ADAL debate o Associativismo no séc. XXI

A ADAL participou no Encontro promovido pela Associação de Colectividades do Concelho de Loures, realizado no dia 15 de Abril, em Loures, sob o tema “Os desafios do Associativismo Popular no século XXI”.

No terceiro painel, sobre Associativismo, Ambiente e Património, partilhando a mesa com a ADPAC, apresentamos brevemente a origem da ADAL e o seu âmbito de acção, realçando depois a nossa visão relativamente à responsabilidade e intervenção dos cidadãos.

Foi uma oportunidade para divulgarmos o procuramos, com a nossa acção: contribuir para a sustentabilidade com uma visão construtiva e equilibrada, fazer face às inevitáveis crises, presentes e futuras, com sustentabilidade ambiental e energética, territorial, demográfica, social, cultural e educativa, do tecido económico (pugnando por actividades e empresas de valor acrescentado e baixo impacto ambiental), do património cultural material e imaterial.

Por fim, defendemos a perspectiva de que o associativismo deve ser impulsionado, aspirando a um papel de relevo, enquanto actor social, para essa sustentabilidade.

A ADAL FOI VER O QUE SE PASSA COM O REACTOR NUCLEAR DA BOBADELA

E ficámos a saber que o único reactor nuclear existente em Portugal, localizado na EN 10 a norte de Sacavém, está em processo de desmantelamento, tendo o combustível de urânio e outros produtos radioactivos do núcleo do reactor sido retirados em 2016 e enviados para os Estado Unidos.

Este reactor, que não se destinava a produção de energia eléctrica, tinha a importante função de apoio à investigação cientifica e preparação de especialistas na área do nuclear.

Em reunião da ADAL com a direcção do Campus Tecnológico e Nuclear do IST, em 16/3/2023, foi recordado que a construção do reactor nuclear da Bobadela teve início em 1957, ficando concluído em 1961, sendo durante muitos anos o centro da actividade do então Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (LFEN), da Junta de Energia Nuclear de Portugal, criada em Março de 1954.

Em 2012, a missão e as atribuições do então Instituto Tecnológico e Nuclear, I. P., numa altura em que a actividade do reactor já representava apenas uma pequena parte das actividades do ITN, transitaram para o Instituto Superior Técnico, instituição de ensino superior pública integrada na Universidade de Lisboa. No Campus Tecnológico e Nuclear do IST, existem actualmente duas unidades de investigação:

Centro de Ciencias e Tecnologias Nucleares (C2TN);

Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) .

As áreas de especialização do C2TN, nomeadamente as relacionadas com a utilização das radiações ionizantes, com as infraestruturas de investigação e com os equipamentos especializados (alguns deles únicos no País), aliadas ao “know-how” dos seus grupos de investigação, permitem-lhe oferecer excelentes oportunidades para:

Aprendizagem científica/técnica de estudantes e de jovens cientistas;

Aprendizagem para profissionais.

Durante a reunião a ADAL procurou ainda informar-se sobre um falado envolvimento do Campus Tecnológico e Nuclear do IST num projecto de “criação de uma unidade de saúde, integrada no SNS, para o tratamento de doentes com cancro, com recurso a terapias de feixes de partículas de elevada energia, incluindo uma forte valência de investigação e desenvolvimento, designadamente de investigação clínica” referida na resolução 28/2018 do governo e onde “numa primeira fase, prevê-se que venha a ser possível tratar cerca de 700 doentes por ano com feixe de protões, selecionados de acordo com as práticas internacionais” (1). Foi confirmado que o CTN do IST chegou a participar neste projecto, mas apenas numa fase preliminar, não existindo de momento quaisquer planos para a instalação desse tipo de unidade de saúde do SNS. Entretanto, em Espanha, e no âmbito do sector privado, já existem diversas unidades desta natureza, ideais para o tratamento do cancro em crianças.

Falou-se ainda da Quinta dos Remédios, propriedade do CTN, para a qual a Câmara Municipal de Loures está a desenvolver um Plano de Pormenor.

(1) Resolução do Conselho de Ministros n.º 28/2018

O barroco às portas de Lisboa | A ADAL convida o Ministro da Cultura

No início deste mês a ADAL dirigiu um convite ao Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, para que se deslocasse a Santo Antão do Tojal a fim de conhecer o seu importante património, todo ele referenciado no SIPA–Sistema de Informação para o Património Arquitectónico e disponibilizou um dossier sobre o que está por fazer e que carece de ser levado até ao fim, em nome do património cultural, do turismo e da economia.

A pequena aldeia de Santo Antão do Tojal, às portas de Lisboa, no Concelho de Loures, é um exemplo raro do “urbanismo” e arquitectura barrocas. O Conjunto Monumental de Santo Antão do Tojal esteve ao serviço do primeiro patriarca de Lisboa e do seu rei, D. João V, o Magnânimo.

Santo Antão do Tojal tem uma primeira referência em documentos escritos datados de Dezembro de 1291. Quanto à instituição paroquial de Santo Antão do Tojal, sabe-se que ocorreu durante o reinado de D. Dinis e foi um priorado da mitra de Lisboa.

A vila teve um papel central na construção do Convento de Mafra. O transporte das pedras utilizadas na sua edificação foi feito pelo Rio Trancão até Santo Antão do Tojal, ao tempo em que as marés chegavam às lezírias de Loures.

Em Santo Antão do Tojal, nasceu o reputado botânico português Félix de Avelar Brotero e residiu na Freguesia a poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho. Também Augusto Dias da Silva, que foi Ministro do Trabalho e Ministro interino das Finanças e progressista Vereador Municipal, aqui nasceu e passou parte da sua vida.

Fazem parte do muito importante acervo patrimonial da Freguesia os aquedutos que abasteciam de água o Palácio-Fonte e o Palácio dos Arcebispos.

Aqueduto de Santo Antão do Tojal

Palácio-Fonte na Praça Monumental

O aqueduto de Santo Antão do Tojal foi alvo de umas obras iniciais de preservação entre 1960 e 1978. Em 1991 foi alvo de um restauro por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, num processo previsto para cinco fases, até 2000, trabalhos entretanto interrompidos para não mais prosseguirem. Em Março de 2021, a Assembleia da República tomou a Resolução com vista à preservação e requalificação do aqueduto sem que, no entanto, se conheça qualquer acção que aponte no sentido de cumprir a deliberação do Parlamento.

Em 2022 chegou a haver dotação no Orçamento de Estado, através do PIDAC, destinada a esta requalificação, que acabou por não se realizar.

É urgente dar seguimento à Resolução da Assembleia da República e tomar as medidas necessárias para a preservação deste património!

Positivo e Negativo em 2022 no Concelho de Loures

A ADAL, reunida em Assembleia Geral no dia 14 de Março de 2023, apreciou as propostas apresentadas ao longo de 2022 para o Positivo e Negativo do ano, nos domínios do Ambiente e do Património do Concelho de Loures, e elegeu os seguintes:

2022POSITIVONEGATIVO
AMBIENTEProjecto Rios com Vida 360°, que recebeu um prémio Cidades Educadoras, atribuído pela Associação Internacional das Cidades Educadoras e de Cidades e Governos Locais Unidos (CM Loures)Assoreamento da cala Norte do Rio Tejo (junto ao Mouchão da Póvoa), o que condiciona o bom funcionamento do sistema de arrefecimento das caleiras da Valorsul, além de aumentar o risco de cheias (Ministério do Ambiente e da Transição Energética)
2022POSITIVONEGATIVO
PATRIMÓNIOObras de conservação no Sifão de Sacavém (EPAL)Ausência de medidas de manutenção e valorização dos Aquedutos e da Rua dos Arcos de Santo Antão do Tojal (Ministério da Cultura – DGPC)

Ao longo de 2022 registaram-se propostas para seis aspectos Positivos (dois no domínio do Ambiente e quatro no do Património) e oito Negativos (cinco no Ambiente e três no Património). A escolha dos aspectos Positivo e Negativo no domínio do Ambiente foi consensual; já quanto aos aspectos Positivo e Negativo no Património, foi por maioria.

Como habitualmente, a ADAL fará chegar os Certificados às entidades responsáveis em Junho, assinalando o Dia Mundial do Ambiente.