquíferos; e
  • Concentração das atividades económicas no litoral, como resultado do crescimento urbano, da atividade industrial, do turismo e da agricultura de regadio.»

As consequências incluem o aumento da erosão e da salinização dos solos, da alteração do ciclo da água com redução da infiltração da água da chuva e aumento do escoamento superficial, a redução da biodiversidade e da produtividade dos solos, conduzindo ao empobrecimento das comunidades humanas deles dependentes.

No Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD), aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 69/99, de 17 de Junho e em revisão, é referido que a desertificação “é um processo complexo, no qual muitas vezes as causas se confundem com os efeitos e em que intervêm não apenas os agentes mais próximos, mas muitos outros não diretamente envolvidos e muitas vezes não identificáveis”, sendo que “a mais ampla expressão da problemática causa-efeito na desertificação observada no território português é o despovoamento”, uma vez que “nas condições mediterrânicas que predominam no território continental, a presença do homem é fator determinante para a moldagem da Natureza: quando está presente, o homem constitui-se como vigilante e como arquiteto e escultor dos recursos naturais e da paisagem; quando se ausenta, o homem deixa atuar sobre os solos, por si muitas vezes fragilizados, os agentes naturais.”

Assim, a manutenção da população ativa nas zonas rurais é um dos eixos do PANCD, a par da conservação do solo e da água; da recuperação das áreas mais ameaçadas; da investigação, experimentação e divulgação e ainda da integração da problemática da desertificação nas políticas de desenvolvimento.

À escala da Área Metropolitana de Lisboa, onde se verificou em muitas áreas, e num passado recente, a transformação rápida do uso rural do solo para o urbano consolidado, nem sempre fará ainda sentido falar-se da problemática da desertificação. Mas não é esse o caso do Concelho de Loures, em que cerca de metade do território permanece rural mas muitas vezes desvalorizado, votado ao abandono e sofrendo episódios algo frequentes de incêndios e de erosão de zonas vulneráveis.

Sendo certo que a desertificação será mais intensa e frequente quanto menos pessoas viverem nos espaços rurais, menos meios de intervenção e incentivos sociais e financeiros para a manutenção desses espaços tiverem, quanto menor for o preço dos bens e serviços produzidos e menor o interesse em reabilitar cooperativas e associações de produtores, concluímos que, não obstante a desertificação ser um problema à escala mundial, há muito a fazer à porta de casa.

Links recomendados:

http://www.unccd.int/en/Pages/default.aspx

http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/ei/unccd-PT

http://dre.pt/pdf1sdip/1999/07/158B00/43004305.pdf (Resolução do Conselho de Ministros n.º 69/99, de 17 de Junho, que aprova o Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) e estabelece procedimentos relativamente à sua concretização)

Fotografia: Erosão (extraído de http://pt.dreamstime.com/imagens-de-stock-royalty-free-teste-padr%C3%A3o-da-eros%C3%A3o-de-solo-image12548799)

Teresa Santos