ADAL apela ao Presidente da Câmara e Grupos Políticos para SALVAR o Palácio de Valflores

A ADAL, preocupada com a sustentação física do Palácio de Valflores, dirigiu-se por carta ao Presidente da Câmara Municipal de Loures e aos Grupos Políticos representados na Assembleia Municipal no sentido de que sejam tomadas medidas técnicas objectivas e urgentes para salvaguarda do edifício.

Segue-se o conteúdo do APELO ao Sr. Presidente da Câmara, em tudo semelhante ao dirigido aos Srs. Deputados Municipais:

É do conhecimento geral o estado de derrocada em que se encontra o Palácio de Valflores.

Lamentavelmente, o actual Ministro do Ambiente não tem permitido aquela que era a melhor, mais rápida e mais económica solução para a recuperação e utilização futura daquele Palácio, mas estamos convictos que um dia os responsáveis políticos terão a coragem que se lhes exige, para ultrapassar obstáculos ridículos que se opõem ao desenvolvimento.

Assim, importa antes de mais salvaguardar o que pode ainda ser salvo. Sujeito, como tem estado à intempérie, nenhum edifício naquelas condições pode resistir por muito mais tempo.

Razão pela qual fazemos um forte APELO a V.Exa., no sentido de com urgência serem tomadas medidas técnicas para a sustentação, escoramento e cobertura do Palácio de Valflores. Pela nossa parte, ficamos disponíveis para colaborar activamente com a Câmara Municipal de Loures na concretização dessa iniciativa.”

Espera-se pois, sensibilizar os autarcas do Concelho de Loures, para que também eles possam agir em defesa de um património único.

Recorde-se que a ADAL, defende a instalação no Palácio de Valflores de um Centro de I&D na área do ambiente e que o Palácio de Valflores está em ruína apenas por falta de visão política e ambiental do Sr. Ministro Nunes Correia, que se deixa subjugar pelas opiniões despropositadas de um Instituto Público que devia seguir as orientações do Ministro e não dar orientações ao Ministro.

LUZ AO PALÁCIO – ILUMINAR OS MINISTROS

É já amanhã que numa iniciativa conjunta, a ADAL, a ADPAC e a Junta de Freguesia de Santa Iria de Azóia assinalarão a Jornada Internacional dos Monumentos e Sítios – com uma acção de iluminação nocturna do Palácio de Valflores, entre as 21H30 e as 23H30.

A iniciativa denuncia o estado de conservação do Palácio de Valflores, declarado Imóvel de Interesse Público em 1982 e, simultaneamente, deseja “iluminar” os Senhores Ministros do Ambiente e da Cultura, para a decisão política urgente que se impõe tomar e que se resume a autorizar a Valorsul a financiar a recuperação do Palácio.

Recorda-se que, após o completo abandono do Palácio anos a fio, a Valorsul veio a interessar-se pela sua aquisição e recuperação em 2004, operação que não foi autorizada pelo Governo.

A recusa foi fundamentada com base num parecer do Instituto Regulador de Águas e Resíduos, onde é dito que não faz parte do objecto social da empresa este tipo de actividade.

Não se compreende esta decisão, porque a Valorsul não pede dinheiro ao Governo e dispõe dos meios necessários para intervir rápida e decisivamente.

Sobretudo, não se compreende esta decisão, que mantém em confrangedor estado de derrocada eminente o valioso património.

Esta acção constitui também um protesto pelo facto de os Senhores Ministros do Ambiente e da Cultura, não terem dado, até à presente data, qualquer resposta ao pedido de audiência que lhes foi endossado pela ADAL e pela ADPAC.

Palácio e Quinta de ValFlores

O Palácio de Valflores, de acordo, com o inventário do património arquitectónico (IPA) levado a cabo pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) “Constitui um dos melhores exemplares da arquitectura residencial do séc. XVI no distrito de Lisboa, acrescido do facto de conservar a sua estrutura original.” e  “foi construído na tradição do paço régio medieval, de que o Paço de Leiria é modelo, embora transporte elementos renascentistas, especialmente visíveis na decoração da capela e na maior importância conferida à “loggia” (tanto na área que lhe é consagrada, como na decoração).”

Está por isso, sujeito a um regime de protecção, classificado como Imóvel de Interesse Público. Ver Dec. nº 28/82, DR 47 de 26 Fevereiro 1982, ZEP, DR 213 de 14 Setembro 1982, ZEP, Port. nº 129/99, DR 35 de 11 Fevereiro 1999.

Para melhor documentação sobre o assunto, anexa-se cronologia extraída do IPA da DGEMN.

Anexo – Cronologia do Palácio de ValFlores

”1537 – Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres, regressa a Portugal; c. 1550 – este mercador, dos últimos feitores no importante centro cultural que então constituía a Flandres, decide construir um paço rural, na tradição das moradias régias e nobres medievais mas com influência renascentista, consentâneo com o prestígio da anterior nomeação, com a fortuna possuída – “uma das maiores que neste reino se ajuntou que passava de trezentos mil cruzados” (FREIRE: 1927, p. 64) e com o morgadio por ele instituído com cabeça em Valflores; 1558 – na igreja matriz da vila funda o casal Jorge de Barros e D. Filipa de Melo a capela da Soledade ou dos Barros; séc. 16 – a propriedade é herdada por sua filha D. Luísa de Barros, casada com um nobre desaparecido na Batalha de Alcácer Quibir, vindo posteriormente a passar para um ramo colateral da família, em cuja descendência se conservou por 9 gerações; séc. 19 (2ª metade) – segundo Braancamp Freire, D. Pedro Climaco de Alcântara de Barros e Vasconcelos perde a quinta à mão de credores, ficando esta na posse de um brasileiro; c. 1870 – a quinta, e outras propriedades na freguesia, são adquiridas pela família inglesa Reynolds, que passa a arrendá-la; 1899 – Anselmo Braancamp Freire descreve o palácio como estando em regular estado de conservação exterior; séc. 20 – durante esta centúria a propriedade conhece exploração agrícola; 1978 (Jun.) – sob proposta da Comissão Organizadora do Instituto de Salvaguarda do Património Cultural e Natural e com Despacho do Secretário de Estado da Cultura a quinta de Valflores é classificada como Imóvel de Interesse Público, sendo logo determinado que se procedam a estudos no sentido de definir uma ampla zona especial de protecção; 1979 (Out.) – os estudos para a definição da área envolvente a proteger são realizados com a DGEMN, à data apontando-se a necessidade de, além de cuidar da preservação da envolvência, ser absolutamente urgente obviar ao péssimo estado de conservação do imóvel, sob pena de, inclusive, vir a desaparecer totalmente o que resta da cobertura mudéjar da sala principal; 1979 (Dez.) – a SEC (DG do Património Cultural), através da Câmara Municipal de Loures, notifica o proprietário do imóvel; 1980 (Fev.) – o edifício conhece uma vistoria dos técnicos da DGEMN e da CMLoures, da qual surge um plano de intervenção: consolidação estrutural, reconstrução de coberturas e restauro dos tectos primitivos (ocultos por outros mais recentes); do tecto mudéjar já nada restava; 1982 – é publicada a Zona Especial de Protecção; 1997 – um Despacho do Ministro da Cultura de 16 Setembro fixa nova ZEP, vendo-se a zona subtraída da área non-aedificandi e o seu perímetro parcialmente reduzido; 1998 – a S. é rasgado o IC10, cujo traçado obriga a amputar parte da quinta que se estendia até à EN115; 2000 – a propriedade deixou de ser objecto de exploração económica e o estado de ruína do seu edifício, por abandono progressivo, continua a acentuar-se; 2001/ Jan – abatimento de colunelo, sendo este recolhido e transportado pela Associação de Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria de Azóia; 2001/ Set /24 – derrocada parcial da vasta arcada do 2º piso da fachada principal, e que se encontram recolhidos e à guarda do proprietário; 2005 – está em curso processo de aquisição do imóvel pela C.M. de Loures”

Pedido de Reclassificação da Quinta de Valflores como Monumento Nacional (MN) pela C. M. de Loures em 2001.

Autor e Data: Paula Noé 1991 / Filomena Bandeira 2000”