SALVAR E VALORIZAR O PAUL DAS CANICEIRAS

No âmbito da campanha que a ADAL está a desenvolver para que se retome o processo com vista à classificação do Paul das Caniceiras como Área Protegida de Âmbito Regional ou Local, promovemos uma reunião com os presidentes das Juntas de Freguesia que, pela sua relação geográfica natural e de proximidade, poderão, no nosso entender, tornar-se agentes fundamentais para os objectivos de preservação e valorização deste recurso natural.

A reunião com os presidentes da Freguesia de Loures e da União de Freguesias de Santo Antão e S. Julião do Tojal realizou-se em São Julião do Tojal, no dia 2 de Novembro, e constituiu uma oportunidade para troca de informações e reforço dos factores que justificam o processo de classificação, no qual defendemos o envolvimento de todos os directamente interessados e a comunidade, em geral.

É urgente salvar e valorizar o Paul das Caniceiras!

CONVENTO DE NOSSA SENHORA DOS MÁRTIRES E DA CONCEIÇÃO DOS MILAGRES SOB UM SILÊNCIO PREOCUPANTE | Posição Pública

Em 2019 a ADAL denunciou o estado de abandono e destruição do Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos Milagres, em Sacavém, e dinamizou um movimento de opinião para a sua salvaguarda e valorização, batendo-se para que este exemplar do património construído do concelho de Loures fosse classificado.

Nesse ano, numa visita ao imóvel em que participaram técnicos da Câmara Municipal de Loures e da Direcção Geral do Património Cultural (que a ADAL acompanhou), confirmou-se a sua importância histórica e cultural e relevância para a cidade de Sacavém. Decidiu-se então desenvolver um processo de classificação, para beneficiação e valorização futura do edifício.

Em 19 de Maio de 2021 foi aprovado em reunião de Câmara abrir o procedimento administrativo relativo à classificação, como Monumento de Interesse Municipal, do conjunto constituído pelo antigo Convento e pela Igreja de Nossa Senhora da Purificação, originalmente igreja conventual.

Contudo, esta deliberação acabou por ser revogada em 26 de Outubro de 2022, porque o processo não poderia incluir a Igreja Matriz, bem do Patriarcado. Foi então decidido abrir um novo procedimento de consulta pública, considerando apenas o Convento. O período de consulta terminou e não se verificaram, desde então, quaisquer desenvolvimentos.

Ao cabo de um ano de silêncio, a ADAL questiona publicamente a Câmara Municipal de Loures:

Será que os fundamentos apresentados no procedimento com vista à classificação deste património deixaram de ser válidos? O que, num dia, se considera dever ser defendido pode, no dia seguinte, perder valor cultural e patrimonial? Estaremos perante uma manifestação de laxismo e desinteresse, ou interesses mais altos se levantam?

Qual a razão que levou à estagnação de um processo aprovado em reunião de Câmara, sem que tivesse nova apreciação nesse órgão e a merecida justificação pública?

O Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos Milagres, sítio de memória dos munícipes de Loures e dos sacavenenses em particular, vai ou não ser classificado?

Quais as intenções da autarquia para o uso futuro deste exemplar do património construído local?

Exige-se que o Convento seja preservado e valorizado em nome da Cidade de Sacavém, do Concelho de Loures e das suas populações!

PELA CLASSIFICAÇÃO DO PAUL DAS CANICEIRAS COMO ÁREA PROTEGIDA DE ÂMBITO REGIONAL OU LOCAL

A ADAL está a desenvolver uma nova campanha para que este recurso natural não caia no esquecimento das entidades que têm a obrigação de preservar esta zona húmida do concelho de Loures.

Preservar este recurso e a biodiversidade que lhe está associada é responsabilidade de todos!

Acompanhe e apoie esta SUA causa!

Foto de Camila Rodrigues (Ganso Egipto)

Paul das Caniceiras – O paraíso esquecido de Loures

Ibis pretas

As zonas húmidas desempenham um papel ecológico fundamental e apresentam uma considerável diversidade, podendo incluir uma grande variedade de ecossistemas como pântanos, charcos, rios, lagos ou pauis. Devido à sua importância ecológica, estão frequentemente protegidas por leis e tratados internacionais, como a Convenção de Ramsar, que promove a conservação e o uso sustentável desses ecossistemas cruciais para a biodiversidade e o bem-estar humano.

São ecossistemas que abrigam uma diversidade impressionante de espécies de plantas, animais e microrganismos e atuam como habitats para muitas espécies ameaçadas, tanto endémicas como migratórias, tornando-se locais vitais para a reprodução, alimentação e abrigo de uma grande variedade de vida selvagem. Em particular, muitas espécies de aves dependem das áreas húmidas para se reproduzirem e se abastecerem durante as suas migrações. Esses locais servem como “estações de serviço” essenciais para estes animais em movimento, que frequentemente percorrem distâncias inacreditáveis e necessitam absolutamente destes locais para sobreviver aos desafios das suas viagens inauditas.

Os pauis, também conhecidos como pântanos ou áreas pantanosas, são tipos específicos de zonas húmidas que têm uma importância ecológica significativa. Caraterizam-se por solos saturados ou encharcados, geralmente cobertos de vegetação aquática, como juncos, gramíneas e outras plantas adaptadas a ambientes húmidos. São compostos por diferentes micro-hábitats, como áreas abertas de água, zonas de vegetação densa e margens lamacentas, e essa diversidade oferece nichos para uma variedade de espécies, aumentando a biodiversidade geral da área em que se inserem.

O portal «Aves de Portugal» faz referência à Várzea de Loures como um local privilegiado para a observação de aves na área de Lisboa e Vale do Tejo. O portal indica a existência neste local de três pequenos pauis que “apesar do seu estado de degradação (presença de lixo e entulho, envolvimento por construções que ameaçam a sua subsistência), ainda servem de refúgio a diversas aves aquáticas, permitindo observar diversas espécies que geralmente não ocorrem a tão pequena distância da capital”.

Infelizmente, dois destes pauis, o Paul do Tojal e o Paul da Granja, acabaram entretanto por sucumbir à pressão humana, pelo que apenas subsiste teimosamente o Paul das Caniceiras, com cerca de 14 hectares, situado cerca de 2 km a leste da Urbanização do Infantado, junto à EN 115. Apesar de oferecer abrigo a uma das raras populações da «boga de boca arqueada de Lisboa», uma espécie de peixe de água doce que se encontra em risco, e de abrigar inúmeras espécies de aves, é um local pouco valorizado e desprotegido.

O paul encontra-se desafortunadamente entalado entre pequenos campos agrícolas e armazéns, serve de local de despejo para todo o tipo de lixo e é frequentado por matilhas de cães de caça em semi-liberdade que o atravessam alegremente a nado, certamente em busca de ninhos e jovens aves, presas fáceis e apetecíveis. O seu abandono e a negligência a que está votado contrastam fortemente com a vitalidade e valorização de outras zonas similares, como a Lagoa Pequena, em Setúbal, ou o Paul de Manique do Intendente, na Azambuja.

No website do Município da Azambuja é possível ler a propósito do denominado «Paul Natura» que autarquia tem vindo a apostar na promoção do espaço, o que envolveu, nomeadamente, a colocação de uma infraestrutura de observação que tem como objetivo “promover o conhecimento, a proteção e a preservação daquele ecossistema único e tão rico para o Concelho e para toda a região”.

Resta-nos esperar (e lutar para) que a crescente consciência ambiental que se tem vindo a verificar em algumas autarquias no nosso país acabe por se estender ao nosso concelho e que esta consciência, e a ação que a deve materializar, se efetive a tempo de salvar este pequeno paraíso às nossas portas, tão rico mas tão frágil. Cuidar da natureza é cuidar de nós próprios, das gerações futuras e de todas as formas de vida que partilham connosco o nosso concelho, que tanto potencial tem para se assumir como uma área de grande valor ambiental.

Algumas espécies de aves que é possível observar no local: íbis preta; garça real; garça branca pequena, garça boieira; garça vermelha; garça branca grande; garça noturna; garçote; pernilongo; pato real; colhereiro; galeirão; mergulhão pequeno; guarda rios; rouxinol dos caniços; águia de asa redonda; águia sapeira; peneireiro; guincho; corvo marinho; cegonha

Referências:

https://www.cm-azambuja.pt/informacoes/noticias/item/4134-paul-natura-um-local-a-conhecer

Camila Rodrigues, CEO & Founder Mulheres à Obra

(Os artigos de Opinião aqui publicados  são da responsabilidade dos seus autores e podem não reflectir as posições da ADAL).