LRS Águas Mil: A ADAL e os recursos hídricos em Loures

A água é um bem essencial para a vida humana, para o equilíbrio dos ecossistemas, para a produção de alimentos, para a geração de energia e para a economia em geral. As pressões ambientais e económicas colocadas sobre este recurso natural limitado, bem como a sua relação intrínseca com outras prioridades, como a produção de energia, a adaptação às alterações climáticas e o cultivo de alimentos, contribuem para que a gestão da água e dos seus serviços se tenham tornado temas prioritários da agenda internacional.

Assim sendo, toda a legislação desenvolvida para este sector, quer europeia, quer nacional, tem como objetivo alcançar uma proteção das águas superficiais interiores, das águas de transição, das águas costeiras e das águas subterrâneas de modo a:

  • evitar a degradação, proteger e melhorar o estado dos ecossistemas;
  • promover um consumo de água sustentável;
  • reforçar e melhorar o ambiente aquático através da redução ou cessação de descargas, emissões e perdas de substâncias prioritárias;
  • assegurar a redução gradual e evitar o agravamento da poluição das águas subterrâneas;
  • contribuir para mitigar os efeitos das inundações e secas;
  • garantir, em quantidade suficiente, água de origem superficial e subterrânea de boa qualidade, visando uma utilização sustentável, equilibrada e equitativa da água;
  • proteger as águas marinhas e promover a prevenção e eliminação da poluição em ambiente marinho.

Para assegurar a adequada implementação da legislação definida para alcançar estes objetivos, é essencial monitorizar o estado das massas de água, a sua disponibilidade, a utilização de recursos hídricos e outras pressões que são exercidas sobre a água, a ocorrência de inundações e períodos de seca e a qualidade da água para consumo humano.

in https://rea.apambiente.pt/dominio_ambiental/agua?language=pt-pt

A água na fase do seu ciclo terrestre circula sob a forma de águas superficiais e subterrâneas.

A bacia hidrográfica constitui o território a partir do qual as águas fluem para o mar, sendo por isso a unidade preferencial do território onde se deve assegurar a sua gestão sustentável.

O município de Loures acolhe a bacia hidrográfica do rio Trancão, sub-bacia do rio Tejo, marcada pela ocorrência de cheias de grande intensidade.

Não obstante, as preocupações com os recursos hídricos são pertinentes e urgentes em Loures como em todo o mundo. É decisivo, em tempos de preocupantes transformações climáticas em curso, que sejam dadas as respostas preventivas e antecipadas às necessidades futuras, desenvolvendo mecanismos de defesa, preservação e sustentabilidade das águas.

Águas superficiais

Surgem na natureza em forma de nascentes, rios, lagos ou lagoas. As “nascentes” que apresentaram, em geral, melhor qualidade, foram as primeiras a serem exploradas para o abastecimento humano. Mas, com o crescimento demográfico e a consequente crescente procura de água para consumo humano iniciaram-se grandes captações de águas dos rios, lagos e lagoas.

No Concelho de Loures, o rio Trancão é o elemento central da rede hidrográfica constituída por inúmeros afluentes, salientando-se o rio de Loures e as ribeiras das Romeiras, do Boição e o rio Pequeno a norte, e as ribeiras do Mocho e do Prior Velho a Sul. Os principais afluentes do rio de Loures são a ribeira de Pinheiro de Loures, a ribeira da Póvoa, o rio de Lousa e a ribeira de Fanhões.

  • Qualidade da água do Rio Tejo
  • Qualidade da água do Rio Trancão
  • Qualidade da água dos afluentes do Rio Trancão
  • Preservação do nível de água do Paul das Caniceiras
  • Denúncia de descargas ilegais nas linhas de água e exigência de penalizações substanciais aos prevaricadores
  • Recuperação e preservação das margens das linhas de água concelhias, removendo todas as ocupações ilegais e ilegítimas
  • Constituição de galerias ripícolas

Águas subterrâneas

As águas subterrâneas encontram-se em massas e lençóis de águas debaixo da terra. Essas reservas podem ser de grande ou pequena capacidade, de boa ou má qualidade.

A gestão sustentável da água quanto à sua qualidade e quanto à sua quantidade requer a proteção das áreas que apresentam condições favoráveis à infiltração e recarga dos aquíferos. Tais áreas, também exploradas para usos particulares quer no abastecimento doméstico, quer na atividade agrícola, são estratégicas.

Segundo o Atlas de Loures, no concelho de Loures, as áreas preferenciais de infiltração estão principalmente associadas à formação carbonatada do Cretácico associada ao Complexo Vulcânico de Lisboa que se desenvolve na zona envolvente a Montachique e Montemor, e às formações carbonatadas do Jurássico Superior quando associadas a sistemas de falhas, em Bucelas e Freixial.

  • Completa proibição de captações em zonas servidas por rede pública
  • Obrigatoriedade de regularização de antigas captações, poços e minas
  • Pugnar por uma actuação urbanística que não admita impermeabilizações absolutas dos solos urbanos e que assegure a viabilização das infiltrações da água da chuva nos solos e, logo, a recarga dos aquíferos.

Gestão da água em meio urbano

Nos nossos dias um dos maiores desafios, para além de proporcionar o acesso democrático e justo à água potável, é proceder à sua gestão sustentável, social, económica e ambiental.

É um desígnio político elementar a que nenhum agente institucional se pode eximir, a que nenhuma empresa, família ou individuo se pode furtar

  • Oposição às lavagens não essenciais de arruamentos com a proibição de uso de água potável e incremento de reutilização de águas tratadas de ETAR’s
  • Exigir redução substancial das perdas na rede pública de distribuição, através da recuperação das redes de abastecimento e da sua constante monitorização com meios tecnológicos adequados
  • Reclamar por Regulamentos e fiscalização municipal que impeçam o uso indevido de água potável pública para lavagem de viaturas na via pública, e abastecimentos irregulares, nomeadamente a actividades agro-pecuárias e empresas do sector secundário e terciário
  • Requerer regulamentação e atuação urbanística que promova a criação e zonas verdes com espécies autóctones e de baixo consumo de água
  • Pugnar por um sistema de tarifas penalizador de consumos excessivos quer no domínio doméstico, quer no domínio dos consumidores empresariais
  • Oposição absoluta a implantação de campos de golfe no Concelho de Loures
  • Propor que o Regime Jurídico da Urbanização e Edificação imponha aos agentes de construção a adopção nos edifícios, de sistemas de poupança e reaproveitamento das águas usadas, bem como sistemas de captação, armazenamento e uso ulterior da água da chuva.
  • Propor que sejam estudados e implementados sistemas públicos de aproveitamento, armazenagem e uso das águas pluviais.

Clique para download do documento em formato PDF.

Um olhar por dentro no Museu da Água

A ADAL realizou, no passado dia 27 de Novembro, mais uma etapa deste seu programa
de acção, anualmente consignado no plano de actividades da Associação.

“Um olhar por dentro” ao Museu da Água, classificado pela DGPC, desde 2010 como Conjunto de Interesse Público, foi a proposta da ADAL que levou à Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, 11 associados.

A Dr.ª Margarida Ramos, Técnica Superior do Museu, orientou de forma muito cativante e competente as duas partes da visita. A primeira, na interpretação e conhecimento de todo o processo histórico que nos tráz Água desde há milénios; Mesopotâmia, Egipto Faraónico, Roma e Lisboa ao longo de todos os séculos, com o momento crucial a partir de D. João V…, o Aqueduto das Águas Livres, as fontes da cidade de Lisboa e o abastecimento a toda a área metropolitana.

A segunda parte consistiu na observação das quatro máquinas a vapor (oficinas de E.W.Windsor, de Ruão, França) que eram acionadas por cinco caldeiras alimentadas a carvão. Máquinas que elevavam a água do rio Alviela, armazenadas depois no reservatório dos Barbadinhos que abastecia outros reservatórios e cisternas. Funcionaram entre 1880 e 1928. Foi-nos dado a observar, durante alguns minutos, uma das máquinas a laborar.

No final, no balanço da iniciativa que foi exclusiva para a ADAL (aos fins de semana no
museu não está aberto), o grupo exprimiu o seu agrado pela excelente visita, num museu muito interessante e actual, que a ADAL enquadra também na sua causa LRS Águas MIL, como experiência de conhecimento.

Porque, depois de podermos observar e manipular o importante painel “Água
Invisível”, a nossa ‘Atitude’ face à Água vai ter forçosamente outras interpretações e,
necessariamente, alterações. Para que seja um “Bem Infinito”!

UM OLHAR POR DENTRO à Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos – 27 de Novembro

A ADAL organiza uma visita guiada à Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, no próximo dia 27 de Novembro, às 10h30, no âmbito da iniciativa anual Um Olhar por Dentro.

A Água é um bem essencial para a vida humana, para o equilíbrio dos ecossistemas, para a produção de alimentos, para a geração de energia e para a economia em geral.

Contudo as pressões ambientais e económicas colocadas sobre este recurso natural limitado, bem como a sua relação intrínseca com outras prioridades, como a produção de energia, a adaptação às alterações climáticas e o cultivo de alimentos, contribuem para que a gestão da água e dos seus serviços se tenham tornado temas prioritários.

A mais recente causa da Associação – Loures Águas Mil – reflete sobre as questões dos recursos hídricos e da sua gestão no concelho de Loures, pelo que a exposição permanente do Museu da Água melhor permitirá conhecer uma multiplicidade de assuntos com a Água relacionados.

Participação sujeita a inscrição prévia (até 26 de Novembro) para: adaloures@gmail.com
e ao pagamento do bilhete de entrada em vigor (6 €).

O ponto de encontro é às 10h15 na Rua do Alviela 12, Lisboa. A visita terá a duração aproximada de 1h30.

Água suporte da vida, água para a vida

O Município de Loures é percorrido por uma vasta rede hidrográfica e integra-se na sub-bacia Estuário, da Rede Hidrográfica do Tejo.

As actividades humanas têm vindo a ser identificadas como uma das maiores ameaças ambientais, sociais e económicas que o planeta e a humanidade enfrentam.

A mudança climática provocada tem especial destaque nas emissões de gases com efeito de estufa e nas alterações muito significativas no uso do solo.

As perspectivas de evolução do clima ao longo do século XXI, apresentadas para 2100, prevêem, em geral, um aumento da temperatura do ar durante o período de Verão entre 4 e 6ºC e no período de Inverno entre 2 e 3ºC, e um aumento da precipitação durante os meses de Inverno e uma diminuição acentuada da precipitação no período de Verão e Outono.

Neste cenário de alterações, prevê-se também uma maior incidência de fenómenos extremos, com o aumento de episódios de precipitação intensa durante curtos períodos no Inverno e o aumento do número de dias consecutivos com temperaturas máximas acima dos 35ºC, que poderão passar de cerca de 10 a 20 dias, para 30 a 40 dias consecutivos

Antevê-se, portanto, que as alterações previstas para o clima tenham impactos substantivos nos recursos hídricos, em especial na diminuição das disponibilidades hídricas, no aumento de eventos meteorológicos extremos, na degradação da qualidade da água e, paralelamente, no aumento do seu consumo.

Por outro lado, os estudos indicam que, embora rica em recursos hídricos superficiais e subterrâneos, a região está submetida a perdas elevadas de água, quer nos sistemas urbanos, quer, principalmente, nos sistemas agrícolas.

Estas razões conjugadas, determinaram a preocupação e a iniciativa da ADAL de lançar o projecto “LRS – águas mil” que se constitui em iniciativa de cidadania, desencadeando o alerta e a exigência às autoridades públicas, aos agentes económicos e aos cidadãos, sobre a incontornável necessidade de desenvolver, desde já, acções objectivas de poupança e protecção para a sustentabilidade dos recursos hídricos, sejam eles superficiais ou subterrâneos, e nas quais ninguém está dispensado de se envolver e participar.

A água é o suporte básico da existência, todos precisamos de água para a vida.