Obras no Sifão do Canal do Alviela

Em 2019 a ADAL alertou para o estado de degradação do Sifão do Canal do Alviela, localizada no rio Trancão, em Sacavém, uma infra-estrutura centenária (datada de 1880), que foi responsável pelo abastecimento de água da região de Lisboa.

Os alertas foram feitos junto dos deputados da Assembleia da República e da Direcção Geral do Património Cultural, mas também da empresa responsável, a EPAL, juntando registos das fissurações superficiais já observáveis.

É com agrado que verificamos que as obras de conservação iniciaram, cumprindo-se assim a responsabilidade de salvaguarda e valorização deste património, símbolo da cidade de Sacavém.

Classificação do Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Mártires e Igreja de Nossa Senhora da Purificação

Assunto: Classificação do Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Mártires e Igreja de Nossa Senhora da Purificação

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Loures,

Dr. Bernardino Soares

Como é do conhecimento de Vª Ex.ª, o Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Mártires é, desde sempre, uma das grandes causas da ADAL.

Naturalmente, congratulamo-nos pela iniciativa da Câmara Municipal de Loures para que este Convento e a Igreja de Nossa Senhora da Purificação sejam classificados como monumentos de interesse municipal.

Mas, se nos permitem a ousadia, a ADAL sugere que se possa ir um pouco mais além, dada a relevância que terá todo o conjunto patrimonial – Convento, Igreja e todos os melhoramentos e valorização que estão a acontecer na sua circunscrição – e a importante história de Sacavém, que passa as fronteiras do local e, em nossa opinião, têm âmbito nacional.

Âmbito este que, no que diz respeito ao conjunto patrimonial, se enquadra na legislação em vigor, concretamente nos Nºs 1, 3 e 6 do Artigo 2º, Nºs 1 e 2 do Artigo 14º, Nºs 1, 2, 4 e 5 do Artigo 15º e no Nº 1 do artigo 16ª da Lei 107/2001 de 21 de Setembro, Lei de Protecção e Valorização do Património Cultural. Na mesma legislação também podem ser tidos em linha de conta os Nºs 1 a 4 do Artigo 18º e os Artigos 20º e 21º.

Anotamos ainda a opinião do arquitecto Flávio Lopes, antigo director do IPPAR, na página 137 do livro “Património Arquitectónico e Arqueológico – Noção e Normas de Protecção” (Edição Caleidoscópio, 2012): «As câmaras municipais comunicam à Direcção-Geral do Património Cultural a decisão de iniciar procedimentos de classificação de bens imóveis, o que permite, entre outros aspectos, a verificação (em articulação com as direcções regionais de Cultura) da eventual viabilidade de uma classificação de bem imóvel como de interesse nacional ou interesse público.»

Com os melhores cumprimentos,

A Presidente da Direcção,

Isabel Rodrigues

Loures, 28 de Junho de 2021

A ADAL e a comemoração do Dia Mundial do Ambiente

No passado dia 5 de Junho, exatamente para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, no âmbito do Projecto «Pelos Trilhos do Património e da Natureza», 53 pessoas participaram no «Percurso pela Várzea de Loures» – orientado no terreno pelo nosso amigo Manuel Silva, com a intervenção qualificada das técnicas municipais, Tânia Mateus e Ana Raquel Silva, respectivamente no âmbito das políticas municipais de Planeamento e Museologia e Património.

Num percurso circular, de aproximadamente 10 quilómetros, foi possível observar toda a riqueza que existe na Várzea de Loures.

No que diz respeito ao património histórico, logo no início do percurso, foi-nos dada a oportunidade de visitar a muito interessante e nem sempre aberta ao público Igreja de São Julião e Santa Basilisa de Frielas.

Simultaneamente aqui aconteceu uma breve intervenção de Isabel Rodrigues, presidente da direção da ADAL, para apresentar sumariamente a Associação e sua dinâmica e informar aspectos práticos relativos ao percurso.

A circularidade da caminhada levou-nos ainda à histórica Praça Monumental de Santo Antão do Tojal e no final ao Sítio Arqueológico de Frielas.

Na parte inicial do percurso, diante de uma paisagem de cultivo esmagadora, os participantes ficaram a saber que anualmente, no que estavam a ver, são produzidas 40 mil toneladas de tomate de elevada qualidade e também milho. Já no retorno, na “baixa” de Unhos, com o Trancão ali tão perto, o grupo contactou, no sapal, com uma extensa área de cultivo.

Para terminar, a Água, que nas palavras de Herberto Helder «…é uma delicadíssima e exaltante matéria.»

Mas para todos nós também o é. Por isso, o Paul das Caniceiras em Santo Antão do Tojal, é uma das causas maiores da ADAL, que permanentemente vem sublinhado a premência da classificação patrimonial desta “jóia” do Concelho de Loures, que potenciará o seu valor ambiental.

Pela sua extensão de aproximadamente 14 hectares de área alagada, de habitat da espécie rara de peixe “Boga-de-boca-arqueada de Lisboa”, de local de refúgio e nidificação de espécies de aves, pela rara beleza paisagística, o Paul das Caniceiras foi um dos locais onde os participantes da caminhada mais tempo se detiveram a observar e a fotografar.

O dia 5 de Junho de 2021, Dia Mundial do Ambiente, foi simultaneamente, um grande momento de celebração e descoberta.

Frente Ribeirinha do Tejo em Loures – ADAL congratula-se com a sua luta, as exigências que fez e o sucesso ao alcance de todos

Finalmente, correspondendo às aspirações das populações, à luta persistente e determinada da ADAL e o empenho da Câmara Municipal de Loures nos últimos anos, o Governo aprovou uma Resolução que determina a desocupação e relocalização do Complexo Rodoferroviário da Bobadela.

Notámos – e não podemos deixar de denunciar – que houve agora quem, à última da hora e às pressas, tenha vindo mostrar entusiasmo e interesse na Frente Ribeirinha do Tejo. Mas a verdade inequívoca, factual e comprovável é que foi a ADAL que, desde 2006, constantemente alertou para os problemas desta zona, propondo soluções e tomando mesmo a iniciativa de contactar as empresas ali instaladas para obter a sua colaboração na mitigação dos efeitos da sua actividade, neste espaço ecológico por excelência.

Durante todos estes anos a ADAL foi uma voz isolada à qual se juntou a Câmara Municipal de Loures a partir de 2015. A ADAL repudia gestos demagógicos de última hora e espera que a Frente Ribeirinha e as populações da zona mereçam, finalmente, o respeito que não obtiveram no longo período de 2002 a 2013, quer por parte da administração da Câmara Municipal de Loures, quer dos vários governos e ministros do ambiente, que a ADAL ao longo desses anos contactou e procurou sensibilizar para a necessidade do ordenamento e valorização ambiental da Frente Ribeirinha do Tejo em Loures, em prol da fruição pelas populações, sem prejuízo das actividades económicas que devem adequar-se ao contexto em que se inserem.

Porque nem tudo fica resolvido com esta deliberação governamental, a ADAL reitera os três objectivos essenciais que apresentou publicamente, em tempo, disponibilizando-se ao Grupo de Projecto que o Governo irá nomear, para colaborar activamente com as soluções a encontrar, para que após as Jornadas Mundiais da Juventude, fique assegurado o futuro sustentável da Frente Ribeirinha do Tejo em Loures.

É preciso:

  1. Que sejam erradicados os problemas da desqualificação territorial, ambiental e económica e desenvolvidas acções mitigadoras dos impactos das actuais actividades, impedindo ali novas actividades inadequadas e impróprias de um espaço de elevada nobreza e valor ambiental;
  2. Que seja elaborado um Plano de Ordenamento, como instrumento de gestão sustentável do território e alavanca de protecção ambiental e de desenvolvimento económico equilibrado;
  3. Que se reúnam sob os mesmos propósitos, o governo, as autarquias, as empresas e os cidadãos em ordem à valorização da frente Tejo nas suas diferentes dimensões, das económicas às lúdicas, das ambientais às turísticas.

LOURES TAMBÉM TEM TEJO !